PERGUNTE E RESPONDEREMOS 349 – junho 1991

...Até o Fim

 

"Não; não pares. É graça divina começar bem. Graça maior persistir na caminhada certa, Manter o ritmo. . . Mas a graça das graças é não desistir. Podendo ou não podendo, caindo embora aos pedaços, CHEGAR ATÉ O FIM. . . ! "

 

Estas palavras de D. Hélder Câmara vêm a ser precioso programa de vida. Ir até o fim dos bons propósitos, sem ceder ao desânimo ou à tentação da volubilidade, apesar da monotonia da caminhada. . . , tal é o segredo das grandes façanhas. Há uma santa teimosia, penhor de vitória ou de entrada no Reino dos Céus. É o Senhor quem o diz: "O Reino dos Céus sofre violência, e violentos se apoderam dele" (Mt 11,12). Está claro que não se trata aqui da violência armada, mas da fortaleza daqueles que sabem superar todos os obstáculos para não perder a verdadeira meta.

Em outra passagem, diz Jesus que a semente boa (a Palavra de Deus) dá fruto múltiplo em clima de perseverança ou paciência tenaz (cf. Lc 8,15). Pouco adiantam a fé e o amor que não vão até o fim. Quem percorre a Escritura, encontrará muito freqüentemente a recomendação da perseverança heróica: "Sê fiel até a morte, e eu te darei a coroa da vida" (Ap 2,10; cf. Mt 10,22; 24,13).

Compreende-se bem tal ênfase. Já um famoso ateu de nossos tempos, Albert Camus (+1960), dizia que o que mais o contristava era ver que a maioria dos homens não chega ao termo do seu ideal. Param no meio do caminho, pois tudo o que é grande e belo, também é árduo e cansativo.

E a que haveria de se comparar uma criatura que não chega ao seu fim? — Poderia dizer-se que ficou anã no plano espiritual ou na linha da sua estatura definitiva. Uma estatura física anã não implica culpa da parte do respectivo sujeito, mas o ser anão(ã) no tocante aos valores definitivos é muito grave, caso se deve à covardia ou à pusilanimidade.

O medo e a mesquinhez de ânimo são males que ameaçam todo homem. O cristão, chamado a tudo o que há de mais nobre, tem consciência disto e pede ao Senhor a graça das graças: "a de não desistir; podendo ou não podendo, caindo embora aos pedaços, CHEGAR ATÉ O FIM!"

 

Dom Estêvão Bettencourt


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