Votar com consciência e fé

Voz do Pastor No 8 - 21 de setembro de 2010

Caros amigos, muitos vêm questionando membros do clero sobre qual é o posicionamento em relação ao voto, pois nele se manifesta a liberdade e a decisão pessoal dos cidadãos.

Os bispos do RJ, preocupados com o momento político atual, prepararam em conjunto orientações para os seus fiéis. Neste artigo repasso, em síntese, o que foi tratado.

 

1. O primeiro critério para votar em um candidato é a defesa da dignidade da Pessoa Humana e da Vida em todas as suas manifestações, desde a sua concepção até o seu fim natural com a morte. Rejeitamos toda forma de violência, bem como qualquer tipo de aborto, de exploração de menores, de eutanásia e qualquer forma de manipulação genética.

2. O segundo critério é a defesa da Família na qual a pessoa cresce e se realiza. Por isso devem ser votados aqueles candidatos que incentivam, com propostas concretas, o desenvolvimento da família segundo o plano de Deus. Opõem-se a relacionamentos que contrariam a natureza, à adoção de crianças por casais homoafetivos, à legalização da prostituição, das drogas e ao tráfico de mulheres.

3. O terceiro critério é a liberdade de Educação. Os pais têm o direito de educar os filhos segundo a visão de vida que eles julguem mais adequada. Isso comporta uma luta pela qualidade da escola pública e pela defesa da escola particular, defendendo o ensino religioso confessional e plural, de acordo com o princípio constitucional da liberdade religiosa, reconhecido também no recente Acordo entre Brasil e Santa Sé.

4. O quarto critério é o princípio da solidariedade, segundo o qual o Estado e as famílias devem ter uma particular atenção preferencial pelos pobres, àqueles que são excluídos e marginalizados.

5. O quinto critério é o princípio de subsidiariedade, ou seja, haja autonomia e ação direta participativa dos grupos, associações e famílias fazendo o que podem realizar, sem interferências ou intromissões do Estado. Este deve apoiar e subsidiar, nunca abafar ou sufocar as liberdades e a criatividade das pessoas.

6. Enfim, diante de uma situação de violência generalizada, os candidatos devem, de forma concreta e decidida, comprometer-se na construção de uma Cultura da Paz em todos os níveis, particularmente na educação e na defesa da infância e da adolescência.

 

A Igreja não assume nenhuma forma de indicação de partidos ou pessoas a seus fiéis, mas cumpre o seu papel de ajudar no discernimento para que o voto seja uma expressão de coerência com os princípios evangélicos.

 

Dom Edney Gouvêa Mattoso,

Bispo Diocesano de Nova Friburgo


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