Livros: Teologia - Confissões - por Santo Agostinho

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Confissões
Sto Agostinho

Catorze longos meses resistiria Hipona ao assédio dos vândalos. A cidade estava repleta de refugiados, a quem era preciso alimentar e vestir. Ao inimigo externo juntavam-se a carestia, a fome e as epidemias. Agostinho só podia oferecer a toda essa gente as suas preces. “Vós dizeis – Desgraçados de nós, o mundo morrerá. Mas ouvi a palavra: Céu e Terra passarão, mas a palavra de Deus não passará”.

Muitos começaram a julgá-lo capaz de milagres. Certo dia trouxeram-lhe uma pessoa doente, para que ele a curasse com sua benção. Agostinho respondeu: “Meu filho, se tivesse tais poderes, começaria por curar a mim mesmo”. Sua doença durou poucos dias. Quando percebeu que a morte se avizinhava, pediu que o deixassem só, para que pudesse rezar. Nas paredes do quarto mandara afixar pergaminhos nos quais fizera escrever os salmos penitenciais de Davi. Agostinho morreu na noite de 28 para 29 de agosto de 430. “Não fez testamento”, escreveu Possídio, “porque, pobre para servir a Deus, não tinha bens a deixar... Mas deixou à Igreja um clero numeroso e mosteiros cheios de homens e mulheres sob voto de continência e obedientes a seus superiores”.

De livro na mão e coração em chamas – assim os pintores medievais viram o bispo de Hipona. O livro simboliza a ciência; o coração inflamado, o amor. Sabedoria e amor foram os seus dons inseparáveis, que muito contribuíram para que o Papa João II declarasse, em 534, que “a Igreja de Roma segue e conserva as doutrinas de Agostinho”.

Ao construir sua filosofia como uma arma de defesa da fé, Agostinho forjou uma visão do mundo que influenciaria, por muitos séculos, todos os líderes espirituais do ocidente. A Cidade de Deus, síntese de filosofia, teologia, estudo das relações entre o Estado e a liberdade de consciência, marcou profundamente o pensamento político da Idade Média. Carlos Magno, considerava-o o seu livro preferido.

Agostinho foi o autor mais citado no último Concilio do Vaticano, destinado a abrir novos rumos para o cristianismo dos tempos atuais. O fato talvez tivesse surpreendido aquele que, nos Solilóquios escritos ao pé da água que corria pelas termas de Cassiciaco, declarava que sua única finalidade era conhecer Deus e sua própria alma.

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