BíBLIA (3069)'
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INTRODUÇÃO ÀS EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO

A parte mais importante e mais conspícua dos escritos apostólicos são as epístolas de S. Paulo, inclusive pelo volume do texto, pois, sozinhas, constituem mais da metade desses escritos, mas sobretudo pela profundeza e vastidão de doutrina teológica e pela abundância de ensinamentos morais de que estão repletas.

São escritos ocasionais, como costumam ser precisamente as cartas; nasceram da necessidade que o Apóstolo sentiu de intervir com a pena onde não podia chegar com a voz, a fim de apaziguar litígios, dissipar dúvidas, aconselhar, aplicar remédio a inconvenientes, dirigir e iniciar ao bem, segundo as situações originadas pela vida interna das Igrejas por ele fundadas ou dependentes, de alguma maneira, da sua pregação. Mas nessas contingências é tão grande a variedade de casos e sobretudo a abundância de pensamentos e de afetos que afluem à mente e ao coração de Paulo, que se pode afirmar que nas páginas inspiradas do Apóstolo se expande toda a substância da doutrina e da moral cristã.

Conforme o uso dos antigos escritores, S. Paulo não escrevia de próprio punho as suas cartas, mas ditava-as a algum amanuense profissional de sua confiança. Pelo menos de uma (Rom 16,22) conhecemos o nome de quem a escreveu. Paulo punha, no fim, de seu próprio punho, a assinatura, com algumas palavras de saudação ou bênção. Em toda a antiguidade oriental, as cartas começavam sempre com a fórmula estereotipada: "Fulano [remetente] e beltrano [destinatário] saudações" (temos exemplo disso em At 23,26). O Apóstolo seguiu o uso corrente, mas em lugar da saudação ordinária introduziu o augúrio cristão: "graça e paz", repetido também no fecho, em lugar do vulgar ";Passe bem", e de ordinário adornado com o nome de Jesus Cristo.

Do uso de ditar as cartas, que tomava tempo à reflexão, costumavam derivar defeitos de composição de que um estilista como S. Jerônimo tão freqüentemente se desculpa. Esta é a causa, pelo menos parcial, da aspereza não rara do estilo de S. Paulo, não obstante saiba ele manejar egregiamente a língua grega do tempo. A maior parte, porém, dessa aspereza (anacolutos, elipses, hipérbatos etc.) deve-se ao turbilhão das idéias que lhe afluíam à mente e à profundidade e novidade dos pensamentos que buscavam uma expressão própria. Nem sempre ê fácil a leitura dos escritos do grande Apóstolo, mas com o estudo paciente, ruminando-os demoradamente, tira-se-lhes em abundância o suco mais substancioso e ao mesmo tempo mais delicado.

As cartas de S. Paulo são dirigidas, em primeiro lugar, às Igrejas ou pessoas segundo as quais são intituladas, mas ele próprio, o grande Apóstolo, já convidava à comunicação dessas suas cartas de uma Igreja para outra (Col 4,16). As trocas deviam ser freqüentes entre aquelas comunidades fervorosas que ele fundara. Destarte foram-se formando várias coleções das epístolas paulinas, que acabaram confluindo no epistolário paulino admitido no cânon de todas as Igrejas e que chegou até nós. Esse cânon não compreende a totalidade das cartas que se originam do Apóstolo. Na 1Cor 5,9 há notícias de uma epístola anterior, cujos vestígios se perderam totalmente; entre a primeira e a segunda carta aos mesmos coríntios, intercalou-se, como opinam autores de renome, outra ainda. Além disso, a epístola aos laodicenses, mencionada em Col 4,16 não se identifica com a dos efésios (veja Introdução a esta), deve-se dizer que também essa se perdeu.

 


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