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O Pecado contra o Espírito Santo (10-06-2012)

Primeira Leitura:
PENTATEUCO: Livro do Gênesis (Gn), capítulo 3
(9) Mas o Senhor Deus chamou o homem, e disse-lhe: “Onde estás?” (10) E ele respondeu: “Ouvi o barulho dos vossos passos no jardim, tive medo, porque estou nu, e ocultei-me.” (11) O Senhor Deus disse: “Quem te revelou que estavas nu? Terias tu porventura comido do fruto da árvore que eu te havia proibido de comer?” (12) O homem respondeu: “A mulher que pusestes ao meu lado apresentou-me deste fruto, e eu comi.” (13) O Senhor Deus disse à mulher: Porque fizeste isso?” “A serpente enganou-me,– respondeu ela – e eu comi.” (14) Então o Senhor Deus disse à serpente: “Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais e feras dos campos, andarás de rastos sobre o teu ventre e comerás o pó todos os dias de tua vida. (15) Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar.”
Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Segunda Epístola aos Coríntios (2Cor), capítulo 4
(13) Animados deste espírito de fé, conforme está escrito: Eu cri, por isto falei (Sl 115,1), também nós cremos, e por isso falamos. (14) Pois sabemos que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus, nos ressuscitará também a nós com Jesus e nos fará comparecer diante dele convosco. (15) E tudo isso se faz por vossa causa, para que a graça se torne copiosa entre muitos e redunde o sentimento de gratidão, para glória de Deus. (16) É por isso que não desfalecemos. Ainda que exteriormente se desconjunte nosso homem exterior, nosso interior renova-se de dia para dia. (17) A nossa presente tribulação, momentânea e ligeira, nos proporciona um peso eterno de glória incomensurável. Porque não miramos as coisas que se vêem, mas sim as que não se vêem . Pois as coisas que se vêem são temporais e as que não se vêem são eternas.
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Segunda Epístola aos Coríntios (2Cor), capítulo 5
(1) Sabemos, com efeito, que ao se desfazer a tenda que habitamos neste mundo, recebemos uma casa preparada por Deus e não por mãos humanas, uma habitação eterna no céu.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Marcos (Mc), capítulo 3
(20) Dirigiram-se em seguida a uma casa. Aí afluiu de novo tanta gente, que nem podiam tomar alimento.
(21) Quando os seus o souberam, saíram para o reter, pois diziam: 'Ele está fora de si.'
(22) Também os escribas, que haviam descido de Jerusalém, diziam: 'Ele está possuído de Beelzebul: é pelo príncipe dos demônios que ele expele os demônios.'
(23) Mas, havendo-os convocado, dizia-lhes em parábolas: 'Como pode Satanás expulsar a Satanás?
(24) Pois, se um reino estiver dividido contra si mesmo, não pode durar.
(25) E se uma casa está dividida contra si mesma, tal casa não pode permanecer.
(26) E se Satanás se levanta contra si mesmo, está dividido e não poderá continuar, mas desaparecerá.
(27) Ninguém pode entrar na casa do homem forte e roubar-lhe os bens, se antes não o prender, e então saqueará sua casa.
(28) Em verdade vos digo: todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, mesmo as suas blasfêmias,
(29) mas todo o que tiver blasfemado contra o Espírito Santo jamais terá perdão, mas será culpado de um pecado eterno.
(30) Jesus falava assim porque tinham dito: 'Ele tem um espírito imundo.'
(31) Chegaram sua mãe e seus irmãos e, estando do lado de fora, mandaram chamá-lo.
(32) Ora, a multidão estava sentada ao redor dele, e disseram-lhe: 'Tua mãe e teus irmãos estão aí fora e te procuram.'
(33) Ele respondeu-lhes: 'Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?'
(34) E, correndo o olhar sobre a multidão, que estava sentada ao redor dele, disse: 'Eis aqui minha mãe e meus irmãos.
(35) Aquele que faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.'
Homilia do Padre Paulo Ricardo :PLAYER AQUI
Homilia do Padre José Ruy:PLAYER AQUI
Presbíteros:
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

Catequese Bíblico-Missionária

Um pecado sem perdão?
A afirmação da eternidade de Deus leva-nos à concepção fundamental da onipresença divina, isto é, entendemos que Deus está presente em todas as coisas desde o princípio de tudo. Por essa razão, a fé torna-se uma atitude de aproximação do ser humano em relação a Deus.

Onde está Deus?
Na concepção judaico-cristã, Deus não é indiferente à história humana. O livro do Gênesis ilustra essa realidade através da imagem da busca de Deus pelo homem. Deus, aqui, assume os traços humanos, como se fosse uma pessoa a procurar um parente próximo que está perdido. A surpresa se dá, quando o homem dá a resposta. Envergonhar-se indica "medo" de assumir sua condição de fragilidade diante de Deus. Mesmo sabendo da presença de Deus, por covardia, o homem prefere "esconder-se" por trás de uma razão que culpa seus semelhantes ou as coisas por seu fracasso, como se isso eliminasse a existência de Deus.
De forma mais contundente, essa realidade aparece no Evangelho. Entre aceitar a liberdade divina manifestada em Jesus e a racionalidade de suas estruturas sócio-religiosas, as autoridades judaicas preferem ficar com estas últimas. Para desacreditar Jesus, afirmam que ele seja um endemoninhado, por isso suas obras e palavras não passam de loucuras.
Diferente da razão materialista das autoridades judaicas, Jesus ao assumir a lógica da unidade das forças de vida que estão em Deus, desmonta o artifício racional de seus oponentes, afirmando a íntima relação entre fé e razão. Ou seja, a razão humana quando se empenha numa busca honesta do sentido das coisas, necessariamente leva à fé, porque pode levar o ser humano a Deus, princípio de todas as coisas. Não se pode negar a realidade daquilo que foi criado e é anterior ao ser humano.

O Pecado contra o Espírito
Muitos cristãos ficam intrigados com a questão do pecado contra o Espírito Santo, porque veem as coisas na ótica da condenação. Os textos da Liturgia de hoje ajudam-nos a compreender que a razão humana é capaz de nos levar a Deus. No entanto, quando diante de sua limitação, o ser humano absolutíza sua razão, negando qualquer abertura à transcendência, como no Gênesis, pensa que em seus artifícios racionais elimina a presença de Deus. Assim, o pecado sem perdão não parte de um juízo radical de Deus, condenando o ser humano, mas da recusa do ser humano à presença de Deus, que dá sentido as suas buscas. Quem nega a misericórdia divina recusa o Espírito Santo e jamais poderá experimentar a alegria do perdão.

Pe. Marcelo Araújo, C.Ss.R.


Segundo Santo Tomás de Aquino o pecado contra a bondade de Deus chama-se pecado contra o Espírito Santo porque das três pessoas divinas é o Espírito Santo a quem costumamos chamar de Amor. Enquanto Deus Pai é o todo-poderoso (pecado por fraqueza) e o Filho é a Palavra-Sabedoria (pecado por ignorância).

Sendo assim, o pecado contra o Espírito Santo seria como uma doença incurável, já que fecha as portas da alma para o próprio remédio que poderia lhe dar a salvação: a misericórdia de Deus.

Padre Paulo Ricardo