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Domingo de Ramos e da Paixão de Jesus (01/04/2012)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Isaías (Is), capítulo 50
(4) O Senhor Deus deu-me a língua de um discípulo para que eu saiba reconfortar pela palavra o que está abatido. Cada manhã ele desperta meus ouvidos para que escute como discípulo, (5) (o Senhor Deus abriu-me o ouvido) e eu não relutei, não me esquivei. (6) Aos que me feriam, apresentei as espáduas, e as faces àqueles que me arrancavam a barba, não desviei o rosto dos ultrajes e dos escarros. (7) Mas o Senhor Deus vem em meu auxílio: eis por que não me senti desonrado, enrijeci meu rosto como uma pedra, convicto de não ser desapontado.
Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola aos Filipenses (Fl), capítulo 2
(6) Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, (7) mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. (8) E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. (9) Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes, (10) para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos. (11) E toda língua confesse, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Marcos (Mc), capítulo 14
(1) Ora, dali a dois dias seria a festa da Páscoa e dos (pães) Ázimos, e os sumos sacerdotes e os escribas buscavam algum meio de prender Jesus à traição para matá-lo.
(2) Mas não durante a festa, diziam eles, para não haver talvez algum tumulto entre o povo.
(3) Jesus se achava em Betânia, em casa de Simão, o leproso. Quando ele se pôs à mesa, entrou uma mulher trazendo um vaso de alabastro cheio de um perfume de nardo puro, de grande preço, e, quebrando o vaso, derramou-lho sobre a cabeça.
(4) Alguns, porém, ficaram indignados e disseram entre si: Por que este desperdício de bálsamo?
(5) Poder-se-ia tê-lo vendido por mais de trezentos denários, e os dar aos pobres. E irritavam-se contra ela.
(6) Mas Jesus disse-lhes: Deixai-a. Por que a molestais? Ela me fez uma boa obra.
(7) Vós sempre tendes convosco os pobres e, quando quiserdes, podeis fazer-lhes bem, mas a mim não me tendes sempre.
(8) Ela fez o que pode: embalsamou-me antecipadamente o corpo para a sepultura.
(9) Em verdade vos digo: onde quer que for pregado em todo o mundo o Evangelho, será contado para sua memória o que ela fez.
(10) Judas Iscariotes, um dos Doze, foi avistar-se com os sumos sacerdotes para lhes entregar Jesus.
(11) A esta notícia, eles alegraram-se e prometeram dar-lhe dinheiro. E ele buscava ocasião oportuna para o entregar.
(12) No primeiro dia dos Ázimos, em que se imolava a Páscoa, perguntaram-lhe os discípulos: Onde queres que preparemos a refeição da Páscoa?
(13) Ele enviou dois dos seus discípulos, dizendo: Ide à cidade, e sair-vos-á ao encontro um homem, carregando um cântaro de água.
(14) Segui-o e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa: O Mestre pergunta: Onde está a sala em que devo comer a Páscoa com os meus discípulos?
(15) E ele vos mostrará uma grande sala no andar superior, mobiliada e pronta. Fazei ali os preparativos.
(16) Partiram os discípulos para a cidade e acharam tudo como Jesus lhes havia dito, e prepararam a Páscoa.
(17) Chegando a tarde, dirigiu-se ele para lá com os Doze.
(18) E enquanto estavam sentados à mesa e comiam, Jesus disse: Em verdade vos digo: um de vós que come comigo me há de entregar.
(19) Começaram a entristecer-se e a perguntar-lhe, um após outro: Porventura sou eu?
(20) Respondeu-lhes ele: É um dos Doze, que se serve comigo do mesmo prato.
(21) O Filho do homem vai, segundo o que dele está escrito, mas ai daquele homem por quem o Filho do homem for traído! Melhor lhe seria que nunca tivesse nascido...
(22) Durante a refeição, Jesus tomou o pão e, depois de o benzer, partiu-o e deu-lho, dizendo: Tomai, isto é o meu corpo.
(23) Em seguida, tomou o cálice, deu graças e apresentou-lho, e todos dele beberam.
(24) E disse-lhes: Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado por muitos.
(25) Em verdade vos digo: já não beberei do fruto da videira, até aquele dia em que o beberei de novo no Reino de Deus.
(26) Terminado o canto dos Salmos, saíram para o monte das Oliveiras.
(27) E Jesus disse-lhes: Vós todos vos escandalizareis, pois está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas serão dispersas (Zac 13,7).
(28) Mas depois que eu ressurgir, eu vos precederei na Galiléia.
(29) Entretanto, Pedro lhe respondeu: Ainda que todos se escandalizem de
(30) Jesus disse-lhe: Em verdade te digo: hoje, nesta mesma noite, antes que o galo cante duas vezes, três vezes me terás negado.
(31) Mas Pedro repetia com maior ardor: Ainda que seja preciso morrer contigo, não te renegarei.E todos disseram o mesmo.
(32) Foram em seguida para o lugar chamado Getsêmani, e Jesus disse a seus discípulos: Sentai-vos aqui, enquanto vou orar.
(33) Levou consigo Pedro, Tiago e João, e começou a ter pavor e a angustiar-se.
(34) Disse-lhes: A minha alma está numa tristeza mortal, ficai aqui e vigiai.
(35) Adiantando-se alguns passos, prostrou-se com a face por terra e orava que, se fosse possível, passasse dele aquela hora.
(36) Aba! (Pai!), suplicava ele. Tudo te é possível, afasta de mim este cálice! Contudo, não se faça o que eu quero, senão o que tu queres.
(37) Em seguida, foi ter com seus discípulos e achou-os dormindo. Disse a Pedro: Simão, dormes? Não pudeste vigiar uma hora!
(38) Vigiai e orai, para que não entreis em tentação. Pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca.
(39) Afastou-se outra vez e orou, dizendo as mesmas palavras.
(40) Voltando, achou-os de novo dormindo, porque seus olhos estavam pesados, e não sabiam o que lhe responder.
(41) Voltando pela terceira vez, disse-lhes: Dormi e descansai. Basta! Veio a hora! O Filho do homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores.
(42) Levantai-vos e vamos! Aproxima-se o que me há de entregar.
(43) Ainda falava, quando chegou Judas Iscariotes, um dos Doze, e com ele um bando armado de espadas e cacetes, enviado pelos sumos sacerdotes, escribas e anciãos.
(44) Ora, o traidor tinha-lhes dado o seguinte sinal: Aquele a quem eu beijar é ele. Prendei-o e levai-o com cuidado.
(45) Assim que ele se aproximou de Jesus, disse: Rabi!, e o beijou.
(46) Lançaram-lhe as mãos e o prenderam.
(47) Um dos circunstantes tirou da espada, feriu o servo do sumo sacerdote e decepou-lhe a orelha.
(173) Homilia do Padre Paulo Ricardo :PLAYER AQUI
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Comentário Exegético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares

Domingo de Ramos e da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo

Sexto domingo da Quaresma.

Com a multidão Jesus entra na cidade sendo aclamado. Na solidão Jesus sai da cidade sendo caluniado. Crer em Jesus e glorificá-lo é estar prontos para segui-lo em sua solidão e padecer calúnias por amor ao seu nome.

“Por isso também Jesus sofreu do lado de fora da porta, para, com seu sangue, santificar o povo. Vamos, portanto, sair ao seu encontro, fora do acampamento, carregando a sua humilhação. Porque não temos aqui cidade permanente, mas estamos à procura da que está para vir. Por meio de Jesus, ofereçamos a Deus um perene sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que celebram o seu nome” (Hb 13,12-15).

O domingo de ramos é marcado por dois evangelhos bem distintos e de características contraditórias.
No primeiro, Jesus é aclamado ao entrar em Jerusalém. No segundo, o evangelho da paixão, Jesus está na solidão, pois os discípulos vão abandonando Jesus e Ele é amaldiçoado.

No Horto das Oliveiras Jesus está angustiado e pede a Pedro, Tiago e João, "minha alma está triste até a morte" ... "ficai aqui, vigiai e orai". Mas eles não são capazes... Jesus pergunta a Pedro: "estás dormindo?".
Enquanto os amigos de Jesus dormem, Judas está bem acordado. Ao ser preso por Judas, todos O abandonam e fugem.
O verbo que são Marcos usa aqui, "abandonar", foi usado por S. Marcos no início do evangelho, quando os discípulos "deixam" tudo para seguir a Jesus. Agora ocorre o contrário, todos "deixam" Jesus.
Pedro tem dificuldades de compreender porque Jesus tinha que passar por toda aquela angústia e por tanto sofrimento, assim como nós também temos.

Pedro nega Jesus três vezes. Chega a maldizer e a jurar que não conhecia Jesus! E nesse instante o galo cantou e Pedro caiu em si e começou a chorar.
A solidão de Jesus é tremenda até ao clímax do grito: "meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?"
Jesus é expulso da cidade santa, entre escárnios e zombarias. É o oposto do domingo anterior, de Ramos.

Como entender essa contradição?

Vejamos Hb 13,12-15. Jesus sofre do lado de fora da cidade, jogado fora. E diz que nós também devemos sair ao seu encontro, carregando a sua humilhação. Nós somos chamados a imitar Jesus, na calúnia, na solidão, para "fora da cidade" e na ruptura com o mundo.
Temos a ilusão que se amarmos a todos, o mundo nos aceitará com palmas de louvor. Ilusão. Jesus trouxe o amor ao mundo e foi crucificado por este. Com quem o seguir, acontecerá o mesmo.
Qual o problema do homem? Procurar o glória do mundo, transformando os dons de Deus em ídolos!
Não devemos esperar nada deste mundo. Os que clamam 'hosana' são aqueles que creem.
Jesus, silenciosamente, aceita as acusações feitas contra Ele pois sabia que não ia adiantar nada ficar se defendendo diante de Pilatos. E Pilatos ficou admirado diante do silêncio de Jesus, como ovelha muda indo ao matadouro.
Não se pagam maledicência e calúnias na mesma moeda.

Que a semana santa seja realmente uma semana SANTA. Esteja pronto para dar glórias a Deus, mas também para romper com o mundo e assim passar pelas águas da morte e chegar à terra prometida.

Padre Paulo Ricardo