PERGUNTE E RESPONDEREMOS 506 – agosto 2004

Aparecida

 

"OUTRO CONTO DO VIGÁRIO"

 

Está sendo espalhado um folheto que denuncia a aparição de Maria Santíssima em Itaguassu como sendo "um conto do vigário". A fonte de informações seria o falecido pastor batista Aníbal Pereira dos Reis. Este escritor conta que o Pe. José Alves Vilela lançou a imagem dentro do rio e mandou que pescadores fossem à pesca; assim terão "pescado" a imagem, que foi logo tida como milagrosamente aparecida. Desta maneira a devoção a Nossa Senhora Aparecida é explicada como conseqüência de um ato desonesto e fraudulento do Pe. José Alves Vilela.

Ora, para dissipar esta falsa conclusão, basta lembrar quem foi o pastor Aníbal Pereira dos Reis: um pregador que não hesitou em recorrer à mentira e à falsidade como foi demonstrado em PR 496/2003, pp. 452-456 e vai aqui brevemente reapresentado.

Aos 5 de março de 1972 o JORNAL BATISTA publicou um artigo do Cardeal Agnelo Rossi com o título

GROSSEIRA FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO DA CÚRIA ROMANA

Que falsificação foi essa? Dom Agnelo Rossi esclareceu no artigo publicado pelo próprio O JORNAL BATISTA:

"Afirmei que a falsificação do documento é grosseira. Forjaram um papel oficial, que nunca poderia existir em nossa Congregação. Pois o escudo é do Papa Paulo VI e não da nossa Congregação. O título é anacrônico, de antes do Vaticano II. O documento publicado não é protocolado, o que é absolutamente necessário para indicar sua autenticidade e validade. Não observa a praxe da Cúria quanto ao modo de indicar o destinatário e quanto à conclusão. Reproduz uma assinatura minha, anterior ao meu cardinalato e à minha indicação como Prefeito da S. Congregação para a Evangelização dos Povos. Fotografou-se uma minha anterior assinatura (sic: f Agnelo Rossi), quando hoje, nos documentos oficiais, assino, graças à universalidade de minha missão na Igreja, sem a cruz antecedendo meu nome, com estes dizeres: Agnelo Card. Rossi, Pref. Colocaram a tal assinatura abaixo de uma carta que, pelo estilo e conteúdo, nunca poderia escrever. Infeliz manobra!"

Com outras palavras alguém (o próprio pastor Aníbal dos Reis) tomou o cabeçalho de uma antiga folha de papel de carta da Congregação para a Propagação da Fé (que em 1972 já se chamava "Congregação para a Evangelização dos Povos"); esse cabeçalho terá sido tirado de um documento qualquer da Congregação emanado antes de 1972 e encontrado pelo pastor Aníbal. À guisa de armas, colocou, ao lado da rubrica, as armas de Paulo VI (que não figuram em papel das Congregações Romanas); colocou todo esse cabeçalho em folha de papel-carta comum; aí bateu à máquina a pretensa missiva do Cardeal Rossi ao Cardeal Arns e no fim colocou uma assinatura (encontrada em seus arquivos) de D. Agnelo Rossi, e não Agnelo Card. Rossi) pediu ao tabelião o reconhecimento dessa firma, reconhecimento que foi dado, pois D. Agnelo Rossi realmente assinava +Agnelo Rossi quando estava em Ribeirão Preto, mas nunca assinava +Agnelo Rossi quando Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos.

Ao ver a denúncia, o pastor Aníbal Pereira dos Reis insistiu em defender a genuinidade da carta que forjara. Essa apologia saiu publicada no "O Jornal Batista" de 19 de março de 1972; finalmente apareceu também um libelo do pastor Aníbal Pereira dos Reis intitulado "O Cardeal Agnelo Rossi desmascara o ecumenismo", contendo todo o documentário respectivo. Quem ler essas páginas de defesa, verifica que absolutamente nada dizem de válido; contornam o problema, ofuscam o leitor incauto, mas deixam ficar a evidência da fraude que o pastor Aníbal quis legitimar.

Diante de tais fatos, de que a imprensa batista mesma se tornou o porta-voz, pergunta-se: pode-se dizer que a mentira, a falsidade e a fraude são os instrumentos de autêntico ministro do Evangelho? Quem recorre a tais meios, ainda está procurando difundir realmente o Reino de Cristo ou está servindo a si mesmo, visando à sua autopromoção e descarregando azedumes pessoais sobre o grande público? O Evangelho ensina a verdade e a caridade; quem deseja ser arauto do mesmo, há de se distinguir pelo culto destes dois grandes valores cristãos.

Um escritor de tal tipo não tem autoridade para contestar a aparição de Maria Santíssima atestada por documentos fidedignos.

 

Dom Estêvão Bettencourt


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