BíBLIA (2908)'
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Artigo

INTRODUÇÃO A DANIEL


A respeito de Daniel nada mais sabemos além do que nos diz este livro, pois não traz nenhuma novidade a única menção dele, feita no Antigo Testamento (IMac 2,60) e a igualmente única do Novo Testamento (Mt 24,15).

 

Descendente de nobre família do reino de Judá, muito jovem ainda (13,45), teria sido deportado cerca do ano 605 a.C. para Babilônia e agregado aos pajens da corte do rei Nabucodonosor, com o nome de Baltasar (1,7). Desde os primeiros atos (cf. 13,45-62) revela-se senhor daquela sabedoria que constitui o fundo de sua figura moral. Modelo e mártir da fidelidade à lei divina, foi enriquecido por Deus com um dom extraordinário de penetração nos mistérios contidos nas visões e nos sonhos proféticos que Deus envia a ele e a algumas personagens daquela época (2,17-35;4,2;5,13-16).

 

Em virtude dessas suas capacidades, fez carreira entre os soberanos babilônios, desde Nabucodonosor até Ciro, que o honraram, confiando-lhe cargos. De dois anos destes soberanos são datadas as revelações que ele teve, a última das quais (10,1) se deu no terceiro ano de Ciro. Além dessa data, nada mais sabemos dele.

 

Nas Bíblias hebraicas o livro de Daniel tem menor extensão do que nas cristãs, e dentre estas, as latinas têm ordem um tanto diversa daquela das gregas. Em hebraico compõe-se de 12 capítulos e de 357 versículos; nas versões gregas e latinas são inseridos (no c. 3) 67 versículos, que constituem a primeira das três partes ditas deuterocanônicas deste livro. Além disso, acrescentaram-se outras partes em dois capítulos distintos, que em grego se acham, o mais das vezes, um no início e outro no fim; nas versões latinas sempre no fim.

 

No livro a idéia central que predomina, é aquela do reino de Deus, isto é, do supremo domínio de Deus sobre a natureza e sobre os eventos humanos, que culmina no estabelecimento do "reino dos santos" (os adoradores do verdadeiro Deus) sobre as ruínas dos mais poderosos impérios humanos.

 

As observações críticas, porém, não diminuem o valor do ensinamento religioso e moral do livro. Reduz-se ele a pontos de importância capital. Jamais se lê o nome divino "]avé", mas sempre El ou Eloim (também Eloah, no singular) ou uma circunlocução "Deus do céu" (8 vezes), "o Altíssimo Deus" (5 vezes). A tendência de todas as narrações é a de exaltar o Deus de Israel, donde resulta que somente ele é que tudo pode e tudo sabe; lê nas mentes humanas e vê os acontecimentos futuros; dele é que vem todo o saber humano e em suas mãos estão os destinos dos indivíduos e dos impérios. A ele somente se deve adoração e culto, e para não transgredir sua santa lei, devemos estar prontos mesmo a morrer, se necessário.

 

O messianismo de Daniel é sumário, de poucos elementos, mas de relevância extraordinária. É um messianismo quase exclusivamente coletivo, isto é, visando antes a sociedade religiosa do que o seu chefe; suas características são todas de origem espiritual: cessação do pecado, triunfo da justiça, inauguração de uma eminente santidade (9,24); o reino anunciado será o "reino dos santos", que se poderia traduzir também por "reino de Deus", tal como foi depois anunciado na primeira pregação do Evangelho (Mc 1,14). Particularidade de Daniel é que ele anuncia a vinda desse reino, isto é, o seu início, indicando datas e números cerca de 500 anos depois da queda de Jerusalém (9,24); daí o lugar de primeira ordem que ocupa este vaticínio na demonstração da doutrina cristã.

 

O que ele diz sobre a vida futura ou sobre a escatológica é pouco, mas este pouco assinala um progresso da revelação nessa matéria. É ele o primeiro a insinuar um despertar dos mortos no fim dos tempos, um despertar para uma nova existência que será para uns a vida eterna e para outros a eterna condenação. Entre os primeiros, os que tiverem demonstrado zelo pela santificação própria e a dos outros gozarão de esplendor especial (12,2-3).


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