Papa Francisco explica o verdadeiro sentido do ecumenismo

 

Segundo o site ACI Digital (11/11/2016), o Papa Francisco recebeu os participantes da Plenária do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e afirmou que esta unidade desejada por Jesus “é uma das minhas principais preocupações”; entretanto, recordou que “a unidade não é conformidade”.

“A unidade dos cristãos não é um ecumenismo de ‘marcha ré’, não obriga ninguém a renegar a própria história de fé; nem é possível tolerar o proselitismo, que envenena o caminho ecumênico”, acrescentou o Pontífice durante a audiência realizada no Palácio Apostólico.

O Santo Padre recordou os diferentes encontros ecumênicos dos quais participou, tanto em Roma como fora da Itália, ao longo deste ano e afirmou que “cada uma destas reuniões foi para mim uma fonte de consolo ao constatar que o desejo de comunhão permanece vivo com intensidade”.

Francisco sublinhou que “a unidade dos cristãos é um requisito essencial da nossa fé. Um requisito que brota do fundo de nosso ser como crentes em Jesus Cristo. Chamamos à unidade porque invocamos Cristo. Queremos viver a unidade, porque queremos seguir Cristo, viver o seu amor, gozar do mistério de sua unidade com o Pai, que é a essência do amor divino”.

O Bispo de Roma recordou o caráter divino do caminho ecumênico, pois “a unidade não é fruto de esforços humanos ou fruto da diplomacia eclesiástica, mas um dom do céu”. Segundo explicou, “não somos capazes de chegar à unidade por nós mesmos, nem podemos decidir sobre a forma e os tempos” em que acontecerá esta unidade.

“Qual é, portanto, o nosso papel?”, perguntou-se. “O que podemos fazer para promover a unidade dos cristãos? Nossa tarefa é acolher o dom e torná-lo visível a todos os homens”.

“Deste ponto de vista – continuou –, a unidade, mais do que uma meta, é um caminho, com sua tabela de marcha, seus ritmos, às vezes lentos e outras vezes acelerados. E como todo caminho há esperas, tenacidade, fadiga e esforço; não anula conflitos nem cancela contrastes, de fato, muitas vezes podem acontecer novos mal-entendidos”.

Francisco advertiu contra aqueles que não têm uma disposição sincera para seguir esse caminho. “A unidade só pode ser recebida por aqueles que decidem avançar com uma meta que hoje pode parecer muito distante. Entretanto, quem percorre este caminho é confortado pela contínua experiência de uma comunhão felizmente avistada, mesmo que não ainda alcançada”.

“Qual é a relação que mais une todos nós do que sermos pecadores e ao mesmo tempo alvo da infinita misericórdia de Deus?”, questionou o Papa de forma retórica.

A cooperação, o diálogo, a oração conjunta, são sinais de que esse ecumenismo é verdadeiro e que, em muitos aspectos, os cristãos já estão unidos, embora seja necessário aprofundar essa unidade: “Do mesmo modo, a unidade do amor já é uma realidade no momento em que aqueles aos quais Deus chamou a fazer parte de seu povo anunciam juntos as maravilhas que fez por nós”.

“Deve-se recordar que quando caminhamos juntos nos sentimos como irmãos: Rezamos juntos, colaboramos no anúncio do Evangelho e no serviço aos unidos… Todas as diferenças teológicas e eclesiológicas que dividiram os cristãos serão superadas ao longo deste caminho. Não sabemos como e quando, mas ocorrerá segundo o que o Espírito Santo queira sugerir pelo bem da Igreja”.

O Pontífice também insistiu que “a unidade não é conformidade”. “As diferentes tradições teológicas, litúrgicas, espirituais e canônicas que se desenvolveram no mundo cristão, quando permanecem enraizadas de modo autêntico na tradição apostólica, são uma riqueza e não uma ameaça para a unidade da Igreja”.

Neste sentido, assegurou que “tentar suprimir essa diversidade é ir contra o Espírito Santo, que atua enriquecendo a comunidade de crentes com uma variedade de dons”.

Portanto, “a tarefa ecumênica implica o respeito à legítima diversidade, a superar as diferenças irreconciliáveis com a unidade que Deus nos pede. A persistência destas diferenças não deve nos paralisar, mas deve impulsionar a procurar juntos a forma de enfrentar esses obstáculos”.

“A comunidade cristã, com sua pluralidade, é chamada a não competir, mas colaborar”, concluiu.

Fonte: http://www.acidigital.com/noticias/papa-francisco-explica-o-verdadeiro-sentido-do-ecumenismo-22218/

 


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