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Permanecei em Mim(06-05-2012)

Primeira Leitura:
ATOS: Atos dos Apóstolos (At), capítulo 9
(26) Chegando a Jerusalém, tentava ajuntar-se aos discípulos, mas todos o temiam, não querendo crer que se tivesse tornado discípulo. (27) Então Barnabé, levando-o consigo, apresentou-o aos apóstolos e contou-lhes como Saulo vira o Senhor no caminho, e que lhe havia falado, e como em Damasco pregara, com desassombro, o nome de Jesus. (28) Daí por diante permaneceu com eles, saindo e entrando em Jerusalém, e pregando, destemidamente, o nome do Senhor. (29) Falava também e discutia com os helenistas. Mas estes procuravam matá-lo. (30) Os irmãos, informados disso, acompanharam-no até Cesaréia e dali o fizeram partir para Tarso. (31) A Igreja gozava então de paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria. Estabelecia-se ela caminhando no temor do Senhor, e a assistência do Espírito Santo a fazia crescer em número.
Segunda Leitura:
EPISTOLAS CATÓLICAS: Primeira Epístola de São João (1Jo), capítulo 3
(18) Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a língua, mas por atos e em verdade. (19) Nisto é que conheceremos se somos da verdade, e tranqüilizaremos a nossa consciência diante de Deus, (20) caso nossa consciência nos censure, pois Deus é maior do que nossa consciência e conhece todas as coisas. (21) Caríssimos, se a nossa consciência nada nos censura, temos confiança diante de Deus, (22) e tudo o que lhe pedirmos, receberemos dele porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que é agradável a seus olhos. (23) Eis o seu mandamento: que creiamos no nome do seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, como ele nos mandou. (24) Quem observa os seus mandamentos permanece em (Deus) e (Deus) nele. É nisto que reconhecemos que ele permanece em nós: pelo Espírito que nos deu.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São João (Jo), capítulo 15
(1) Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará,
(2) e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto.
(3) Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado.
(4) Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim.
(5) Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto, porque sem mim nada podeis fazer.
(6) Se alguém não permanecer em mim será lançado fora, como o ramo. Ele secará e hão de ajuntá-lo e lançá-lo ao fogo, e queimar-se-á.
(7) Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito.
(8) Nisto é glorificado meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos.
Homilia do Padre Paulo Ricardo :PLAYER AQUI
Homilia do Padre José Ruy:PLAYER AQUI
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Comentário Exegético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Canção Nova: Homilia

Permanecei em Mim

A parábola da videira, lida no contexto da última ceia e do mistério pascal, nos leva a um exame de consciência. No cenáculo, com Jesus, estão tanto Judas, o traidor, como o apóstolo João, reclinado no seu peito. Dentro da Igreja e dentro de nós encontram-se Judas e João, o ramo estéril e o ramo frutífero. A Palavra que Cristo nos deu é o instrumento que poda e purifica. A Eucaristia é o peito no qual nos reclinamos e recebemos a graça de produzir frutos.

Jo 15,1-8, a belíssima parábola da videira "eu sou a videira e meu pai o agricultor".
Primeiro, estamos num clima de despedida, Jesus está se despedindo de seus discípulos. Jesus dá instruções como os cristãos devem viver neste mundo depois que ele se retirar daqui. Isto ocorre no cenáculo.
S. João, diferente dos outros evangelhos, relata a eucaristia no cap. 6, no grande discurso do pão da vida, em que Jesus fala do verdadeiro pão da vida que é Ele, sendo necessário comer da sua carne e beber do seu sangue.
Ali temos toda a doutrina a respeito da Eucaristia muito mais desenvolvida do que nos outros evangelhos e por isso João não descreve a santa ceia, mas o lava-pés. Há aqui uma simbologia, em que Jesus dá o significado de sua morte na cruz: lavar os nossos pecados.
Nesse cenário Jesus anuncia a traição de Judas que, para Jesus, é uma grande perturbação.
A parábola da videira lida nesse contexto da última ceia nos faz pensar em Judas, pois há ramos que não permanecem em Jesus e secarão, serão lançados no fogo e queimados.

Precisamos ficar unidos a Cristo como os ramos da videira. Mas, existe a possibilidade gravíssima de nós, cristãos, justamente nós que estamos dentro do cenáculo, trairmos Cristo.
Um dos primeiros escândalos na Igreja nascente foi a traição de Jesus, pois o traidor pertencia ao grupo e era um apóstolo.

Jesus demonstra ficar perturbado com a traição de Cristo. Quando Judas sai do cenáculo é a vez dos discípulos ficarem perturbados. Ali é que se vê a grande necessidade da parábola da videira, uma instrução aos discípulos de como eles devem se comportar na ausência de Jesus.

Como se dará essa presença de Jesus ausente? Como nós podemos, depois de tanto tempo, "permanecer em Jesus"?
No cap. 14 fala do paráclito, o ES que será enviado e todo o discurso de Jesus está voltado para essa recíproca permanência. Há uma visão trinitária na parábola da videira.

Permanecer em Cristo e dar frutos significa amar e um ramo não pode viver se não estiver ligado a Cristo. Assim devemos compreender nossa existência. Nossa vida perderá sua essência sem a videira.

Jesus vê claramente que na Igreja há Judas. São ramos presos à videira mas não dão frutos. Para o bem da própria videira é necessário cortar esses ramos.
Na parábola o Pai corta os ramos infrutíferos e depois dessa poda, os ramos que permanecem dão mais frutos ainda!

Para fazer a vontade de Deus, os grandes advogados do povo de Israel diante de Deus, como Moisés, os profetas, Abraão, os anjos, todos têm a característica de nos defender diante do tribunal de Deus e de inquietar nosso coração para que aceitemos a palavra de Deus.

O permanecer em Cristo é ativo. Temos que fazer um exame de consciência para analisarmos a qualidade de nossa comunhão na Igreja.
"Permanecei em mim e eu permanecerei em vós"
Nossa dependência de Jesus é total como o é a dependência dos ramos com relação ao tronco.

Estamos no ambiente da última ceia, em que Jesus nos dá a Eucaristia. Em vez de relatar o mistério da Eucaristia, S. João nos apresenta essa parábola da videira.
Receber a Eucaristia é estar em Jesus, permanecer nEle, como o discípulo amado, S. João, que se reclina sobre o peito de Jesus e pergunta pelo traidor.
Nunca compreenderemos o significado da Eucaristia se não soubermos reclinar-nos no peito de Jesus, como S. João.

Deixemos que a palavra de Deus pode nossas arestas e limpe nossos corações, para sermos discípulos amados.

Padre Paulo Ricardo