BíBLIA (4033)'
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Artigo

EPÍSTOLA AOS EFÉSIOS

A Carta aos efésios não possui o desenvolvimento e o tom de uma carta íntima e familiar, como aquela aos Filipenses, nem o Apóstolo combate, com o vigor e o arrojo que lhe são próprios, alguns erros particulares, como nas cartas aos gálatas e aos coríntios. Excetuando-se algumas fórmulas convencionais, faltam a essa carta as costumeiras saudações a pessoas particulares e as notícias pessoais do Apóstolo, encontradas nas demais cartas e que não deveriam faltar numa carta dirigida à comunidade de Éfeso, onde Paulo havia trabalhado e sofrido diversos anos. Ao que parece (cf. 1,15;3,2), ela foi escrita a cristãos que o Apóstolo não conhecia pessoalmente. Por outro lado, podemos assiná-la com certeza a um determinado período da vida de S. Paulo, isto é, ao período do primeiro cativeiro romano, quando escreveu a Carta aos Colossenses. Efetivamente, possui muitos pontos de contato e grandes analogias com esta última, quer pelo tema tratado, quer pelo estilo e pelo vocabulário. Col, nalguns pontos de doutrina, é o esboço de Ef. Querendo oferecer um quadro completo de doutrina em torno de Cristo, o Apóstolo, depois de indicar (1,10,21-22) o primado de Jesus Cristo, assunto já desenvolvido em Col 1,15-24, retoma e desenvolve amplamente dois temas tratados brevemente em Col: antes de mais nada "o arcano", isto é, a universalidade da salvação, não reservada exclusivamente aos judeus, mas oferecida também aos gentios, em Cristo Jesus, e a seguir a verdade da Igreja, corpo místico de Cristo, do qual ele é a cabeça. Destas verdades, o Apóstolo deduz conseqüências práticas de ordem moral.

Evidentemente, as duas cartas foram ditadas por Paulo com breve intervalo de tempo e foram confiadas ao mesmo portador, Tíquico (cf. 6,21-22; Col 4, 7,9).

Cumpre, portanto, concluir que a Carta aos efésios nada mais é do que uma carta pastoral encíclica, destinada às comunidades cristãs da província da Ásia, com o objetivo de instruí-las sobre pontos importantes de doutrina. Ela deve ter tomado o nome de "Carta aos efésios" da igreja-mãe e mais ilustre, talvez porque foi entregue a esta em primeiro lugar por Tíquico. Alguns críticos modernos pretendem ver nesta a carta que Paulo diz (em Col 4,16) ter enviado à Igreja de Laodicéia. Mas, em tal hipótese, o Apóstolo, como fez em Col, teria dado suas notícias pessoais aos laodicenses e não teria deixado de acrescentar as saudações de praxe. Ademais, como explicar o título de uma carta "aos efésios", afirmado por documentos antigos, ao passo que somente o herege Marcião, segundo expressão de Tertuliano (Adv. Mare, v, 7), diz que foi escrita aos laodicenses? A carta foi escrita em Roma, pelos fins da primeira prisão romana, e não durante a primeira detenção em Cesaréia, como sustentam alguns críticos modernos.

A autenticidade de Ef, negada por alguns críticos acatólicos, é resolutamente mantida e defendida por numerosos outros críticos, também não católicos. Tem a seu favor o peso unânime dos testemunhos da antigüidade cristã inteira. Igualmente o estilo, o vocabulário, próprios do Apóstolo e, acima de tudo, a doutrina do corpo místico, a qual já emerge em cartas precedentes e é magistralmente desenvolvida em Ef, oferecem-nos a marca inconfundível de S. Paulo. Ê mister repelir decididamente a hipótese, avançada por alguns, de que Ef seja um mosaico marchetado de textos autênticos do Apóstolo e de observações de estranhos. Basta examinar o nexo lógico do pensamento, que se desenvolve progressivamente conforme o plano estabelecido, e o estilo inteiramente próprio do Apóstolo.

Sumário

Cabeçalho e saudação aos destinatários (1,1-2).

I parte, dogmática: o divino arcano da nossa união com Cristo (1,3-3,21).

1.  Arcano decretado por Deus desde a eternidade. Ê a nossa filiação adotiva para com Deus pela nossa união em Cristo (1,3-6); Jesus Cristo nos mereceu esta filiação com o seu sangue (1,7-8); vocação dos judeus e chamada dos gentios, que o Espírito Santo confirma com seus dons (1,9-14).

2.  Arcano realizado na Igreja. Jesus Cristo é a cabeça da Igreja, que é o complemento dele (1,15-23); chamada dos gentios e dos judeus à salvação por meio de Cristo, que os reconcilia num só corpo e os reúne num só edifício espiritual (2,1-22).

3. Arcano revelado. Paulo recebeu a missão de anunciar a universalidade da salvação em Jesus Cristo (3,1-13) e suplica a Deus que os fiéis possam compreender a sua imensa caridade (3, 14-19). Doxologia (3,20-21).

II parte, moral (4,1-6,20).

1.   Virtude principal da vida cristã: caridade na unidade, pureza de vida (4,1-24).

2.   Advertências gerais a todos os cristãos (4,25-5,20).

3.   Deveres dos membros da família cristã (5,21-6,9).

4. A armadura do cristão (6,10-20).

Epílogo: missão de Tíquico (6,21-22); saudação (23-24).

 


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