BíBLIA (13403)'
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Artigo

INTRODUÇÃO AOS SALMOS


 


É uso vindo das Bíblias gregas e latinas, chamar Salmos aos cânticos sagrados que os hebreus, e também os gregos e os latinos, bem como as nossas antigas vulgarizações, com mais propriedade intitulam hinos. São poesias religiosas de argumentos variados, o mais das vezes orações ou louvores a Deus.

A coleção desses hinos, chamada, por analogia, Saltério, nas Bíblias hebraicas divide-se em cinco livros, separados entre si pela doxologia ou aclamação ("Bendito seja o Senhor" etc.), que se lê no final dos salmos 41,72,89,106. Mas é divisão recente, introduzida, ao que parece, por volta do séc. III a.C. Em tempos mais remotos, compunha-se de três grandes coletâneas, que se distinguem pelo emprego dos nomes para invocar a divindade. A V (salmos 1-40) e a y (91-150) empregam Senhor (hebr. "Javé"), a 2? (41-88), Deus (hebr. "Eloim").

Distinguem-sé ainda pelos nomes dos autores, que cada salmo traz no cabeçalho. Na 1', quase todos os salmos, exceto 1,2,32, são intitulados de Davi; na 2* são três séries, intituladas, respectivamente, dos filhos de Coré, ou coreí-tas, de Davi e de Asaf; na 3- quase todos os salmos são anônimos. Com os títulos, varia também o teor geral do argumento.

 

Os salmos atribuídos a Davi são, em máxima parte, pedidos de auxílio em todas as aflições, de modo especial nas enfermidades e nas perseguições. Os cantos dos filhos de Coré, conforme sua condição de levitas (cf. Núm 16,1), têm por tema central o culto, o templo, a cidade santa. Os de Asaf são cânticos nacionais ou didáticos, que celebram o triunfo ou deploram as derrotas de todo o povo, ou têm por fim ensinar verdades morais. A coleção anônima compõe-se na maioria de hinos de louvor ou de ações de graças ao Senhor. Nela sobressai também uma coletânea partícula} de salmos breves, chamados graduais (119-133), de índole levítica.

 

Do exposto infere-se que a atual coleção de salmos ou Saltério, foi se formando aos poucos, desde os tempos de Davi (cerca de 1000 a.C.) até depois de Neemias (cerca de 400 a.C). Em todo esse longo período, em todas as gerações, os piedosos poetas, inspirados por

Deus, transfundiram nos salmos os seus santos afetos, suas fervorosas súplicas, os transportes de sua alma profundamente religiosa. Destarte, recolhendo o Saltério o eco de todo um povo e de tantos séculos, era, por natureza, apto a se tornar, como de fato se tornou, o livro de orações, o manual de piedade, primeiro para a Sinagoga israelita, depois para toda a Igreja cristã.

 

Muito importantes, relativamente aos nossos conceitos, são dois vocábulos que raramente aparecem nos títulos, mas são freqüentes no texto dos Salmos: "tefilã = súplica" e tehilã = louvor". É assim que são designados os gêneros mais freqüentes dos Salmos. No primeiro, na súplica, que compreende mais de um terço de todo o Saltério, um indivíduo ou (mais raramente) a nação, assaltado por males de toda a espécie, recorre a Deus para deles se livrar. Destarte, na sua abundância e variedade, os salmos oferecem modelos de oração para todas as circunstâncias da vida humana. O outro gênero, de louvor ou hino a Deus, era indicado de maneira especial para o culto público nas funções religiosas do templo e está concentrado sobretudo nos livros IV e V. Em menor número são os salmos didáticos ou sapienciais e morais, cheios dos mais diversos ensinamentos para a vida, e os salmos históricos, que rememoram, para exaltação de Deus ou ação de graças, ou para ilustração dos pósteros, os grandes acontecimentos da vida nacional. Restam ainda salmos que escapam a qualquer categoria, tão grande é a variedade desta nobilíssima antologia de poesia religiosa.

 

Para melhor lhe saborear toda a beleza e experimentar a eficácia, esforce-se o leitor por se apossar dos sentimentos e afetos expressos pelo texto sagrado. Se alguma passagem, como nos chamados salmos imprecatorios (58-69; 83; 109), parece dura e chocante para almas acostumadas à suavidade evangélica (cf. Mt 5,43), lembremos o zelo puro pela justiça e honra de Deus que animava os autores sagrados (cf. 5,11; 69,10; 139,21), e poderemos manifestar para com o pecado todo o rigor da antiga lei, ao passo que reservaremos toda a caridade e a misericórdia da nova lei para o pecador.


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