Pregações: Parresía - Você ama a Deus sobre TODAS as coisas? - por Padre Paulo Ricardo

A Segunda Decolagem ou Conversão

Trata-se da graça santificante. Como passar da graça atual para a graça santificante, uma vida santa?

Comparação: o avião supersônico Concorde. Ele tinha duas decolagens, a normal (sair do chão) e, ao chegar em determinada altura, ao passar para a velocidade supersônica.

Nós também precisamos de uma segunda decolagem, uma espécie de segunda conversão.
A primeira conversão é 'encontrar Jesus', quando deixamos de lado os grandes pecados, os mais rudes.
Na graça divina é Deus que se doa e não coisas que Deus faz para nós, ela é única.
Mas do lado do ser humano há reações diferentes.
Todo ser humano tem a graça suficiente para sair da situação do pecado. Quando a pessoa dá o sinal verde e deixa a graça de Deus começar a agir na sua vida, a graça torna-se eficaz como ensina a teologia escolástica. Essa é a primeira conversão.
Com ela, conseguimos obedecer a quase todos os mandamentos divinos, mas nem todos... os pequenos pecadinhos continuam presentes e persistentes.
E o que impede que saiamos dessa situação? Não desejar a segunda conversão, quando dizemos 'eu amo a Deus sobre todas as coisas'. É preciso exorcisar para longe da vida o medo de ser chamado radical, fanático e topar as consequências, todas, por amor a Deus.
Em qualquer estado de vida somos chamados a amar a Deus sobre TODAS as coisas.
E quem alcançou essa segunda conversão? Os santos.
Mas, se não crermos que ela existe, nunca chegaremos a ela. Essa é a mentalidade protestante que só conhece a primeira conversão, que produz uma vida mais ou menos cristã.
O protestante não acredita na santidade. Ele se recusa a chamar o apóstolo Paulo de São Paulo. Eles não acreditam na segunda conversão, acham que o pecado não pode ser superado e não crê na santidade, a segunda conversão.
Mas a verdade é que nosso coração não encontra paz enquanto não atinge a santidade. Ter saudade de chiqueiro não funciona.
Sem o desejo da segunda conversão colocamos em risco a primeira e nossa salvação. O avião pode perder altura progressivamente e cair.

Essa segunda conversão é a que chamamdos de virtude infusa, virtude teologal da caridade. Se alcançarmos a caridade, que é o terceiro andar (fé,esperança,caridade) é porque já construímos os outros andares.
Esse dom de Deus é pura gratuidade divina. Mas isso não significa que devamos ficar de braços cruzados. É preciso colocar o esforço humano em ação, como mendigos, pedir a Deus insistentemente o dom de amar a Deus sobre todas as coisas. É preciso QUERER.
Então esse dom nos será dado, por graça divina, assim como os santos alcançaram.

É preciso primeiro acreditar que a segunda conversão, a santidade, existe e é possível. Depois, é preciso QUERER.
Os santos chegaram a uma perfeição de quase 100%. Cem por cento, só Maria Santíssima.

Um diretor espiritual de São Pio afirmou: "jamais vi nele o menor sinal de pecado venial na área da sexualidade".
Um ser humano para receber tamanha graça só pode ser fruto de um dom gratuito de Deus, que o fazia amar a Deus sobre todas as coisas.

Se os santos viveram isso, por que não eu? (diza Santo Agostinho).
Nós precisamos QUERER a santidade.

Geralmente nosso sonho de santidade é a mediocridade encarnada. Estamos no comodismo burguês. Precisamos nos incomodar com essa situação e desejar mais!
Você ama a Deus sobre TODAS as coisas??
Eu olho para os santos e gostaria de ser como eles, mas não sou. Essa é mais pura e vergonhosa verdade. Mas eu gosgtaria de amar a Deus sobre todas as coisas. Eu preciso da segunda decolagem. A decolagem que os mártires viveram.
Como negar que os mártires estiveram em um nível superior, mais próximos de Deus?

Cristo, Deus encarnado, está vivo nos seus santos. Os santos podem dizer como S. Paulo, "não sou eu, mas é Cristo que vive em mim". Aqui está a segunda conversão, essa santificação que todos nós precisamos crer, QUERER e suplicar.
Saiamos da graça conveniente para a graça total que nos eleva acima do que podemos ser como animais.

Humanamente falando o padre Pio viveu um inferno. Mas por dentro havia uma unção, no meio dos tormentos, ele já vivia aqui neste mundo a bem-aventurança, uma participação antecipada do paraíso.
Bem-aventurados os pobres de espírito (os vazios de si) porque deles é o reino dos céus, Cristo vive neles já aqui, já agora.

Digamos não à Santidade burguesa e desejemos mais!

Fonte: site Christo Nihil Praeponere

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