BíBLIA (3112)'
     ||  Início  ->  
Artigo

EPÍSTOLA AOS GÁLATAS

Quem são os gálatas? Quando foi escrita a Epístola aos gálatas? São duas questões conexas, discutidas ainda em nossos dias, sem que se lhes possa dar uma solução plena e evidente.

No tempo de Paulo, a palavra Galácia tinha dois sentidos: 1º etnográfico, significando a Galácia propriamente dita, habitada pelos descendentes dos gauleses que na segunda metade do século III a.C. foram levados, na sua migração, até à Ásia Menor e haviam fixado a sua sede nas regiões sitas entre a Capadócia e o Ponto; 2° administrativo, significando a província romana da Galácia que, além da Galácia propriamente dita, compreendia também várias regiões da Ásia Menor, ao norte da Paflagônia, e parte do Ponto, ao sul da Pisídia, a Licaônia e parte da Frigia.

Quem são, portanto, os destinatários da carta aos gálatas? Os gálatas propriamente ditos? Ou os gálatas da província romana da Galácia? Ou ainda exclusivamente os da parte meridional?

É certo que estes últimos, os meridionais, foram evangelizados por S. Paulo na sua primeira viagem apostólica, narrada com certa amplitude em At 13, 13-14,25, mas sem alusão alguma à enfermidade a que se refere o próprio Paulo nesta epístola (Gál 4,13). Nas narrações da segunda e da terceira viagem (At 15,35-21,15), não se diz sobre a Galácia, senão que Paulo "atravessou [ou percorreu; cf. 15,41] a Frigia e a região galática" (16,6; 18,23). Qualquer seja a amplitude ou restrição que se queira emprestar a essa expressão geográfica, nem por isso fica claro que nessa "travessia" o Apóstolo haja fundado aí novas Igrejas. Apesar disso, a maioria dos intérpretes modernos pensa que os gálatas da presente epístola sejam os setentrionais da Galácia estritamente dita. Menos numerosos, mas não de menor autoridade, são os que se decidem pela parte meridional da Galácia romana. Cf. Gál 2,1-2.

O motivo da carta foi o seguinte: Alguns cristãos vindos do judaísmo e muito apegados às práticas legais, introduziram-se nas Igrejas da Galácia, sustentando que a circuncisão e outras práticas da lei eram necessárias a todos para se salvarem e serem herdeiros das promessas messiânicas (cf. At 15,1). Era distorção do genuíno Evangelho de Cristo que Paulo pregava. Aqueles turbulentos, para insinuarem com mais segurança os seus erros, afirmavam que Paulo não era verdadeiro apóstolo, por não ter recebido a missão diretamente de Cristo; que estava em desacordo com os verdadeiros apóstolos e que era um oportunista que andava à procura unicamente de favores dos homens.

Sob os embates dessa violenta tempestade, a fé daquela jovem cristandade corria o perigo de naufragar miseravelmente. Paulo não tardou a vir em auxílio dos seus queridos gálatas, para sustentá-los na fé, escrevendo a epístola na qual refuta as acusações que levantaram contra ele e expõe a verdadeira doutrina.

O ponto fundamental dessa epístola, a inutilidade da lei para a justificação e salvação cristã, é também o objeto da primeira parte da epístola aos romanos (cc. 1-4) e, portanto, a epístola aos gálatas está bem colocada antes e junto da dos romanos, sem prejuízo da distância de tempo existente entre uma e outra: um ano no máximo, se a presente epístola foi dirigida à Galácia setentrional; de cerca de seis ou sete na opinião contrária mencionada acima.

A autenticidade da Epístola aos gálatas, impugnada apenas por alguns críticos racionalistas radicais, não pode ser razoavelmente posta em dúvida, tantos são os argumentos internos e os documentos que a comprovam.

Sumário

Cabeçalho e saudações (1,1-5); o Evangelho pregado aos gálatas é o verdadeiro Evangelho de Cristo (1,6-10).

I parte - apologética: Paulo reivindica a sua autoridade apostólica (1,11-2,21).

1.   Recebeu a sua missão diretamente de Cristo (1,11-12).

2.   O seu Evangelho foi aprovado por Pedro (2,1-10).

3.   O incidente de Antioquia: Paulo defende a sua doutrina perante Pedro (2,11-21).

II parte - dogmática: a justificação obtém-se mediante a fé e não mediante as obras (3-4).

Paulo demonstra essa verdade:

1.  pela experiência dos gálatas (3, 1-5);

2.  pela Sagrada Escritura: o exemplo de Abraão (3,6-14);

3.  pela natureza da lei e da promessa (3,15-18);

4.  pelo fim da lei que era como um pedagogo para conduzir os homens a Jesus Cristo (3,19-4,11). Exortação com efusão do coração (4,12-20).

5. Inutilidade da lei (4,21-31).

III parte - moral: (5,1-6,10).

1. Deve-se conservar a liberdade que Jesus Cristo nos deu (5,1-12).

2, Os fiéis devem praticar a virtude, a abnegação, a caridade, a beneficência (5,13-6,10).

 

Epílogo: Paulo retoma de próprio punho a parte polêmica e moral (6,11-16); saudações e bênção (6,17-18).


Pergunte e Responderemos
Como você se sente ao ler este artigo?
Feliz Informado Inspirado Triste Mal-humorado Bizarro Ri muito Resultado
5 0
PUBLICAR - COMENTAR - EMAIL -  FACEBOOK 

:-)