A corrente do bem

A Voz do Pastor No 10 - 05 de outubro de 2010

 

Caros irmãos,

O homem é um ser social. A comunicação interpessoal é uma expressão de nossa humanidade.

Neste mês de outubro, dedicado pela Igreja ao tema das missões, começaremos com um artigo sobre a comunicação da fé, que foi um dos temas principais da última reunião dos bispos de toda América Latina e Caribe.

Hoje se fala muito de fé e de espiritualidade, mas de uma “espiritualidade sem religião”. Uma espécie de “fé politicamente correta”: uma mistura de filantropia, sentimentos de tolerância universal, que livra dos inconvenientes da “religião organizada” feita de dogmas, preceitos, exclusividade e compromisso. Inclusive as literaturas e os filmes modernos retratam este ambiente abstrato sem Deus e sem moral, onde a força se encontra “dentro de cada um”.

Poderíamos, então, perguntar: Onde caberiam em nossos dias os santos que passaram por este mundo pregando a mensagem divina e que ganharam, com seus generosos trabalhos, o título de missionários?

Sem dúvida se sentiriam um pouco desconfortáveis com o relativismo reinante e com esse medo hodierno à clareza de idéias, elementos indispensáveis para se transmitir uma mensagem.

Quando se fala de transmissão da fé, e, portanto, da tarefa do missionário, nos referimos ao que diz são Paulo na Primeira Carta aos Coríntios: “eu vos transmiti, antes de tudo, o que eu mesmo tinha recebido” (1Cor 15, 3); logo, em se tratando de fé “se transmite o que se recebe”.

É muito significativa a expressão de João Paulo II na sua encíclica “Redemptoris Missio”: “Não existe testemunho sem testemunhas, como não há missão sem missionários(RM 61). Para transmitir a fé em Cristo devemos aderir à sua mensagem, que recebemos da Igreja, e libertar-nos da lei dos nossos gostos e preferências.

Aderir a uma mensagem é uma tarefa. Implica o esforço de conformar os próprios atos e palavras às idéias adquiridas. Cristo nos chama a um autêntico seguimento de sua Pessoa, e este movimento não é compatível com uma “espiritualidade sem religião”, e sem compromisso...

Recordo o apelo do Santo Padre Bento XVI no ângelus do dia 23 de março deste ano.  Há 25 anos, o meu amado Predecessor (João Paulo II) convidou os jovens a professar a sua fé em Cristo que ‘assumiu sobre si a causa do homem’. Hoje eu renovo este apelo à nova geração, a dar testemunho com a força dócil e luminosa da verdade, para que aos homens e às mulheres do terceiro milênio não falte o modelo mais autêntico: Jesus Cristo”.

Sejamos fiéis a Cristo, modelos de seu amor apaixonado pelo bem da humanidade.

 

Dom Edney Gouvêa Mattoso,
Bispo Diocesano de Nova Friburgo


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