PRáTICA CRISTã (2504)'
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Artigo

Pregações: Prática Cristã - Tenho AIDS. Posso casar? - por Padre Paulo Ricardo

(áudio)

Vídeo e áudio complementares com correção:

(áudio)

Uma pessoa aidética pode contrair matrimônio?
É moralmente lícito que uma pessoa com o vírus da AIDS tenha relações sexuais?

Dentro da moralidade cristã só é possível exercer a sexualidade dentro do matrimônio. Ele visa a união dos esposos e também a prole. Na ordem da criação, sexo e procriação estão intimamente ligados.

Diante disso, uma pessoa que é portadora do vírus HIV é alguém que recebeu uma cruz, não somente a cruz do seu estado de saúde, mas a realidade palpável de que ela pode contaminar outras pessoas. Assim, faz parte da cruz do soropositivo abster-se das relações sexuais, é o modo correto de carregá-la.

O matrimônio tem duas partes: a ratificação e a consumação. A ratificação é o que se vê na Igreja, quando os noivos manifestam a vontade de se unirem. A consumação é quando ocorre o ato sexual. O Código de Direito Canônico ensina que:

"Cân. 1061 § 1. O matrimônio válido entre os batizados chama-se só ratificado, se não foi consumado; ratificado e consumado, se os cônjuges realizaram entre si, de modo humano, o ato conjugal apto por si para a geração de prole, ao qual por sua própria natureza se ordena o matrimônio, e pelo qual os cônjuges se tornam uma só carne."

Por ato conjugal, entende-se ereção do pênis, penetração na vagina e ejaculação dentro da vagina. Assim, um casal que desde o início propõe-se a realizar o ato conjugal com a utilização do preservativo, como ocorre quando somente um dos cônjuges é portador do vírus, fecha a porta para a efetiva consumação do matrimônio. Não é lícito, portanto.

Caso ambos sejam portadores do vírus e tenham a possibilidade de não usar o preservativo, ainda resta o perigo de contaminação de uma criança que possa vir a ser concebida. Desta forma, a única saída possível é que um dos cônjuges seja estéril. Assim, somente no caso de ambos serem portadores do HIV e um deles (ou ambos) ser estéril, é que se abre a possibilidade moral de se contrair o matrimônio e de se exercer uma vida sexual regular, moralmente aceita e abençoada por Deus dentro da Igreja.

Segundo vídeo, programa complementar:

No programa Resposta Católica nº 99, de mesmo título, houve um equívoco de informação. Não se trata de equívoco doutrinal, ou seja, a posição da Igreja acerca do assunto está corretamente informada. O problema se deu nos exemplos utilizados, mormente nos trinta últimos segundos do vídeo.

A hipótese errônea foi esta: o casal, em que ambos os cônjuges sejam portadores do vírus do HIV e estéreis, poderia consumar o matrimônio e exercer a vida sexual, pois, nesse caso, o ato não se torna imoral e nem ilícito já que não haveria a possibilidade de contaminar os filhos.

Contudo, segundo informações médicas recebidas após a veículação do programa, infelizmente, não se trata de algo tão simples assim. Existem diversos tipos de vírus HIV e nem todos que contraíram o vírus estão no mesmo nível de contaminação e, assim, poderiam sim prejudicar-se mutuamente.

Diante deste dado científico é preciso retornar então à moral católica e esta é clara ao dizer que se existe risco de prejuízo para um dos pares, o ato sexual se torna imoral.

O que se discute também, nesse programa, é a respeito da licitude do matrimônio. Se um casal, no qual um dos cônjuges é portador do vírus, contrair o matrimônio mesmo sabendo disso, o sacramento tem validade. Trata-se de algo imoral do ponto de visto católico, mas o sacramento é válido. Algumas pessoas questionaram a moralidade católica com respeito à esterilidade. Quando os dois cônjuges são estéreis, as relações sexuais não são imorais. É o que diz o Catecismo da Igreja Católica:

“O Evangelho mostra que a esterilidade física não é um mal absoluto. Os esposos que, depois de esgotados todos os recursos legítimos da medicina, sofrerem de infertilidade unir-se-ão à Cruz do Senhor, fonte de toda fecundidade espiritual. Podem mostrar sua generosidade adotando crianças desamparadas ou prestando relevantes serviços à favor do próximo.” (CIC 2379)

Esta é a posição da Igreja, corroborada por tantas mulheres estéreis constantes das Sagradas Escrituras, que receberam o milagre da fecundação. É o caso dos pais de João Batista, Zacarias e Izabel. Ela, já em idade avançada e estéril, para que pudesse conceber teria que ter relação sexual com seu esposo.

Se uma relação sexual pode prejudicar a saúde de um dos cônjuges, torna-se imoral. Já uma relação sexual em que ambos cônjuges são estéreis não é imoral. A esterilidade, perante a Igreja, não invalida o matrimônio e nem torna imoral o ato sexual dos esposos.

Fonte: site Christo Nihil Praeponere


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