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Artigo

A DIDAQUÉ: UM CATECISMO DO SÉCULO I

Às vezes surpreendemo-nos perante afirmações como que a Didaqué seria uma espécie de documento “papista”, quando na realidade é um documento precioso que, sem ser canônico e considerado apócrifo ou, como se diz mais elegantemente na atualidade, extra-canônico, nos aporta, seguindo os eruditos, preciosas informações de que como se organizou a fé cristã em seus começos, pouco após a morte-ressurreição de Jesus.

Ao ler os livros extra-canônicos, tem-se impressão de que caem das mãos. Porém, quando a gente examina autores como Willy Rodorf e André Tuilier, Gerd Theissen, Crossan, Urbano Zilles, etc., percebemos nas entrelinhas e a dar valor a textos que, mesmo não tendo sido aceitos pelas igrejas desde o início, nos falam daqueles primeiros tempos do cristianismo, daquelas igrejas primitivas, daqueles itinerantes graças aos quais a fé em Jesus Cristo foi se espalhando e estabelecendo em comunidades e igrejas.


1º. Sobre o documento.

a) A palavra grega “didaqué” quer dizer instrução, ensinamento ou doutrina dos Apóstolos, mesmo que ninguém acredite ser dos 12 apóstolos e sim, a experiência de umas das primitivas comunidades cristãs.

b) Este documento foi encontrado em 1883 por Philotheos Byrennios, no momento, metropolita de Sérrai na Macedônia, que publicou um manuscrito grego, datado de 1056. Desde 1887 permanece com o patriarcado de Jerusalém, onde é conhecido como o Códice Hierossimilitano 54. Outras versões parciais foram encontradas: uma geórgica, um fragmento em copto que se encontra no Museu Britânico, dois fragmentos em grego e um fragmento no papiro de Oxyrhynchos, datado entre os séculos IV e V. Em 1900 descobriu-se também uma cópia latina que se encontra no Museu de Munique, datada do século XI.

c) A Didaqué foi compilada, segundo uns autores, entre os anos 50-70, ou segundo outros entre os anos 90-100. Se foi redigida, mesmo que tenha sido apenas em suas primeiras partes, nos anos 50, estamos em plena época de São Paulo. Todos os autores estão de acordo em que a comunidade na qual foi escrita estaria situada na Palestina ou na Síria e, talvez na própria Antioquia.

d) Esta comunidade estava formada por judeu-cristãos que, provavelmente, começou acolher também alguns pagãos.


2º. Sobre o conteúdo.

a) Podemos dizer que a Didaqué é uma instrução, não teórica nem filosófica, senão para a prática da vida da comunidade e para os membros que vão chegando e sendo assumidos por ela. Seria, por assim dizer, o mais antigo catecismo formulado por uma das Igrejas primitivas. Os autores discordam se esta comunidade conheceria algum dos evangelhos que temos hoje ou não. Ou se teve aceso ao hipotético Evangelho Q (do alemão Quelle = Fonte), ou ainda se conheceriam a hipotética Tradição dos Ditos Comuns, anterior ao Evangelho Q.

b) Trata-se de uma comunidade de origem judaica, pois acolhe o conhecimento antigo judaico. De qualquer modo, Jesus foi um judeu piedoso e poderia conhecer também tradições antigas. A Didaqué traz a pré-cristã “regra de ouro” de “não fazer aos outros aquilo que não queres que te façam” ou, em positivo, de “fazer aos outros aquilo que queres que eles te façam”, presente também no chamado Evangelho Q, deduzido de trechos comuns de Lucas e Mateus.

c) Seu conteúdo pode ser dividido em quatro partes:


I (I,1 – VI,2): Este trecho contém uma instrução para os novos membros que se resume no chamado, “Dois caminhos” que se encontra também em textos pré-cristãos judaicos. Caminho da vida ou caminho da morte. Pode-se resumir no caminho do bem e no caminho do mal. Daqui se acusa o documento como judaizante apesar de que também foi conhecido pelos padres apostólicos e que apareceu em outros textos cristãos dos primeiros séculos. Dentro das denúncias do mal aparecem tanto o aborto quanto a pedofilia. Parecem duas questões modernas? Pois não são! Trata-se de práticas bem antigas e radicalmente rejeitadas pela comunidade primitiva.

II (VI,3-X,7): Neste espaço encontramos, especialmente, as normas litúrgicas que regiam as orações comunitárias. Entre elas a celebração do batismo, praticamente, como o conhecemos hoje e uma celebração rudimentar eucarística e/ou ágape fraterno, testemunha da fé mais primitiva. É daqui donde surgem as acusações de “papismo” ao documento, pois naquela comunidade original se permite batizar em qualquer água: corrente, fria, quente, por imersão ou derramando três vezes água sobre a cabeça do batizando, sempre “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Também se fala sobre o dever de rezar o Pai Nosso, três vezes por dia e sobre a indispensável partilha ou ajuda constate para com os pobres.

III (XI,1-XV,4): Nestes capítulos descobrimos o seguinte: por um lado temos a comunidade estabelecida; por outro, a visita dos chamados “apóstolos e profetas” que nos dá conta de como eram aquelas primeiras igrejas. A comunidade estável era visitada pelos itinerantes, chamados dignamente como apóstolos ou profetas, que traziam a palavra inspirada como palavra do Senhor. (“Todo apóstolo seja recebido como o Senhor”, diz a Didaqué). Os autores querem descobrir uma tensão dialética entre o radicalismo dos itinerantes e a assunção de seus princípios pela comunidade estável. Por outro lado, do mesmo jeito que a comunidade primitiva acolhia com toda generosidade àqueles pregadores itinerantes, também compôs normas para se defender dos “falsos” profetas e apóstolos. Por exemplo, diz a Didaqué, “todo profeta que ensina a verdade sem praticá-la é um falso profeta”. Parece ser que este princípio serve até hoje. “Aquele que disser, dá-me dinheiro ou qualquer outra coisa, não o escuteis...”. Evidentemente é um aproveitador. “Se ... é um comerciante de Cristo, acautelai-vos contra tal gente”. Quer dizer, que já no começo havia “comerciantes de Cristo”, (em grego “Christemporos, palavra em cujas raízes se encontram, “Cristo” e “empório”). Parece ser que nossos problemas modernos são bem antigos!

IV (XVI,1-8). Trata-se, como não poderia deixar de ser no cristianismo primitivo, de apelos apocalípticos finais.


Observações:

É claro que a Didaqué não é um documento canônico. O chamado cânon de Muratori, que é uma pequena lista de livros reconhecidos como revelados ou inspirados pela Igreja de Roma, composto na segunda metade do século II, não fala neste primeiro catecismo. Reconhece como inspirados os quatro evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, o livro dos Atos dos Apóstolos, algumas das cartas de Paulo e João, etc. A Igreja de Roma não reconheceu como revelado nem mesmo o livro conhecido como o “Pastor” de Hermas, escrito pelo próprio Hermas, irmão de Pio I, bispo da cidade de Roma mais ou menos entre os anos 140 e 154, mesmo que o recomende como uma leitura piedosa.

Assim, pois, qualificar a Didaqué de “papista”, parece-me um anacronismo. A palavra “Papa”, não quer dizer nada além de “pai” e que o povo cristão deu, carinhosamente, ao Bispo de Roma. No momento em que a Didaqué foi redigida, a autoridade estava dispersa entre as Igrejas reconhecidamente apostólicas, isto é fundadas diretamente pelos Doze Apóstolos. Uma delas era a de Antioquia. Por que era assim? É simples: na época não havia evangelhos escritos. Qualquer lista de palavras ou fatos atribuídos a Jesus teria sempre que se contrastar com a palavra dos próprios Apóstolos ou teria que ser derivada deles. Apenas a partir da década dos sessenta até o final do século I é que se compõem os Evangelhos como os conhecemos hoje.

Isto não exclui a existência de outros evangelhos que, a partir do século II foram sendo redigidos em outras várias comunidades e colocados sob a autoridade de uns e de outros contemporâneos de Jesus e que conhecemos como apócrifos ou, melhor, extra-canônicos.

E, como disse anteriormente, não seria uma surpresa para os eruditos que aparecessem, numa ou noutra escavação arqueológica, coleções de ditos ou de feitos de Jesus, aos que eles já deram nome, por exemplo, o Evangelho Q ou a anterior Tradição dos Ditos Comuns.

Conclusão:

Os escritos extra-canônicos podem nos ajudar, se não a conhecer Jesus ele mesmo, a entender os problemas, questionamentos, tensões, desentendimentos e conhecer o que aconteceu nos primeiros séculos do cristianismo.

Hoje, pensamos numa espécie de tronco comum, chamado cristianismo, do qual derivariam as Igrejas ou várias denominações eclesiais. Mas não foi assim. Podemos perceber que, na origem, existiam as Igrejas ou comunidades de fé, fundamentadas ou alimentadas pela palavra “inspirada” de “apóstolos ou profetas” itinerantes. Especialmente, as Igrejas consideradas apostólicas ou, diretamente fundadas pelos Apóstolos. O nome de “cristão” e cristianismo veio depois e como um modo de pôr em ridículo os seguidores de um tal “Crestos” ou “Cristo”. Parece ser que este nome se deu, em primeiro lugar, para os seguidores de Jesus na Igreja de Antioquia.

É claro que tudo isso não atinge a fé em Jesus Cristo, nosso Senhor, que por nós morreu e ressuscitou, mas nos ajuda a perceber uma longa história na institucionalização e vivência da fé nele. Quem sabe? Estes escritos não nos ajudam a todos a concretizar uma união entre as igrejas, de uma maneira nova e impensada ainda. Talvez, uma união, mais na prática do que na teoria, mais na ortopraxia do que na ortodoxia... Ao tempo!

Pe. Agustin Juan Calatayud y Salom sj , Padre, Pároco de Nossa Senhora da Esperança.


 

DIDAQUÉ - A Instrução dos Doze Apóstolos

1. O Caminho da Vida e o Caminho da Morte

 

Capítulo I

 

1. Existem dois caminhos: o caminho da vida e o caminho da morte. Há uma grande diferença entre os dois.

2. Este é o caminho da vida: primeiro, ame a Deus que o criou; segundo, ame a seu próximo como a si mesmo. Não faça ao outro aquilo que você não quer que façam a você.

3. Este é o ensinamento derivado dessas palavras: bendiga aqueles que o amaldiçoam, reze por seus inimigos e jejue por aqueles que o perseguem. Ora, se você ama aqueles que o amam, que graça você merece? Os pagãos também não fazem o mesmo? Quanto a você, ame aqueles que o odeiam e assim você não terá nenhum inimigo.

4. Não se deixe levar pelo instinto. Se alguém lhe bofeteia na face direita, ofereça-lhe também a outra face e assim você será perfeito. Se alguém o obriga a acompanhá-lo por um quilometro, acompanhe-o por dois. Se alguém lhe tira o manto, ofereça-lhe também a túnica. Se alguém toma alguma coisa que lhe pertence, não a peça de volta porque não é direito.

5. Dê a quem lhe pede e não peças de volta pois o Pai quer que os seus bens sejam dados a todos. Bem-aventurado aquele que dá conforme o mandamento pois será considerado inocente. Ai daquele que recebe: se pede por estar necessitado, será considerado inocente; mas se recebeu sem necessidade, prestará contas do motivo e da finalidade. Será posto na prisão e será interrogado sobre o que fez... e daí não sairá até que devolva o último centavo.

6. Sobre isso também foi dito: que a sua esmola fique suando nas suas mãos até que você saiba para quem a está dando.

 

Capítulo II

 

1. O segundo mandamento da instrução é:

2. Não mate, não cometa adultério, não corrompa os jovens, não fornique, não roube, não pratique a magia nem a feitiçaria. Não mate a criança no seio de sua mãe e nem depois que ela tenha nascido.

3. Não cobice os bens alheios, não cometa falso juramento, nem preste falso testemunho, não seja maldoso, nem vingativo.

4. Não tenha duplo pensamento ou linguajar pois o duplo sentido é armadilha fatal.

5. A sua palavra não deve ser em vão, mas comprovada na prática.

6. Não seja avarento, nem ladrão, nem fingido, nem malicioso, nem soberbo. Não planeje o mal contra o seu próximo.

7. Não odeie a ninguém, mas corrija alguns, reze por outros e ame ainda aos outros, mais até do que a si mesmo.

 

Capítulo III

 

1. Filho, procure evitar tudo aquilo que é mau e tudo que se parece com o mal.

2. Não seja colérico porque a ira conduz à morte. Não seja ciumento também, nem briguento ou violento, pois o homicídio nasce de todas essas coisas.

3. Filho, não cobice as mulheres pois a cobiça leva à fornicação. Evite falar palavras obscenas e olhar maliciosamente já que os adultérios surgem dessas coisas.

4. Filho, não se aproxime da adivinhação porque ela leva à idolatria. Não pratique encantamentos, astrologia ou purificações, nem queira ver ou ouvir sobre isso, pois disso tudo nasce a idolatria.

5. Filho, não seja mentiroso pois a mentira leva ao roubo. Não persiga o dinheiro nem cobice a fama porque os roubos nascem dessas coisas.

6. Filho, não fale demais pois falar muito leva à blasfêmia. Não seja insolente, nem tenha mente perversa porque as blasfêmias nascem dessas coisas.

7. Seja manso pois os mansos herdarão a terra.

8. Seja paciente, misericordioso, sem maldade, tranqüilo e bondoso. Respeite sempre as palavras que você escutou.

9. Não louve a si mesmo, nem se entregue à insolência. Não se junte com os poderosos, mas aproxima dos justos e pobres.

10. Aceite tudo o que acontece contigo como coisa boa e saiba que nada acontece sem a permissão de Deus.

 

Capítulo IV

 

1. Filho, lembre-se dia e noite daquele que prega a Palavra de Deus para você. Honre-o como se fosse o próprio Senhor, pois Ele está presente onde a soberania do Senhor é anunciada.

2. Procure estar todos os dias na companhia dos fiéis para encontrar forças em suas palavras.

3. Não provoque divisão. Ao contrário, reconcilia aqueles que brigam entre si. Julgue de forma justa e corrija as culpas sem distinguir as pessoas.

4. Não hesite sobre o que vai acontecer.

5. Não te pareças com aqueles que dão a mão quando precisam e a retiram quando devem dar.

6. Se o trabalho de suas mãos te rendem algo, as ofereça como reparação pelos seus pecados.

7. Não hesite em dar, nem dê reclamando porque, na verdade, você sabe quem realmente pagou sua recompensa.

8. Não rejeite o necessitado. Compartilhe tudo com seu irmão e não diga que as coisas são apenas suas. Se vocês estão unidos nas coisas imortais, tanto mais estarão nas coisas perecíveis.

9. Não se descuide de seu filho ou filha. Muito pelo contrário, desde a infância instrua-os a temer a Deus.

10. Não dê ordens com rudeza ao seu escravo ou escrava pois eles também esperam no mesmo Deus que você; assim, não perderão o temor de Deus, que está acima de todos. Certamente Ele não virá chamar a pessoa pela aparência, mas somente aqueles que foram preparados pelo Espírito.

11. Quanto a vocês, escravos, obedeçam aos seus senhores, com todo o respeito e reverência, como à própria imagem de Deus.

12. Deteste toda a hipocrisia e tudo aquilo que não agrada o Senhor. não acrescente ou retire nada.

14. Confesse seus pecados na reunião dos fiéis e não comece a orar estando com má consciência. Este é o caminho da vida.

 

Capítulo V

 

1. Este é o caminho da morte: primeiro, é mau e cheio de maldições - homicídios, adultérios, paixões, fornicações, roubos, idolatria, magias, feitiçarias, rapinas, falsos testemunhos, hipocrisias, coração com duplo sentido, fraudes, orgulho, maldades, arrogância, avareza, palavras obscenas, ciúmes, insolência, altivez, ostentação e falta de temor de Deus.

2. Nesse caminho trilham os perseguidores dos justos, os inimigos da verdade, os amantes da mentira, os ignorantes da justiça, os que não desejam o bem nem o justo julgamento, os que não praticam o bem mas o mal. A calma e a paciência estão longe deles. Estes amam as coisas vãs, são ávidos por recompensas, não se compadecem com os pobres, não se importam com os perseguidos, não reconhecem o Criador. São também assassinos de crianças, corruptores da imagem de Deus, desprezam os necessitados, oprimem os aflitos, defendem os ricos, julgam injustamente os pobres e, finalmente, são pecadores consumados. Filho, afaste-se disso tudo.

 

Capítulo VI

 

1. Fique atento para que ninguém o afaste do caminho da instrução, pois quem faz isso ensina coisas que não pertencem a Deus.

2. Você será perfeito se conseguir carregar todo o jugo do Senhor. Se isso não for possível, faça o que puder.

3. A respeito da comida, observe o que puder. Não coma nada do que é sacrificado aos ídolos pois esse culto é destinado a deuses mortos.

 

2. A Celebração Litúrgica

 

Capítulo VII

 

1. Quanto ao batismo, faça assim: depois de ditas todas essas coisas, batize em água corrente, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

2. Se você não tiver água corrente, batize em outra água. Se não puder batizar com água fria, faça com água quente.

3. Na falta de uma ou outra, derrame água três vezes sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

4. Antes de batizar, tanto aquele que batiza como o batizando, bem como aqueles que puderem, devem observar o jejum. Você deve ordenar ao batizando um jejum de um ou dois dias.

 

Capítulo VIII

 

1. Os seus jejuns não devem coincidir com os dos hipócritas. Eles jejuam no segundo e no quinto dia da semana. Porém, você deve jejuar no quarto dia e no dia da preparação.

2. Não reze como os hipócritas, mas como o Senhor ordenou em seu Evangelho. Reze assim: "Pai nosso que estás no céu, santificado seja o teu nome, venha o teu Reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão-nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai nossa dívida, assim como também perdoamos os nossos devedores e não nos deixes cair em tentação, mas livrai-nos do mal porque teu é o poder e a glória para sempre".

3. Reze assim três vezes ao dia.

 

Capítulo IX

 

1. Celebre a Eucaristia assim:

2. Diga primeiro sobre o cálice: "Nós te agradecemos, Pai nosso, por causa da santa vinha do teu servo Davi, que nos revelaste através do teu servo Jesus. A ti, glória para sempre".

3. Depois diga sobre o pão partido: "Nós te agradecemos, Pai nosso, por causa da vida e do conhecimento que nos revelaste através do teu servo Jesus. A ti, glória para sempre.

4. Da mesma forma como este pão partido havia sido semeado sobre as colinas e depois foi recolhido para se tornar um, assim também seja reunida a tua Igreja desde os confins da terra no teu Reino, porque teu é o poder e a glória, por Jesus Cristo, para sempre".

5. Que ninguém coma nem beba da Eucaristia sem antes ter sido batizado em nome do Senhor pois sobre isso o Senhor disse: "Não dêem as coisas santas aos cães".

 

Capítulo X

 

1.Após ser saciado, agradeça assim:

2. "Nós te agradecemos, Pai santo, por teu santo nome que fizeste habitar em nossos corações e pelo conhecimento, pela fé e imortalidade que nos revelaste através do teu servo Jesus. A ti, glória para sempre.

3. Tu, Senhor onipotente, criaste todas as coisas por causa do teu nome e deste aos homens o prazer do alimento e da bebida, para que te agradeçam. A nós, porém, deste uma comida e uma bebida espirituais e uma vida eterna através do teu servo.

4. Antes de tudo, te agradecemos porque és poderoso. A ti, glória para sempre.

5. Lembra-te, Senhor, da tua Igreja, livrando-a de todo o mal e aperfeiçoando-a no teu amor. Reúne dos quatro ventos esta Igreja santificada para o teu Reino que lhe preparaste, porque teu é o poder e a glória para sempre.

6. Que a tua graça venha e este mundo passe. Hosana ao Deus de Davi. Venha quem é fiel, converta-se quem é infiel. Maranatha. Amém."

7. Deixe os profetas agradecerem à vontade.

 

3. A Vida em Comunidade

 

Capítulo XI

 

1. Se vier alguém até você e ensinar tudo o que foi dito anteriormente, deve ser acolhido.

2. Mas se aquele que ensina é perverso e ensinar outra doutrina para te destruir, não lhe dê atenção. No entanto, se ele ensina para estabelecer a justiça e conhecimento do Senhor, você deve acolhê-lo como se fosse o Senhor.

3. Já quanto aos apóstolos e profetas, faça conforme o princípio do Evangelho.

4. Todo apóstolo que vem até você deve ser recebido como o próprio Senhor.

5. Ele não deve ficar mais que um dia ou, se necessário, mais outro. Se ficar três dias é um falso profeta.

6. Ao partir, o apóstolo não deve levar nada a não ser o pão necessário para chegar ao lugar onde deve parar. Se pedir dinheiro é um falso profeta.

7. Não ponha à prova nem julgue um profeta que fala tudo sob inspiração, pois todo pecado será perdoado, mas esse não será perdoado.

8. Nem todo aquele que fala inspirado é profeta, a não ser que viva como o Senhor. É desse modo que você reconhece o falso e o verdadeiro profeta.

9. Todo profeta que, sob inspiração, manda preparar a mesa não deve comer dela. Caso contrário, é um falso profeta.

10. Todo profeta que ensina a verdade mas não pratica o que ensina é um falso profeta.

11. Todo profeta comprovado e verdadeiro, que age pelo mistério terreno da Igreja, mas que não ensina a fazer como ele faz não deverá ser julgado por você; ele será julgado por Deus. Assim fizeram também os antigos profetas.

12. Se alguém disser sob inspiração: "Dê-me dinheiro" ou qualquer outra coisa, não o escutem. Porém, se ele pedir para dar a outros necessitados, então ninguém o julgue.

 

Capítulo XII

 

1. Acolha todo aquele que vier em nome do Senhor. Depois, examine para conhecê-lo, pois você tem discernimento para distinguir a esquerda da direita.

2. Se o hóspede estiver de passagem, dê-lhe ajuda no que puder. Entretanto, ele não deve permanecer com você mais que dois ou três dias, se necessário.

3. Se quiser se estabelecer e tiver uma profissão, então que trabalhe para se sustentar.

4. Porém, se ele não tiver profissão, proceda de acordo com a prudência, para que um cristão não viva ociosamente em seu meio.

5. Se ele não aceitar isso, trata-se de um comerciante de Cristo. Tenha cuidado com essa gente!

 

Capítulo XIII

 

1. Todo verdadeiro profeta que queira estabelecer-se em seu meio é digno do alimento.

2. Assim também o verdadeiro mestre é digno do seu alimento, como qualquer operário.

3. Assim, tome os primeiros frutos de todos os produtos da vinha e da eira, dos bois e das ovelhas, e os dê aos profetas, pois são eles os seus sumos-sacerdotes.

4. Porém, se você não tiver profetas, dê aos pobres.

5. Se você fizer pão, tome os primeiros e os dê conforme o preceito.

6. Da mesma maneira, ao abrir um recipiente de vinho ou óleo, tome a primeira parte e a dê aos profetas.

7. Tome uma parte de seu dinheiro, da sua roupa e de todas as suas posses, conforme lhe parecer oportuno, e os dê de acordo com o preceito.

 

Capítulo XIV

 

1. Reúna-se no dia do Senhor para partir o pão e agradecer após ter confessado seus pecados, para que o sacrifício seja puro.

2. Aquele que está brigado com seu companheiro não pode juntar-se antes de se reconciliar, para que o sacrifício oferecido não seja profanado.

3. Esse é o sacrifício do qual o Senhor disse: "Em todo lugar e em todo tempo, seja oferecido um sacrifício puro porque sou um grande rei - diz o Senhor - e o meu nome é admirável entre as nações".

 

Capítulo XV

 

1. Escolha bispos e diáconos dignos do Senhor. Eles devem ser homens mansos, desprendidos do dinheiro, verazes e provados pois também exercem para vocês o ministério dos profetas e dos mestres.

2. Não os despreze porque eles têm a mesma dignidade que os profetas e os mestres.

3. Corrija uns aos outros, não com ódio, mas com paz, como você tem no Evangelho. E ninguém fale com uma pessoa que tenha ofendido o próximo; que essa pessoa não escute uma só palavra sua até que tenha se arrependido.

4. Faça suas orações, esmolas e ações da forma que você tem no Evangelho de nosso Senhor.

 

4. O Fim dos Tempos

 

Capítulo XVI

 

1. Vigie sobre a vida uns dos outros. Não deixe que sua lâmpada se apague, nem afrouxe o cinto dos rins. Fique preparado porque você não sabe a que horas nosso Senhor chegará.

2. Reúna-se com freqüência para que, juntos, procurem o que convém a vocês; porque de nada lhe servirá todo o tempo que viveu a fé se no último instante não estiver perfeito.

3. De fato, nos últimos dias se multiplicarão os falsos profetas e os corruptores, as ovelhas se transformarão em lobos e o amor se converterá em ódio.

4. Aumentando a injustiça, os homens se odiarão, se perseguirão e se trairão mutuamente. Então o sedutor do mundo aparecerá, como se fosse o Filho de Deus, e fará sinais e prodígios. A terra será entregue em suas mãos e cometerá crimes como jamais foram cometidos desde o começo do mundo.

5. Então toda criatura humana passará pela prova de fogo e muitos, escandalizados, perecerão. No entanto, aqueles que permanecerem firmes na fé serão salvos por aquele que os outros amaldiçoam.

6. Então aparecerão os sinais da verdade: primeiro, o sinal da abertura no céu; depois, o sinal do toque da trombeta; e, em terceiro, a ressurreição dos mortos.

7. Sim, a ressurreição, mas não de todos, conforme foi dito: "O Senhor virá e todos os santos estarão com ele".

8. Então o mundo assistirá o Senhor chegando sobre as nuvens do céu.

 

Tradução: Carlos Martins Nabeto


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