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Artigo

Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação: aproximações e impossibilidades

 

Ivanaldo Santos ([1])

Fonte:

SANTOS, Ivanaldo. Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação: aproximações e impossibilidades. In: Coletânea, Rio de Janeiro, ano X, Fasc. 20, jul./dez. 2011, p. 249-266. ISSN: 1677-7883.

 

Resumo:

O objetivo desse artigo é realizar uma comparação entre Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação (TL). Essa comparação não é puramente crítica, ou seja, uma pura e seca denúncia dos erros epistemológicos e pastorais da TL. Será apresentado tanto os pontos convergentes, como também os pontos divergentes entre Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação. Por fim, afirma-se que Tomás de Aquino é um pensador extremamente atual. Sua obra contém uma profunda reflexão sobre os diversos problemas e opressões vividas pelo homem. Se a Igreja e a sociedade contemporânea desejam promover a libertação da opressão, da forma como é indicada pela Teologia da Libertação, é preciso conhecer e refletir sobre a obra do Aquinate.

Palavras-chave: Tomás de Aquino, Teologia da Libertação, aproximação e divergência.

 

1.                  Introdução

 

Oficialmente a Teologia da Libertação (TL) surgiu em novembro de 1969 com a conferência proferida pelo teólogo peruano, Gustavo Gutiérrez, intitulada Notas para uma teologia da libertação. A partir desse momento a TL, uma escola teológica de inspiração marxista ([2]), a qual vê o marxismo como uma corrente de pensamento “poderosa e sedutora” ([3]), passa a realizar uma importante análise e até mesmo uma crítica à pobreza e à exclusão social. Essa análise é sintetizada na expressão: opção preferencial pelos pobres, a qual é repetida ad nauseam pela militância da TL na América Latina e em outras regiões do Terceiro Mundo. Por causa da opção pelos pobres, teólogos e filósofos ligados diretamente a TL realizaram diversas reflexões ([4]) sobre a pobreza e a exclusão social.

 

Aparentemente a proposta da Teologia da Libertação é muito nobre, ou seja, libertar o homem da pobreza e da exclusão social. É lícito libertar o homem dessas formas de opressão. Por causa disso a Igreja e a sociedade devem fazer todos os esforços para emancipar o homem da pobreza. Todavia, uma análise mais detalhada sobre as ideias e a prática pastoral da TL coloca em xeque essa proposta. De um lado, há dentro da TL um claro espírito de revolta contra a doutrina e o magistério da Igreja. A TL deseja refundar a Igreja e até mesmo anunciar um novo evangelho. Seria o evangelho de inspiração marxista. É bom recordar que o Apóstolo Paulo condena duramente o anúncio de outro evangelho, diferente dos quatro evangelhos contidos na Bíblia ([5]). Do outro lado, a prática pastoral da TL não recomenda uma postura sincera de libertação. Ao longo de sua história a Teologia da Libertação demonstrou publicamente amplo apoio a regimes políticos autoritários, totalitários e anticristãos, como, por exemplo, Cuba, Coréia do Norte e mais recentemente a Venezuela. É por causa desses problemas, entre outros, que a Congregação para a Doutrina da Fé publicou, em 1984, a Instrução sobre alguns aspectos da “Teologia da Libertação” ([6]). Um documento que, simultaneamente, realiza uma severa crítica à TL e alerta os fiéis cristãos para o perigo representado por essa corrente teológica.

 

Estamos diante de um sério impasse: a TL afirma promover a libertação, mas seus ensinamentos e sua prática pastoral não são condizentes com a libertação, a qual é anunciada. Como resolver esse impasse? Uma das formas de revolver o impasse é recorrendo à própria voz da Igreja, pois sendo ela mãe e mestra em educação poderá guiar, de forma serena, os fiéis a compreenderem o real significado da TL. Todavia, a própria Igreja, por meio da Instrução sobre alguns aspectos da “Teologia da Libertação” deixa claro que a Teologia da Libertação é uma “negação da fé da Igreja” ([7]).

 

A Igreja não estaria sendo um tanto quanto dura ao afirmar que a TL é uma negação da fé? Será que se compararmos os ensinamentos da Teologia da Libertação com um eminente pensador cristão não chegaríamos à outra conclusão? Para tentar responder essa pergunta foi escolhido Tomás de Aquino. Por causa disso neste artigo será realizada uma pequena e introdutória comparação entre Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação.

 

O motivo de Tomás de Aquino ter sido escolhido para a realização dessa comparação é o fato dele ser um dos grandes filósofos que a humanidade teve o privilégio de possuir. Além disso, a Igreja recomenda e leitura e reflexão aprofundadas da obra do Aquinate. Em diversos documentos oficiais a Igreja recomenda a leitura, o estudo e a reflexão sobre a obra do Angélico. A título de exemplo serão citados apenas três importantes documentos emitidos pela Igreja, nos quais ela realiza essa recomendação.

 

O primeiro documento é o Código de Direito Canônico. Neste documento é decretado que os estudantes de teologia e os candidatos ao sacerdócio devem “aprender a penetrar mais profundamente os mistérios da salvação, de modo especial sob a guia de São Tomás como mestre” ([8]). O segundo documento é a instrução Sobre a Formação Sacerdotal, o qual é incisivo ao recomendar que os candidatos ao sacerdócio católico, nos estudos em filosofia e teologia, devem “aprender a penetrá-los mais profundamente pela especulação, tendo por guia Santo Tomás” ([9]). O terceiro e último documento é Sobre a Educação Cristã, o qual determina que as instituições de ensino católicas (seminários, escolas, universidades, faculdades, etc.) devem indicar aos seus alunos e ao grande público que a “fé e a razão conspiram para a verdade única, segundo as pisadas dos doutores da Igreja, mormente de São Tomás de Aquino” ([10]).

 

Como se pode perceber pelo testemunho dos três documentos que foram citados, Tomás de Aquino é apresentado pela Igreja como sendo o modelo de reflexão e de argumentação filosófica.

 

Sendo assim, afirma-se que o objetivo do artigo é realizar uma comparação entre Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação. Entretanto, essa comparação não é puramente crítica, ou seja, uma pura e seca denúncia dos erros epistemológicos e pastorais da TL.  Pretende-se apresentar tanto os pontos convergentes, as aproximações, como também os pontos divergentes, as impossibilidades, entre Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação. Por último serão tecidas algumas considerações finais sobre o objeto em estudo.

 

2.                  Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação: aproximações

 

Sempre é possível encontrar pontos comuns entre pensadores de correntes e épocas diferentes. É por esse motivo que o intuito da atual discussão não é realizar um estudo exaustivo sobre os pontos comuns que existem entre Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação. A discussão será limitada a dois estudos realizados, respectivamente, por Hélder Câmera e Clodovis Boff.

 

Em dezembro de 1975 Hélder Câmera, que naquele momento histórico era arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife, Brasil, proferiu, na Universidade de Chicago, EUA, uma conferência, cujo título é: O que faria Santo Tomás de Aquino diante de Karl Marx ([11]). Essa conferência fez parte das comemorações realizadas pela citada universidade por ocasião do 7o Centenário da Morte de Tomás de Aquino.

 

Inicialmente é preciso observar que a conferência de Hélder Câmera merece uma análise bem mais detalhada. Análise que as pretensões desse simples artigo não comportam.

 

Realizada essa observação, afirmar-se que em grande parte da conferência Hélder Câmera limitou-se a demonstrar a profundidade e a atualidade do pensamento do Aquinate. Além disso, ele procurou demonstrar como no final da década de 1960 e principalmente na década de 1970 a Igreja na América Latina procurou novos e até mesmo inusitados caminhos teológicos e filosóficos. Dentro desses novos caminhos ganhou destaque a Teologia da Libertação e a sua respectiva interpretação marxista do evangelho e da realidade.

 

Na citada conferência Hélder Câmera não disfarçou a simpatia que ele e a TL nutriam – e ainda nutrem – pelo marxismo e, por conseguinte, por Karl Marx. Hélder Câmera apresenta Marx como sendo o grande e inovador filósofo da contemporaneidade. Ele seria o teórico que iluminaria a mente dos intelectuais e da massa operária para, juntos, promoverem a libertação humana da opressão social. Hélder Câmera praticamente apresenta Karl Marx como sendo o sucessor de Jesus Cristo.

 

Do ponto de vista didático a conferência de Hélder Câmera apresenta quatro pontos de aproximações entre Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação.

 

O primeiro ponto é a centralidade do filósofo em um momento histórico específico, ou seja, o século XIII. Neste século Tomás de Aquino foi o grande filósofo do Ocidente. Sua reflexão foi revolucionária para a época. Ela trouxe grandes e novas contribuições à Igreja e à sociedade. Já Karl Marx, no século XIX, realizou um trabalho semelhante ao de Tomás de Aquino no século XIII, no sentido de apresentar contribuições úteis à Igreja e à sociedade.

 

O segundo ponto é a questão da conversão do filósofo. Um tema que sempre aparece na história da Igreja é a conversão de filósofos ou então da obra de um filósofo ao cristianismo. Por exemplo, alguns pensadores e místicos ligados a Patrística desejavam converter Platão. Essa conversão aconteceria muitos séculos após a morte desse pensador. O caso mais conhecido desse tipo de conversão é o de Aristóteles. Em muitos manuais de filosofia e de teologia Tomás de Aquino aparece como sendo o filósofo cristão que converteu a obra do Estagirita para a fé da Igreja.

 

Hélder Câmera faz uso do princípio da conversão do filósofo. Segundo ele, assim como Tomás de Aquino converteu Aristóteles é dever da Teologia da Libertação converter Karl Marx ao cristianismo. Dessa forma, haveria uma ligação íntima entre o Aquinate e a TL. Essa ligação é o princípio da conversão do filósofo. Tomás converteu Aristóteles e a TL converteria Marx.

 

É preciso se fazer uma pequena reflexão sobre o argumento utilizado por Hélder Câmera, ou seja, é preciso ter em mente que Aristóteles, ao contrário de Marx, era um filósofo aberto ao transcendente e que nunca demonstrou qualquer preconceito contra Deus e a religião. Já Marx via a religião apenas como forma de alienação e jamais como uma possibilidade de emancipação humana. Nesse sentido, o argumento de Hélder Câmera é muito difícil de ser tomado como verdade.

 

O terceiro ponto é a questão da verdade. Para Hélder Câmera tanto Tomás de Aquino como Karl Marx foram pensadores que buscaram a verdade. Dessa forma, a busca pela verdade seria um ponto comum entre o Aquinate e a TL. Entretanto, é bom salientar que Hélder Câmera não explica o que é a verdade em Tomás de Aquino e em Marx. Esse é um ponto obscuro na citada conferência.

 

O quarto e último ponto é a dimensão da vida prática. Segundo Hélder Câmera tanto Tomás de Aquino como também Karl Marx foram pensadores que, ao longo de suas obras, indicaram, cada um a seu modo, a importância da vida prática para a efetivação de um ideal de vida social. Sem a vida prática toda a reflexão filosófica fatalmente cairá na alienação. Para evitar esse grave problema tanto Tomás de Aquino como Marx indicaram a vida prática como sendo o fundamento e o teste de veracidade de qualquer teoria filosófica.

 

Após ter apresentado a análise realizada por Hélder Câmara passa-se a apresentar a análise desenvolvida por Clodovis Boff. Apesar de o próprio pesquisador apresentar-se como sendo um “não especialista nesse doutor [Tomás de Aquino]” ([12]) ele apresenta uma série de cinco pontos convergentes entre Tomás de Aquino e a TL, pois, “não se deve entender que entre Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação a ruptura seja tão grande que não haja mais nenhuma ponte de encontro. Se há entre os dois uma descontinuidade inegável, há, contudo, também uma continuidade” ([13]).

 

Inicialmente é preciso realizar a mesma observação que foi construída diante da conferência O que faria Santo Tomás de Aquino diante de Karl Marx proferida por Hélder Câmara, ou seja, que o artigo de Clodovis Boff, cujo título é Santo Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação, merece uma análise bem mais detalhada. Análise que as pretensões desse simples artigo não comportam.

 

Realizada essa importante observação passa-se a apresentação dos cinco pontos convergentes entre o Aquinate e a TL apresentados por Clodovis Boff.

 

O primeiro ponto é o fato de tanto Tomás de Aquino como também a Teologia da Libertação estarem abertos aos “novos ventos da história” ([14]), ou seja, cada um debateu os problemas específicos de sua época histórica. Tomás discutiu questões próprias do século XIII, como, por exemplo, a relação entre o papado e o poder secular, os direitos civis da Igreja e a autoridade dos governantes. Já a TL, no século XX, debateu questões fundamentais, como, por exemplo, a exploração e os conflitos sociais.

 

O segundo ponto é uma questão que já está presente em Hélder Câmara e em grande parte dos seguidores da Teologia da Libertação no século XX, ou seja, é o fato de o “que Sato Tomás fez com Aristóteles devemos nós fazer hoje com Marx” ([15]). Clodovis Boff apresenta o princípio da conversão do filósofo. Neste caso, Tomás de Aquino aparece como um arquétipo. Ele converteu a obra de Aristóteles à fé cristã. Seguindo esse exemplo a Teologia da Libertação tem como missão converter à obra de Marx à fé da Igreja. Por este motivo o Aquinate e a TL estão ligados pelo princípio da conversão do filósofo.

 

O terceiro ponto é a tradição teológica e filosófica da Igreja. Segundo Clodovis Boff ([16]) tanto Tomás de Aquino como a TL estão ligados e inseridos dentro da tradição. Tomás de Aquino, em seus escritos, cita a Patrística, Santo Agostinho e outros pensadores que fundamentam a teologia e a filosofia cristã. Da mesma forma deve proceder a TL. Com isso, a tradição seria um elo de ligação entre o Aquinate e a TL.

 

O quarto ponto é o fato de Tomás de Aquilo está ligado a TL porque ele enfrentou “em seu tempo as questões sociais e políticas, assim como os teólogos da libertação afrontam as de hoje” ([17]). Clodovis Boff apresenta o Aquinate como, essencialmente, um pensador político, preocupado com as questões sociais do século XIII. Procedimento semelhante é adotado pela Teologia da Libertação. Ela tem como missão, semelhante ao Aquinate, refletir sobre as questões sociais e suas consequências escravizadoras para o homem.

 

O quinto e último ponto é o fato de tanto Tomás de Aquino como a TL estarem preocupados com a dimensão prática da fé ([18]). Nesse ponto há uma grande confluência entre a argumentação desenvolvida por Clodovis Boff e por Hélder Câmara. Ambos apresentam Tomás de Aquino como um pensador da vida prática. Por este raciocínio ele não seria um metafísico preocupado com questões abstratas. Essa seria uma interpretação equivocada e até mesmo errada que a tradição filosófica ocidental realizou da obra do Aquinate. Na essência o Aquinate seria um pensador da vida prática e política. Um precursor de Karl Marx. Neste sentido, caberia à Teologia da Libertação atualizar o pensamento do Aquinate a partir da “nossa problemática atual” ([19]).

 

Realizada a apresentação dos cinco pontos convergentes entre Tomás de Aquino e a TL desenvolvidos por Clodovis Boff é preciso, realizar uma pequena crítica ao artigo desse pesquisador. Existem duas questões que necessitam de um melhor esclarecimento no artigo: Santo Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação.

 

A primeira questão é o fato de Clodovis Boff ([20]) realizar uma aproximação perigosa e até mesmo indevida entre a categoria de povo em Tomás de Aquino e a categoria de proletariado em Karl Marx e, por conseguinte, na Teologia da Libertação.

 

É preciso ver que no Regime dos Príncipes ([21]) Tomás de Aquino atribui a categoria de povo a todos os grupos e estruturas sociais. Para ele todas as classes sociais estão submetidas ao governante e ao magistério da Igreja. Por conseguinte, o bem comum não é um privilégio de uma classe ou grupo social, mas um direito de todos os homens. Neste sentido a argumentação tomista é essencialmente universal. Ao contrário do Aquinate, a categoria de proletariado em Karl Marx adotada pela Teologia da Libertação ([22]) é classista. Para Marx não é o povo, em sentido amplo, que deverá buscar e alcançar o bem comum, mas unicamente uma fração do povo, ou seja, o proletariado, ou seja, a classe social que vende sua força de trabalho ao empreendedor capitalista. Por essa perspectiva Marx limita o bem comum a uma classe social. Nisto Marx é muito incompleto e classista, enquanto Tomás é universal.

 

A segunda questão é uma aproximação muito perigosa entre a ideia de pecado em Tomás de Aquino e essa mesma ideia na TL. A noção de pecado no Aquinate ([23]) está ligada ao pecado original descrito no livro do Gênesis (3, 1-20). Por conseguinte é uma noção ontológica e universal. A consequência do pecado original é que todos os homens, em todos os momentos históricos, pecaram (Romanos 3, 23). É por isso que todos necessitam da Salvação trazida por Jesus Cristo. Já para a Teologia da Libertação a noção de pecado é muito resumida. A TL preocupa-se essencialmente com o pecado social ([24]). Toda forma de pecado que exceda ao pecado social é, em certo sentido, desvalorizada. Obviamente, não podemos deixar passar despercebido o pecado social. Essa manifestação do pecado deve ser amplamente denunciada e combatida. Entretanto, se limitar apenas ao pecado social é uma forma de perder a consciência da dimensão universal e malévola do pecado.

 

3.                  Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação: impossibilidades

 

Nesta parte do artigo é apresentada a impossibilidade de haver uma aproximação mais íntima entre Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação. Essa discussão é de suma importância. O motivo é que o Aquinate, como demonstrado anteriormente, é o filósofo que a Igreja recomenda que haja uma atenta leitura e reflexão de sua obra. Do ponto de vista estritamente católico a consequência desse fato é que uma incompatibilidade entre o Aquinate e a TL praticamente inviabiliza a reflexão teológica, de fundamentação marxista, realizada pela própria Teologia da Libertação.

 

Do ponto de vista estritamente didático serão apresentados cinco argumentos que apresentam a impossibilidade de haver uma grande semelhança entre Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação. Desde já se afirma que todos os argumentos apresentados são passíveis de questionamentos e objeções de cunho filosófico.

 

O primeiro argumento é o fato da Teologia da Libertação conscientemente rejeitar as “tradicionais apresentações filosóficas” ([25]). Ao longo de sua história a TL sempre se apresentou como sendo uma novidade filosófica e teológica. Essa novidade teria como fundamento o marxismo. Neste quadro de novidade a TL sempre teve a tendência de rejeitar qualquer forma de manifestação da filosofia que não seja a filosofia contemporânea e especialmente a filosofia de origem marxista.

 

Por isso, nos círculos de intelectuais e de militantes da TL sempre houve uma rejeição ao passado, especialmente ao medieval. Essa rejeição se estende a Tomás de Aquino e a toda a tradição tomista.

 

De um lado, a Teologia da Libertação busca a “novidade a todo custo” ([26]), ou seja, deseja, de forma ingênua, encontrar algo absolutamente novo. Nessa ânsia pelo novo ela não olha para o passado em busca das raízes dos debates filosóficos e teológicos travados dentro da Igreja. Essa postura é sintetizada na expressão: “o novo só se entende pelo novo” ([27]), a qual é muito difundida dentro da militância da TL. A consequência dessa busca pelo novo é a rejeição da tradição filosófica católica, incluindo Tomás de Aquino.

 

Do outro lado, a TL se apresenta como sendo a nova e a real interpretação da Igreja, do evangelho e da sociedade. É como se a Igreja, o evangelho e a sociedade tivessem sido criados em 1969 juntamente com a origem da Teologia da Libertação. É por causa dessa radicalidade que o Cardeal Joseph Ratzinger que no dia 19 de abril de 2005 foi eleito Papa e, com isso, escolheu o nome de Bento XVI – afirma que a Teologia da Libertação “não entra em nenhum esquema de heresia até hoje existente” ([28]). Ela ambiciona o novo radical e absoluto. Tudo deve ser repensado e reinterpretado à luz do marxismo. Nesta perspectiva não há espaço para a tradição filosófica católica, muito menos para Tomás de Aquino.

 

O segundo argumento é a dimensão da realidade. Como demonstra Fernando Arruda Campos ([29]) o marxismo – que fundamenta a TL – tem uma visão limitada da realidade. Para o marxismo a realidade limita-se apenas as relações sociais produzidas pelas mudanças históricas e econômicas. Sem dúvida que é importante refletir e até mesmo transformar a realidade social. No entanto, ficar peso a realidade puramente social causa a alienação social e o empobrecimento da filosofia e da teologia. Enquanto isso Tomás de Aquino e, por conseguinte, o tomismo encaram a realidade também na dimensão das mudanças históricas e econômicas, entretanto vão além dessas mudanças. Tomás de Aquino eleva-se até o transcendente, ao eterno e ao divino. O marxismo fica limitado ao mundo material, enquanto o tomismo alça voos mais altos em busca da superação dos limites impostos pela vida material.

 

Para ilustrar a discussão serão apresentados dois exemplos da visão da realidade entre Tomás de Aquino e no marxismo.

 

O primeiro exemplo é a problemática em torno de Deus ([30]). O marxismo realiza uma salutar crítica à religião. É preciso demonstrar os limites e até mesmo os erros históricos da religião. Entretanto, o marxismo termina caindo em um materialismo radical e ingênuo, o qual nega a existência de Deus e veta qualquer acesso do cidadão a divindade ([31]). Neste sentido, o marxismo termina caindo em uma ditadura materialista que supervaloriza o mundo social e proíbe o acesso à vida espiritual. Talvez esteja neste ponto a origem do apoio que a Teologia da Libertação dá a governos e a estruturas sociais autoritárias ([32]), como, por exemplo, o socialismo.

 

O segundo exemplo é a morte. O marxismo vê a morte biológica como o fim da vida ([33]). Ao contrário de Tomas de Aquino, o marxismo não crê na vida eterna e na ressurreição. Para ele a ressurreição limita-se apenas à revolução socialista e a uma mudança na estrutura social. Já Tomás de Aquino compreende a morte como parte do grande projeto transformador que Deus tem para o ser humano.

 

É justamente pela visão estreita e, muitas vezes, ingênua do marxismo que o tomismo sempre criticou essa escola de pensamento e, por conseguinte, criticou também a Teologia da Libertação que faz uso do “instrumental marxista” ([34]) para a realização da sua reflexão teológica. O marxismo termina sendo apenas mais uma corrente dentro do materialismo. Um materialismo que nega ao homem o direito de ter um encontro com a transcendência e, por conseguinte, uma experiência mística e salvadora. É por causa disso que Leonardo Van Acker afirma que uma das missões do tomismo na sociedade moderna e contemporânea é o “combate ao marxismo” ([35]). Além disso, um dos fatores, entre outros, que determinou o nascimento do neotomismo, no final do século XIX, foi a necessidade de realizar uma “crítica ao materialismo” ([36]), seja esse materialismo oriundo do positivismo ou do marxismo. Infelizmente na segunda metade do século XX houve um esmorecimento, por parte do tomismo, no tocante à denúncia e à crítica aos erros e limitações do marxismo. Talvez a primeira década do século XXI marque um retorno da denúncia e da crítica ao marxismo realizadas pelo tomismo.

 

O terceiro argumento é o fato da Teologia da Libertação, pelo fato de ser fundamentada pelo marxismo, não possuir uma filosofia que abarque os diversos problemas e dilemas humanos. Como bem salienta Leonardo Van Acker ([37]) o marxismo, em grande medida, é apenas uma ideologia política. Por isso, ele realiza uma necessária crítica ao caráter desumano do capitalismo e da sociedade moderna. Entretanto, qualquer questão que extrapole o nível do material e do político é rejeitada pelo marxismo. Neste sentido, o marxismo e, por conseguinte, a Teologia da Libertação, é uma filosofia material que deseja dar ao ser humano apenas o pão material. Em contra partida, Tomás de Aquino realiza uma reflexão sobre as desigualdades materiais, mas vai além dessa reflexão. Em sua filosofia estão contemplados todos os grandes temas que angustiam o ser humano, como, por exemplo, Deus, a alma, a vida eterna e outros. Enquanto o marxismo e a TL construíram uma filosofia precária e limitada, Tomás de Aquino edificou uma filosofia ampla que abrange os grandes problemas materiais e metafísicos do homem.

 

O quarto argumento é o que Alexandre Correia classifica como a “incompatibilidade entre o tomismo e o marxismo” ([38]). E levando em conta que o marxismo, como visto ao longo do artigo, é a filosofia que fundamenta a Teologia da Libertação essa incompatibilidade pode ser acrescida também a TL.

 

Alexandre Correia identifica essa incompatibilidade em três grandes questões.

 

A primeira questão é a lei natural ([39]). De acordo com Alexandre Correia ([40]) a lei natural é a participação humana na lei eterna criada por Deus. O problema é que o marxismo e, por conseguinte, a Teologia da libertação, não seguem a lei natural. Ambos, marxismo e TL, desejam criar e até mesmo impor uma lei puramente racional e material. Uma lei que termina renegando a lei de Deus, a qual deve governar a Igreja e todo o cosmo. Enquanto Tomás de Aquino é um teórico e um seguidor da lei natural, o marxismo e a TL terminam negando essa lei.

 

A segunda questão é a propriedade privada ([41]). Alexandre Correia ([42]) demonstra como o Aquinate não é o pensador conservador e defensor do latifúndio improdutivo da forma como ao longo do século XX foi denunciado pelos pensadores marxistas e pela militância da Teologia da Libertação. Pelo contrário, o Aquinate é um defensor da função social da propriedade. Além disso, ele atribui à propriedade uma função ética relacionada diretamente ao bem comum ([43]). Ela está inserida dentro do plano salvífico que Deus traçou para o homem. Entretanto, o marxismo e a Teologia da Libertação pensam de forma diferente. Para eles a propriedade privada deve ser extinta, porque está inserida dentro do projeto egoísta e egocêntrico do capitalismo. Não podemos negar o caráter egoísta do capitalismo, mas também não podemos aceitar a proposta do marxismo e da TL. O que ambos desejam é acabar com a propriedade privada, um dom de Deus ao homem, e em seu lugar colocar o “coletivismo socialista” ([44]), onde não haverá mais liberdade individual e apenas o Estado será o detentor de todas as terras e de todos os direitos. No tocante à propriedade, há uma gigantesca incompatibilidade entre Tomas de Aquino e a Teologia da Libertação.

 

A terceira questão é a família, a qual foi instituída pelo próprio Deus e resguardada pelo evangelho, pela tradição e pelo magistério da Igreja. A família possui um papel fundamental na sociedade contemporânea. Ela é um depósito da vida e pode conduzir o cidadão a refletir sobre a grave crise ética que a sociedade ocidental vive atualmente ([45]).

 

Além disso, Alexandre Correia ([46]) demonstra que o Aquinate é um árduo defensor da família. Em suas reflexões a família, ou seja, a Igreja doméstica, encontra sólida fundamentação filosófica. Ao contrário, tanto o marxismo como a TL veem a família como um subproduto da ideologia capitalista e burguesa. Para ambos a família não é de origem divina e, por conseguinte, pode ser extinta. No lugar da família surgirá a grande família, ou seja, grandes aglomerados humanos controlados pelo partido socialista ou por outra estrutura política ligada ao marxismo. Exemplos da grande família são o sindicado e o movimento social. Em ambos já não existe mais a estrutura tradicional familiar, mas uma rígida hierarquia que tem por função atingir os objetivos políticos do marxismo internacional e nacional. No tocante a família há uma forte divergência entre Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação.

 

O quinto e último argumento é o polêmico artigo escrito por Clodovis Boff ([47]), cujo título é: Teologia da Libertação e a volta aos fundamentos ([48]). Neste artigo um dos fundadores da Teologia da Libertação, ou seja, Clodovis Boff, defende a tese que a TL sofre de uma grave ambiguidade epistemológica e, que por causa disso, há um sério equívoco epistemológico em seu fundamento. Este equívoco é o fato da TL colocar o pobre no lugar de Cristo e, por conseguinte, ao invés de haver adoração ao Cristo Salvador passa a existir uma idolatria ao pobre. Para sanar esse duplo sentido, o teólogo propõe uma refundação da Teologia da Libertação. Essa refundação deve se dar no plano cristocêntrico, ou seja, Cristo como centro e guia da atividade pastoral da TL.  Desta forma, o pobre não será mais idolatrado, contudo passará a ocupar o seu real papel dentro da atividade pastoral e da missão salvífica da Igreja.

 

Além disso, Clodovis Boff afirma que as consequências da TL ter colocado o pobre no lugar de Cristo são gravíssimas. Com essa postura a TL está conduzindo a Igreja, pelo menos na América Latina, a se transformar em uma Organização Não-Governamental (ONG), a abandonar a missão de evangelizar os povos e, por conseguinte, desamparar os fiéis no tocante à assistência espiritual. Poucos teóricos fizeram uma crítica tão realista e consciente à TL como fez Clodovis Boff.

 

A reação dentro da Teologia da Libertação foi imediata e organizada. Os líderes e a militância da TL temiam que o artigo de Clodovis Boff fosse utilizado pelo Vaticano para condenar novamente a Teologia da Libertação da forma como aconteceu em 1984 com a publicação do documento Instrução sobre alguns aspectos da “Teologia da Libertação”. Por esse motivo em pouco tempo surgiu uma série de artigos em jornais e revista científicas defendendo a Teologia da Libertação e acusando Clodovis Boff de ser um teólogo que passou para o outro lado, ou seja, passou a realizar as críticas que eram realizadas apenas pelos opositores da TL.

 

A presente discussão não trata do conteúdo crítico do artigo de Clodovis Boff e muito menos da violenta reação da Teologia da Libertação contra o mesmo. No entanto, nessa polêmica há um dos maiores fatores que demonstram a incompatibilidade entre Tomás de Aquino e a Teologia da libertação. Clodovis Boff foi duramente acusado, por líderes da TL, de ter desenvolvido, no citado artigo, uma argumentação de cunho tomista, presa à Idade Média e, portanto, superada. Teólogos como, por exemplo, Leonardo Boff ([49]), José Comblin ([50]), Francisco de Aquino Júnior ([51]), Luiz Carlos Susin e Érico João Hammes ([52]), acusaram Clodovis Boff de ser um tomista. O problema é que os citados teólogos são genuínos líderes e representantes da Teologia da Libertação. Esses teólogos deixaram claro que entre Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação há uma grande incompatibilidade, um grande fosso epistemológico que não pode ser superado apesar de haver entre ambos alguns pontos comuns. E levando em conta que Tomás de Aquino é o filósofo oficial da Igreja, esse fosso, essa separação, se estende à totalidade da Igreja e à Teologia da Libertação. Criando, com isso, uma separação: de um lado está a Igreja e a tradição filosófica, especialmente a tradição tomista, e do outro lado encontra-se a Teologia da Libertação e a tradição marxista.

 

4.                  Considerações finais

 

Ao longo do artigo foram apresentados, de forma sucinta, os pontos que aproximam e que distanciam Tomás de Aquino da Teologia da Libertação. E apesar de encontrarmos pontos comuns entre ambos, os pontos divergentes superam qualquer aproximação teórica.

 

Ao longo de sua história a TL demonstrou grande espírito de rebelião contra o evangelho, o magistério e a autoridade da Igreja. Sobre essa questão o Papa Bento XVI, em pronunciamento aos bispos do regional Sul 3 e 4 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), afirmou que “as sequelas [deixadas pela TL], mais ou menos visíveis, feitas de rebelião, divisão, dissenso, ofensa, anarquia fazem-se sentir ainda, criando nas vossas comunidades diocesanas grande sofrimento e grave perda de forças vivas” ([53]).

 

Em grande medida a TL deseja refundar a Igreja. E essa refundação é contrária à tradição e ao magistério católico. No tocante à filosofia abraçada pela Igreja, representada de forma oficial pela obra de Tomás de Aquino, a TL sempre afirmou tratar-se de um pensamento preso à Idade Média e, portanto, superado. O novo pensamento, revolucionário e até mesmo violento, é representado por Karl Marx e pelo marxismo. Por isso, é preciso deixar claro que existe uma grande separação entre Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação.

 

Infelizmente é preciso afirmar que ou se é católico e estuda-se a obra de Tomás de Aquino ou então se é marxista e seguidor da Teologia da Libertação. Em grande medida, a advertência da Sagrada Congregação do Santo Ofício, em 1949, que atualmente é a Congregação para a Doutrina da Fé, sobre os cristãos que seguem o marxismo, ainda é extremamente atual. Essa advertência diz: “mantenha distância do marxismo” ([54]).

 

Com relação à Teologia da Libertação é preciso visualizar, constantemente, a sensata advertência que a Congregação para a Doutrina da Fé realiza sobre a dimensão da libertação na perspectiva cristã, ou seja, “sobre as duas dimensões constitutivas da libertação na sua concepção cristã: quer no nível da reflexão quer na sua práxis, a libertação é, antes de tudo, soteriológica (um aspecto da Salvação realizada por Jesus Cristo, Filho de Deus) e depois, ético-social (ou ético-político). Reduzir uma dimensão à outra, suprimindo-as praticamente a ambas, ou antepor à segunda à primeira, é subverter e desnaturar a verdadeira libertação cristã” ([55]).

 

Por fim, afirma-se que Tomás de Aquino é um pensador extremamente atual. Sua obra contém uma profunda reflexão sobre os diversos problemas e opressões vividas pelo homem. Se a Igreja e a sociedade contemporânea desejam promover a libertação da opressão, da forma como é indicada pela Teologia da Libertação, é preciso conhecer e refletir sobre a obra do Aquinate.

 

 

Endereço postal:

 

Ivanaldo Santos

Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL)

Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)

Campus Avançado “Profa. Maria Elisa de Albuquerque Maia” (CAMEAM)

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[1] Doutor em estudos da linguagem pela UFRN, professor do departamento de filosofia e do Programa de Pós-Graduação em Letras da UERN. E-mail: ivanaldosantos@yahoo.com.br.

[2] Com relação à inspiração marxista da Teologia da Libertação recomenda-se consultar: BOFF, Leonardo. O que é a teologia da libertação? Entrevista à Radiobras, 01/12/2003, FREI BETTO. Marxismo na teologia. IN: Jornal do Brasil, 06/04/1980, LÖWY, Michael. Marxismo e teologia da libertação. São Paulo: Cortez, 1991, LÖWY, Michael. A Teologia da Libertação: Leonardo Boff e Frei Beto. IN: ADITAL. Disponível em http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=35648.    Acessado em 12/04/2010, FREI BETTO. Cristianismo e Marxismo. Petrópolis: Vozes, 1986.

[3] BOFF, Leonardo; BOFF, Clodovis. Cinco observações de fundo à interpretação do Cardeal Ratzinger acerca da Teologia da Libertação de corte marxista. IN: Revista Eclesiástica Brasileira, vol. 44, fasc. 173, março de 1984, p. 119.   

[4] Seria quase impossível apresentar a totalidade dos livros e artigos produzidos pelos teóricos da TL sobre a pobreza e a libertação. Por causa disse fato recomenda-se consultar apenas os seguintes textos: BOFF, Leonardo. O caminhar da Igreja com os oprimidos. 3 ed. Petrópolis: Vozes, 1988, BOFF, Leonardo. A teologia da libertação. Balanço e Perspectivas. São Paulo: Ática, 1996, ALVES, R.. O suspiro dos oprimidos. São Paulo: Paulinas, 1984, BOFF, L. A fé na periferia do mundo. Petrópolis: Vozes, 1986, BOFF, L. Jesus Cristo libertador. Petrópolis: Vozes, 1991. BOFF, C. Teologia e Prática. Petrópolis: Vozes, 1978. BOFF, L. Teologia do cativeiro e da libertação. Petrópolis: Vozes, 1980, BONHOEFER, D. Resistência e submissão. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1963, DUSSEL, E. Para uma ética da libertação latino-americana: política. Tomo IV. Loyola: São Paulo, 1977, DUSSEL, E. Para uma ética da libertação latino-americana: uma filosofia da religião anti-fetichista. Tomo V. Loyola: São Paulo, 1977, LIBÂNEO, J. B. Pecado e opção fundamental. Petrópolis: Vozes, 1975, LIBÂNEO, J. B. Teologia da libertação: roteiro didático para um estudo. São Paulo: Loyola, 1987.      

[5] “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho diferente do que foi anunciado, seja excomungado” (Gálatas, 1, 8).

[6] CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. Instrução sobre alguns aspectos da “Teologia da Libertação”. São Paulo: Paulinas, 1989. (Coleção Documentos Pontifícios).

[7] CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. Instrução sobre alguns aspectos da “Teologia da Libertação”, op, cit,  X, 9. 

[8] CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO. São Paulo: Loyola, 2008, Canon 252, 3.

[11] CÂMERA, Dom Hélder. O que faria Santo Tomás de Aquino diante de Karl Marx. In: O Globo, 10/12/1975.

[12] BOFF, Clodovis. Santo Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação. In: Revista Eclesiástica Brasileira, vol. 41, fasc. 163, setembro de 1981, p. 441.

[13] BOFF, Clodovis. Santo Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação. In: Revista Eclesiástica Brasileira, op, cit, p. 429. 

[14] BOFF, Clodovis. Santo Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação. In: Revista Eclesiástica Brasileira, op, cit, p. 439. 

[15] BOFF, Clodovis. Santo Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação. In: Revista Eclesiástica Brasileira, op, cit, p. 435.  

[16] BOFF, Clodovis. Santo Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação. In: Revista Eclesiástica Brasileira, op, cit, p. 425. 

[17]  BOFF, Clodovis. Santo Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação. In: Revista Eclesiástica Brasileira, op, cit, p. 431.

[18] BOFF, Clodovis. Santo Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação. In: Revista Eclesiástica Brasileira, op, cit, p. 432.

[19] BOFF, Clodovis. Santo Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação. In: Revista Eclesiástica Brasileira, op, cit, p. 428.

[20] BOFF, Clodovis. Santo Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação. In: Revista Eclesiástica Brasileira, op, cit, p. 433.

[21] AQUINO, Tomás de. De regimine principum. Turim: Obra Cristiana, 1983, I, I, Capítulo 1.

[22] CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. Instrução sobre alguns aspectos da “Teologia da Libertação”, op, cit,  IX, 10.

[23] AQUINO, Tomás de. Suma teológica. São Paulo: Loyola, 2005, I questão 96, I-II questão 94.

[24] BOFF, Clodovis. O pecado social. In: Revista Eclesiástica Brasileira, v. 37, n. 148, 1977. HOFSTÄTTER, L. O. A concepção do pecado na teologia da libertação. São Leopoldo. Nova Harmonia, 2003, p. 130.

[25] CORREIA, Francisco de Assis. Por uma sabedoria (filosofia) da libertação. In: Revista Eclesiástica Brasileira, vol. 41, fasc. 163, setembro de 1981, p. 564.

[26] HIRSCHBERGER, Johannes. História da filosofia contemporânea. São Paulo: Herder, 1963, p. 127.

[27] BOFF, Leonardo; BOFF, Clodovis. Cinco observações de fundo à interpretação do Cardeal Ratzinger acerca da Teologia da Libertação de corte marxista, op, cit, p. 116.

[28] RATZINGER, Cardeal Joseph. Eu vos explico a teologia da libertação. IN: Revista Pergunte e Responderemos, Ano XXV, n. 277, 1984.

[29] CAMPOS, Fernando Arruda. Realismo tomista e realismo marxista. In: Revista Brasileira de Filosofia, julho-dezembro, 1980, p. 297-305.

[30] CAMPOS, Fernando Arruda. O tomismo no diálogo com o marxismo a respeito do problema de Deus. In: Revista Brasileira de Filosofia, outubro-dezembro, 1976, p. 411-426.

[31] CORREIA, Alexandre. O tomismo é incompatível com o marxismo. Rio de Janeiro: Colégio Pedro II, 1976, p. 29.

[32] ROSSI, Cardeal Agnelo. Verdades, erros e perigos da teologia da libertação. In: AQUINO, Felipe. A teologia da libertação. 2 ed. Lorena: Cléofas, 2003, p. 96.

[33] SARANYANA, José Ignacio. El marxismo ante el límite de la muerte. In: Anuario Filosofico, XIV/1, (1981), p. 101-112.

[34] LÖWY, Michael. Marxismo e teologia da libertação, op, cit, p. 27.

[35] VAN ACKER, Leonardo. O Tomismo e o pensamento contemporâneo. São Paulo: EDUSP, 1983, p. 46.

[36] REALE, Giovanni, ANTISERI, Dario. História da filosofia. Vol. III. São Paulo: Paulus, 1991, p. 765.

[37] VAN ACKER, Leonardo. O Tomismo e o pensamento contemporâneo, op, cit, p. 49.

[38] CORREIA, Alexandre. O tomismo é incompatível com o marxismo, op, cit, p. 28.

[39] Com relação à lei natural no pensamento de Tomás de Aquino recomenda-se consultar: ŠILAR, Mario. Natural Law, Theoretical and Practical Reason. In: Aquinate, nº. 5, (2007), 139-146. PÊCEGO, Daniel Nunes. Anotações sobre os requisitos fundamentais da lei segundo Santo Tomás de Aquino. In: Aquinate, n°. 9, (2009), 127-146.

[40] CORREIA, Alexandre. O tomismo é incompatível com o marxismo, op, cit, p. 29.

[41] Com relação à propriedade privada no pensamento de Tomás de Aquino recomenda-se consultar: PÊCEGO, Daniel Nunes. A propriedade e sua função social sob a perspectiva do Realismo Jurídico Clássico: aproximações com base na doutrina de Santo Tomás de Aquino. In: Aquinate, n°. 11, (2010), 55-72.

[42] CORREIA, Alexandre. O tomismo é incompatível com o marxismo, op, cit, p. 30-33.

[43] Com relação ao bem comum em Tomás de Aquino recomenda-se consultar: MARTINS FILHO, Ives Gandra. O princípio ético do bem comum e a concepção jurídica do interesse público. In: Aquinate, n°. 2, (2006), 58-75.

[44] AQUINO, Felipe. A teologia da libertação, op, cit, p. 111.

[45] TRUJILLO, Alfonso Card. López. O pensamento de Sto. Tomás ante os novos desafios da família e da vida. In: Aquinate, n°. 8, (2009), 97-111.

[46] CORREIA, Alexandre. O tomismo é incompatível com o marxismo, op, cit, p. 33-35.

[47] É preciso deixar claro que Clodovis Boff é o mesmo estudioso que escreveu o artigo Santo Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação (Revista Eclesiástica Brasileira, vol. 41, fasc. 163, setembro de 1981, p. 426-442), o qual foi analisado na presente discussão.

[48] BOFF, Clodovis. Teologia da Libertação e a volta ao fundamento. In: Revista Eclesiástica Brasileira, vol. 67, fasc. 268, 2007, p. 1001-1022.

[49] BOFF, Leonardo. Pelos pobres contra a estreiteza do método. In: Revista Eclesiástica Brasileira, vol. 68, fasc. 271, 2008, p. 701-710.

[50] COMBLIN, José. As estranhas acusações de Clodovis Boff. In: Revista Eclesiástica Brasileira, vol. 69, fasc. 273, 2009, p. 196-202.

[51] AQUINO JÚNIOR, Francisco de. Clodovis Boff e o método da TdL. Uma aproximação crítica. In: Revista Eclesiástica Brasileira, vol. 68, fasc. 271, 2008, p. 597-613. AQUINO JÚNIOR, Francisco de. A teologia como "intellectus amoris". A propósito da crítica de Clodovis Boff a Jon Sobrino. In: Revista Eclesiástica Brasileira, vol. 69, fasc. 274, 2009.

[52] SUSIN, Luiz Carlos; HAMMES, Érico João. A Teologia da Libertação e a questão de seus fundamentos: em debate com Clodovis Boff. In: Revista Eclesiástica Brasileira, vol. 68, fasc. 270, 2008, p. 277-299.

[54] DECRETO DE LA SAGRADA CONGREGACIÓN DEL SANTO OFICIO. Decretum contra communismum. IN: Hemeroteca Digital. Disponível em http://hemeroteca. abc.es/nav/ Navigate. exe/hemeroteca/ madrid/abc/ 1949/07/15/ 011.html. Acessado em 12/04/2010.

[55] CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. Instrução Libertatis conscientia. AAS 79, 1987, n. 23 e 71.


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