HOMILIAS (667)'
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Artigo

Pregações: Homilias - Perdoar é curar com auxílio da fé - por Padre José Ruy

Perdoar não é esquecer, isso é amnésia.
Perdoar é se lembrar sem ferir e sem sofrer: isso é cura.
Por isso é uma decisão, não um sentimento.

Hoje o Evangelho fala do amor aos inimigos e sempre tenho a impressão que exige um pouco mais de fé para ser entendido do que em outros lugares da Palavra Santa. Talvez porque o sentimento de injustiça atinja fibras muito íntimas de nosso coração. Quem nunca foi injustiçado? Quem nunca sofreu uma maldade? São lembranças terríveis, não é mesmo?
E, por isso, agora ao ouvir:
“Não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda!” e
“Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem!”
Parece que isso mexe profundamente com a gente.

Poderíamos, inclusive, deixar isso de lado, ignorar como mais um conselho sem esperança de uma prática possível. Mas, o que lemos hoje tem um diferencial. Foi dito por Jesus. Ele sabe o que está dizendo, tanto porque nos conhece muito bem, quanto por ele mesmo ser um exemplo sem igual de paciência diante do malvado e do injusto.

Diante d’Ele não vale dizer que “ele não sabe do que está falando”. Então só nos resta uma saída: procurar compreender o que ele está falando. Porque a mensagem é para nós! É mensagem de salvação!

Em primeiro lugar, Jesus está falando para as pessoas, não está dando conselho às organizações sociais. Isso é importante porque tem gente que se desespera diante desta mensagem porque logo pensa que devemos abrir todas as penitenciárias e tirar os policiais das ruas porque Jesus mandou amar e perdoar todo mundo. Não é assim! O Estado deve garantir a ordem e a paz valorizando o bem e punindo o mal. Não dá pra acreditar que o Evangelho já entrou no coração de todo mundo. Se for assim agente dá um pouquinho mais de folga para os policiais e poupa o grande problema social das penitenciarias, mas mesmo numa sociedade ideal, enquanto o mundo for mundo, precisaremos de policia e de cadeia. E se ficarem fazias, não reclamaremos, não é verdade?

Em segundo lugar, Jesus não está falando a qualquer grupo de pessoas, mas aos seus discípulos, que poderão aplicar seus conselhos em sua vida, mas não sem o auxílio do dom da fé. Isso mesmo! É preciso acreditar nas palavras de Jesus e agir em consequência por fé!
Vamos lá! O que devemos fazer?

Em primeiro lugar, amar os que nos amam e não injuriar a ninguém; Em segundo, não nos vingarmos quando injuriados; Em terceiro, quando precisarmos corrigir ou ser restituídos, que a pena seja empregada com mansidão e não na mesma medida.
Mas o espírito que deve envolver tudo isso é sempre o de perdão e amor.
Inclusive Jesus alude a possibilidade de não exigir reparação, de dar ao injusto o bem que ele não merece e ainda mais e, por fim, rogar a Deus por Ele.

Ah, padre! O senhor me desculpe, mas eu não faço isso não! Eu sei, Jesus também sabe. Por isso Ele tem a paciência de nos explicar e dar-nos também o exemplo.
Mas você quer fazer assim como Jesus nos ensina? Então deponha o ódio, perdoe, volte às boas com o seu irmão. Jesus não pede que simplesmente nos abracemos e finjamos que nada aconteceu, mas que nos amemos. Reze pelo seu irmão, não lhe negue um bom dia e responda quando ele te perguntar alguma coisa, não lhe negue ajuda, quando precisar. Esse é o Evangelho do Reino! Fomos feitos para esse Reino.

Tem tanta guerra e desamor no mundo e nós, cristãos, ainda vamos aumentar essa medida de ódio que já está transbordando?
Por último você poderia me perguntar: E se a sociedade toda fizesse assim? O senhor não acha que seria uma bagunça?

Respondo que não sei. Nunca houve nenhum governo no mundo onde os cidadãos vivessem, sem exceção, o que pede o Evangelho. Sei, entretanto, que alguns seguiram pessoalmente estes conselhos de Jesus, e encontraram nisso o que ninguém jamais encontrou vingando-se e retribuindo olho por olho. Eles encontraram a paz. E todos nós somos convocados por Jesus a fazer a mesma experiência.

Muitas vezes experimentamos ser iluminados por aqueles que perdoamos, podemos ganhar um irmão. Grandes amizades nascem de um pedido de perdão, matrimônios em crise se salvam todos os dias porque alguém se dispõe a pedir perdão e outro se dispõe a perdoar.
Por outro lado, a vingança produz mais vingança. E esse é um mal sem remédio até que apareça alguém capaz de aguentar a injustiça e perdoar em seguida. Foi isso que fez Jesus na cruz, é isso que faz nosso Pai do Céu. Está lançado o desafio!

Pe. José Ruy


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