Catástrofe da China, filho único

 

Sergio Sebold

Economista e professor independente

seboldunico@gmail.com

 

Este é o resultado quando o estado intervém no íntimo das famílias, como também pretendem fazer no Brasil. Há uma máquina publicitária e subliminar, levando a atual geração de mulheres que vão surgindo, no cenário populacional, para não ter mais filhos usando de todos os argumentos possíveis, desde a poluição, desmatamento, destruição do nosso planeta, condições econômicas para sustentar a família, risco de vida da parturiente etc. Há um primarismo tão absurdo nestas alegações, que leva uma geração inteira a perder o verdadeiro sentido da vida.

 

A reprodução humana pelo parto, e de todas as espécies vivas, que seguem exatamente o mesmo critério, sempre tem sido um momento critico da espécie, particularmente no caso humano das mulheres. A história tem registrado, sempre pelo lado negativo e em letras garrafais, situações dramáticas, quando mães e filhos sofreram o martírio de sua vida.  Primeiro é bom ressaltar que estes casos, não há referência estatística relativa que tenha alguma relevância. Não se deixa subestimar os sofrimentos dos que tenham passado por este trauma. Mas, pelo lado positivo a alegria deste momento é de um mistério incomensurável.

 

Desde que o ser humano existe, elas (“as evas”) sempre assumiram, como todas as fêmeas da natureza, este compromisso com o Criador, o autor da vida. Segundo pesquisas mais recentes, tem-se levantado a tese que o parto é um ato natural, como o é assim, a necessidade de urinar, defecar, soar, respirar etc.  Em tese não deve haver sofrimento, apenas certo desconforto momentâneo. O corpo feminino já está estruturado para este momento da maternidade. Esta é uma das maravilhas da natureza.

 

As meninas do passado já desde tenra idade eram condicionadas para seu momento no futuro, do qual infelizmente algumas “titias” mostravam mais o lado do risco do que a beleza exuberante da vida; sobretudo, graças às “evas” estamos aqui. Não se negam situações dramáticas ocorridas no passado, coisa que a mídia recente coloca no topo do imaginário negativista. Isto levou certo pavor pela informação altamente democratizada a todas as jovens candidatas a futuras mães, levando a uma restrição dramática na geração.  Chegando ao paroxismo de não desejarem mais ter filhos, usando de outros argumentos fictícios, para suas posições, desemprego, insegurança matrimonial etc.

 

Atrás deste contexto encontramos os interesses do Estado, para interferir nesse processo geracional. Por razões “estratégicas”, houveram por parte de diversos países se intrometerem no intimo das famílias, para dirigirem o quantum familiar deveria ter. É o caso da China. Não se pode negar, a superpopulação que enfrentaram. Mas a política meramente numérica de redução da prole sem qualquer estudo profundo, levou no longo prazo, agora já presente, uma situação dramática para sua própria economia. Isto é, criaram um abismo pior do que havia antes da superpopulação.  O dirigismo estatal levou a China à beira de uma desestruturação demográfica, que afetou todo o sistema produtivo. Não há agora um número suficiente de trabalhadores para sustentar toda a máquina de produção, em decorrência de uma população longeva que a cada dia aumenta mais, sem contar que também esticou a própria longevidade. A China está vivendo um desequilíbrio estrutural de sua população monumental.  É de se suspeitar que a queda de seu crescimento do PIB, nos últimos 10 anos, se deva a este fenômeno social. Acresce a tudo isso a questão cultural, onde a limitação levou a população optar por filhos homens porque estes têm o compromisso de sustentar seus pais na velhice. Os partos femininos eram descartados pelo aborto quando se tinha conhecimento pela moderna medicina. Segundo alguns demógrafos há um déficit de 100 milhões a 200 milhões de mulheres. Não há mais o par histórico de equilíbrio.  As consequências são gerar todo o tipo de atrocidades humanas, como tráficos de mulheres (importação do exterior) sodomias, violências etc.; sem contar com a corrupção, que campeia no país, pela propina, onde muitos pais escondem suas verdadeiras famílias, pelo suborno dos agentes do governo membros do único partido do governo, o Partido Comunista Chinês. Embora a legislação recente tornasse mais branda permitindo agora até dois filhos, os pais terão que conseguirem uma “licença” para isso. Caso contrário, serão obrigados pelo Estado a abortarem, com um terrível epíteto: “mais vale ter rios de sangue do que nascimentos em excesso”.

 

Segundo um artigo de Luis Difaur (IPCO), em 2012 a opinião pública mundial ficou chocada por uma foto de Feng Jianmei, deitada junto ao cadáver de seu bebê de sete meses; um aborto forçado pelos agentes do governo (“autoridades do povo”) simplesmente porque não tinha uma propina de 6.300 dólares exigida para o segundo filho.

 

A persistente teima de políticos ligados às cores petistas e comunistas do Brasil está conduzindo lentamente, para um futuro lamentável. A China tem um contingente de 1,36 Bilhões de habitantes, num território de 9,6 Milhões de Km2, sendo que destes, 1,3 Milhão são desertos (Gobi) e 400 mil km2 do Himalaia, que teoricamente, são regiões improdutivas para agricultura. Grosso modo, tirando estas duas áreas improdutivas, a área seria semelhante ao Brasil, que tem apenas 200 Milhões de habitantes. Ou nós ocupamos esta área ou eles virão para cá ocupá-la. Alguns acordos assinados com a China, por governos anteriores (Lula e Dilma), simpáticos às cores do socialismo chinês, têm deixado janelas possíveis para esse fim.


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