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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 501 – março 2004

 

Convertidos ao Catolicismo:

 

"TODOS OS CAMINHOS VÃO DAR A ROMA"

por Scott e Kimberly Hahn

 

Em síntese: O livro vem a ser a autobiografia de um casal presbiteriano que se converteu ao Catolicismo mediante atento estudo das Escrituras e da Tradição. Verificaram que muitos preconceitos os mantinham afastados da Igreja Católica; averiguaram outrossim que as duas pilastras do protestantismo - Somente a fé e Somente a Escritura - carecem de fundamento na própria Bíblia. - O marido se converteu em primeiro lugar, ficando a esposa desolada; a seguir, ela, devidamente convicta, também abraçou a fé católica.

 

Nos últimos decênios têm-se registrado numerosas conversões do protestantismo para o Catolicismo, geralmente devidas à graça de Deus e ao estudo das Escrituras Sagradas. A nossa revista tem publicado o relato de algumas dessas conversões, às quais se acrescenta nesta edição a autobiografia do casal Scott e Kimberly Hahn; também recém-convertidos, referem sua história na obra "Todos os caminhos vão dar a Roma" (1), cujos principais traços vão expostos a seguir.

 

1. As etapas de uma conversão

 

Como foram as principais etapas da conversão de Scott.

 

1.1. Preconceitos

 

Como geralmente acontece entre os protestantes, são marcados por profundos preconceitos contra a Igreja Católica. Assim era Scott:

 

"No Seminário encontrei um colega chamado Gerry Matatics. Entre os alunos presbiterianos, nós dois éramos os únicos suficientemente inflexíveis no nosso anticatolicismo para defender que a Confissão de Westminster devia conservar uma tese que a maioria dos reformados estava disposta a abandonar: o Papa era o Anticristo. Embora os protestantes - Lutero, Calvino, Zwingll, Knox e outros - tivessem muitas diferenças entre si, todos eram unânimes na convicção de que o Papa era o Anticristo e que a Igreja de Roma era a rameira da Babilônia" (p. 41).

 

Scott e sua esposa se colocaram no rol daqueles que odiavam uma falsa imagem da Igreja Católica e não a verdadeira imagem (que eles ignoravam):

 

1 Ed. DIEL, Lisboa 2002, 140 x 210 mm, 206 pp.

 

"O falecido arcebispo Fulton Sheen escreveu um dia: 'Talvez não haja nos Estados Unidos uma centena de pessoas que odeiem a Igreja Católica;mas há milhões de pessoas que odeiam o que erroneamente supõem que é a Igreja Católica'" (p. 13).

 

1.2. Somente a fé

 

Scott Hahn era ministro presbiteriano casado com Kimberly, também ela presbiteriana. Em virtude das suas funções de pregador, Scott teve que estudar com afinco os grandes princípios do Credo protestante, a começar pela primeira pilastra: "Somente pela fé" somos salvos.

 

"...se era correto ou não afirmar que nos salvamos exclusivamente pela fé.

 

Pouco a pouco chegamos a ter o convencimento de que Martinho Lutero deixou que as suas convicções teológicas pessoais contradissessem a própria Bíblia, à qual supostamente tinha decidido obedecer em vez de obedecer à Igreja Católica. Tinha declarado que a pessoa não se justifica pela fé atuando no amor, mas que se justifica apenas pela fé. Chegou mesmo a acrescentar a palavra 'somente' depois da palavra 'justificado' na sua tradução alemã de Romanos 3, 28, e chamou à Epístola de Santiago 'epístola falsificada' porque Santiago diz explicitamente: 'Vedes que pelas obras se justifica o homem e não apenas pela fé'.

 

Uma vez mais, e por muito estranho que nos parecesse, a Igreja Católica tinha razão num ponto fundamental da doutrina: ser justificado significa ser feito filho de Deus e ser chamado a viver a vida como filho de Deus mediante a fé com obras no amor. Efésios 2, 8 esclarecia que a fé - que temos que ter - é um dom de Deus, não por causa das nossas obras, pelo que ninguém se pode vangloriar, e que a fé nos torna capazes de realizar as boas obras que Deus quer que realizemos. A fé é ao mesmo tempo um dom de Deus e a nossa resposta obediente à misericórdia de Deus" (p. 58).

 

A rigor, deve-se distinguir entre "ser justificado" e "ser salvo".

 

"Ser justificado" é tornar-se justo, amigo de Deus, passando do estado de pecado para o estado de graça. - É o que São Paulo tem em vista nas suas cartas.

 

"Ser salvo" é perseverar na graça recebida até o fim da vida terrestre. Esta perseverança não é possível se o fiel cristão não manifesta a sua fé através de boas obras. - É o que São Tiago tem em vista na sua carta.

 

1.3. Somente a Escritura

 

A outra importante pilastra do Credo protestante é o princípio "Somente a Escritura"; é regra de vida. Também esta foi desmoronando, como narra o próprio Scott:

 

"Professor Hahn ensinou que a doutrina da sola fides não é bíblica, e que esse grito de guerra da Reforma não tem qualquer fundamento quando se confronta com a Carta de Paulo. Como bem sabe, o outro grito de guerra da Reforma foi a sola Scriptura: que a Bíblia é a nossa única autoridade, em lugar do Papa, os Concílios ou a Tradição. Professor, onde é que a Bíblia ensina que 'a Escritura é a nossa única autoridade'?

 

Fiquei a contemplá-lo e comecei a sentir um suor frio.

Disse-lhe:

 

- Vejamos primeiro Mateus 5, 17 ([1]) e depois 2 Timóteo 3, 16-17: 'Toda a Escritura inspirada por Deus é útil para ensinar, para rebater, para corrigir e para formar na justiça, de modo que o homem de Deus seja perfeito, e preparado para toda obra boa'. E depois podemos ver também o que diz Jesus acerca da tradição em Mateus 15 ([2]).

 

A sua resposta foi cortante:

-   Mas, professor, Jesus não estava a condenar toda a tradição em Mateus 15, mas só a tradição corrupta. Quando 2 Timóteo 3, 16 menciona 'toda a Escritura' não diz 'só a Escritura' é útil. Também a oração, a evangelização e muitas outras coisas são essenciais. E o que dizer de 2 Tessalonicenses 2, 15?

-   Ah, sim... Tessalonicenses... - balbuciei débilmente - o que é que se diz aí?

-   Paulo diz aos Tessalonicenses: Portanto, irmãos, mantende-vos firmes e guardai as tradições que haveis aprendido de nós, de palavra ou por carta'.

 

Saí pela tangente:

- Ouve, John, estamos a afastar-nos do tema. Avancemos um pouco mais e já voltaremos a falar sobre isto na próxima semana.

Posso assegurar que ele não ficou satisfeito. Nem eu.

 

Quando voltei a casa naquela noite, contemplei as estrelas e murmurei: 'Senhor, o que é que está a acontecer? Onde é que a Escritura ensina a doutrina da sola Scriptura?'

 

Foram duas as colunas sobre as quais os protestantes basearam a sua revolta contra Roma. Uma já tinha caído, e a outra estava a cambalear. Senti medo.

 

Estudei toda a semana. Não cheguei a nenhuma conclusão. Telefonei então a vários amigos. Sem êxito. Finalmente, telefonei a dois dos melhores teólogos da América, e também a alguns dos meus ex-professores.

 

Todos aqueles que consultava se surpreendiam de que lhes fizesse essa pergunta. E sentiam-se ainda mais perturbados ao verem que não ficava satisfeito com as respostas que me davam.

 

A um professor disse-lhe:

 

- Talvez esteja a sofrer de amnésia, mas esqueci-me das simples razões pelas quais os protestantes cremos que a Bíblia é a nossa única autoridade" (pp. 70s).

 

"Dr. Gerstner, creio que a questão principal é o que a Bíblia ensina sobre a Palavra de Deus, já que em nenhum lugar reduz a Palavra de Deus apenas à Escritura. Pelo contrário, a Bíblia diz-nos em muitos lugares que a autorizada Palavra de Deus deve buscar-se na Igreja: na sua Tradição (2 Tes 2, 15; 3, 6), assim como na sua pregação e ensino (1Pe 1, 25; 2Pe 1, 20-21; Mt 18, 17). Por isso penso que a Bíblia apoia o princípio católico de solum verbum Dei, 'só a Palavra de Deus', em vez do princípio protestante sola Scriptura, 'só a Bíblia'" (p. 95).

 

1.4. O Governo da Igreja

 

Completando sua afirmação de que as Escrituras não bastam, Scott apresenta a seguinte imagem:

 

"Desde a época da Reforma, foram surgindo mais de vinte e cinco mil diferentes confissões protestantes, e os especialistas dizem que na atualidade surgem cinco novas por semana. Cada uma delas afirma seguir o Espírito Santo e o sentido autêntico da Escritura. Deus sabe que devemos precisar de algo mais.

 

O que eu quero dizer, Dr. Gerstner, é que quando os fundadores da nossa Nação nos deram a Constituição, não se contentaram só com isso. Imagine o que teríamos hoje se a única coisa que nos tivessem dado fosse um documento, por muito bom que fosse, junto com a recomendação 'Que o espírito de George Washington guie cada cidadão'? Teríamos a anarquia, que é precisamente o que temos entre os protestantes no que se refere à unidade da Igreja. Em vez disso, os nossos pais fundadores deram-nos algo mais do que a Constituição; deram-nos um Governo - formado por um Presidente, um Congresso e um Senado - todos eles necessários para aplicar e interpretar a Constituição. E, se isso é necessário para governar um país como o nosso, o que é que será necessário para governar uma Igreja que abarca o mundo inteiro?

 

É por isso, Dr. Gerstner, que começo a acreditar que Cristo não nos deixou apenas com um livro e o Seu Espírito. Aliás, o Evangelho não diz uma única palavra aos apóstolos acerca de escreverem; além disso, só menos de metade deles escreveram livros que foram incluídos no Novo Testamento. O que Cristo disse realmente a Pedro, foi: 'Sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja... e as portas do inferno não prevalecerão contra ela'. Por isso parece-me mais lógico que Jesus nos tenha deixado juntamente com a Sua Igreja - composta por um Papa, Bispos e Concílios -tudo o que é necessário para administrar e interpretar a Escritura" (pp. 94s).

 

1.5. A Eucaristia

 

Scott se refere às aulas que dava sobre João 6, 22-66:

 

"Comecei imediatamente a pôr em causa o que os meus professores me tinham ensinado - e o que eu próprio andava a pregar à minha congregação - acerca da Eucaristia como um mero símbolo, um símbolo profundo, certamente, mas apenas um símbolo.

 

Depois de muita oração e de muito estudo, acabei por reconhecer que Jesus não podia estar a falar simbolicamente quando nos convidou a comera Sua carne e a beber o Seu sangue. Os judeus que O ouviam não teriam ficado ofendidos nem escandalizados com um mero símbolo. Aliás, se tivessem interpretado mal Jesus, tomando as Suas palavras à letra - quando Ele queria que as palavras fossem tomadas em sentido figurado - teria sido fácil ao Senhor esclarecer esse ponto. Na verdade, já que muitos dos discípulos deixaram de O seguir por causa deste ensinamento (vers. 60), teria estado moralmente obrigado a explicar que falava apenas em termos simbólicos.

Mas nunca o fez" (p. 68).

 

2. Conclusão

 

Em consequência das convicções adquiridas pelo estudo sincero e sistemático, Scott houve por bem abraçar o Catolicismo, mesmo à revelia de sua esposa, a qual só mais tarde se converteu.

 

É muito interessante observar a caminhada dos convertidos até a fé católica: a graça os impele a superar hesitações, obstáculos, comentários.

 

Os pontos abordados por Scott interessam a todo cristão desejoso de encontrar a Verdade religiosa. A experiência de Scott vem a ser escola para outros. Os argumentos são claros. O protestante que afirma serem 66 os livros da Bíblia, não o pode provar pela Bíblia; recorre à tradição dos judeus de Jâmnia, embora diga que segue somente a Bíblia.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)



[1] Mt 5, 17: "Não penseis que vim revogar a Lei e os Profetas. Não vim revogá-los, mas dar-lhes pleno cumprimento".

[2] Mt 15, 3: Disse Jesus: "Porque violais o mandamento de Deus por causa da vossa tradição?".


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