O Papa Francisco e as Periferias Existenciais

 

SANTOS, Ivanaldo. O Papa Francisco e as periferias existenciais. In: Fatos e Feitos, ano II, n. 15, março 2014, p. 9.

Ivanaldo Santos (ivanaldosantos@yahoo.com.br)

Filósofo

 

O Papa Francisco é um homem carismático que, seguindo os passos de São Francisco, procura se aproximar das pessoas, dos mais humildes e dos problemas mais profundos que angustiam o ser humano.

 

Um dos problemas que mais deixam o homem perturbado é a pobreza. Nada mais desesperador do que não ter o que comer, do que não ter água para beber. Atualmente milhões de pessoas, em muitas partes do mundo, passam fome, vivem o desespero da falta de condições básica de existência. Esses milhões de serem humanos vivem em algum tipo de periferia, seja a periferia urbana ou rural. Bem ou mal, a periferia física sempre aparece na mídia, nas políticas do Estado, nos discursos políticos e em outras manifestações da sociedade.

 

No entanto, há um tipo de periferia que quase não aparece, que tem profunda dificuldade de se mostrar e, muitas vezes, não quer aparecer. Trata-se de um tipo de periferia muito específica que o Papa Francisco vê como uma das origens, na sociedade contemporânea, da pobreza material. Trata-se da periferia existencial.

 

A periferia existencial não é um bairro, uma rua, uma cidade ou outro tipo de espaço na cidade ou no campo. A periferia existencial é o vazio da vida, é a falta de sonho, de utopias, de esperança. Lamentavelmente o mundo está cheio de periferias existenciais. A sociedade está cheia de periferias existenciais. A sociedade está cheia de pessoas que tem casas confortáveis, cheias de móveis, com geladeiras cheias de comida, com dinheiro no banco, com carro e coisas semelhantes. No entanto, essas mesmas pessoas não são felizes, vivem uma vida vazia, sem sonhos, sem projetos que possam dar um sentido maior a vida. Muitas vezes, essas mesmas pessoas, para poderem suportar o vazio da vida e do cotidiano, precisam recorrer a algum tipo de vício ou de experiência traumática, como, por exemplo, o uso de drogas, o excesso de bebidas alcoólicas, o excesso de remédios antidepressivos e coisas semelhantes.

 

O Papa Francisco convoca os homens e mulheres de boa fé a irem combater a pobreza material, dentro das periferias materiais. No entanto, ele adverte que se as periferias existenciais não forem alcançadas, se a pobreza existencial, a falta de sonho e de esperança, não for combatida, muito provavelmente a pobreza material irá crescer e se multiplicar.

 

O atual Papa, o Francisco, com suas homilias e pregações, tem ajudado a fundamentar o neoexistencialismo. O neoexistencialismo é uma corrente filosófica que procura analisar e refletir sobre os dramas, traumas e conflitos da existência humana na sociedade contemporânea. E um dos dilemas que o neoexistencialismo afirma e que mais perturba o homem contemporâneo é justamente o que o Papa Francisco chama de periferias existências, ou seja, o homem vazio, sem sonho, sem esperança. Para melhorar o mundo, para combater a pobreza material e outras formas de opressão, como bem chama a atenção o próprio Papa Francisco, é preciso reencantar o homem, o homem precisa voltar a sonhar, a confiar em Deus e a ter fé. Não basta ter casa e dinheiro, é preciso ter fé em Deus e amor ao próximo.


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