BíBLIA (2576)'
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Artigo

INTRODUÇÃO ÀS EPÍSTOLAS CATÓLICAS


Ao lado do grande epistolado paulino, outras sete epístolas de apóstolos (uma de Tiago, duas de Pedro, três de João e uma de Judas) constituem grupo à parte no cânon do Novo Testamento. Desde os primeiros séculos, foram denominadas, tanto em grupo como individualmente, católicas, isto é, "universais" provavelmente porque não são dirigidas, como as de S. Paulo, a Igrejas particulares, mas a muitas ao mesmo tempo, ou aos fiéis cristãos em geral. Fazem exceção a segunda e a terceira de S. João, porém são tão breves que se podem considerar como apêndices da irmã maior.

Entre os latinos, foram também chamadas epístolas "canônicas", talvez como protesto da fé no seu caráter de livros sagrados, que à maior parte delas foi reconhecido em era muito tardia. De fato, somente a primeira de Pedro e a primeira de João foram, desde o princípio, consideradas sem contestações nas Igrejas como inspiradas e, portanto, canônicas. Todas as outras, umas mais outras menos, encontraram oposição em diversos tempos e lugares (Eusébio, História Ecles., III, 25, 1-3). No Ocidente, o grupo encontra-se já constituído em sua integridade e autoridade canônica, no princípio do século V (Concílio Plenário da África, 393; Papa Inocêncio I, 405). Nas Igrejas orientais, não antes dos séculos VI e VIL

No seio do grupo, a ordem das epístolas varia muito nos manuscritos e documentos antigos.  A mais comum, já indicada acima, põe em primeiro lugar Tiago e em último, Judas. Pelo seu caráter arcaico, ainda muito próximo à literatura sapiencial do Antigo Testamento, Tiago fica muito bem à testa do grupo. Parece-nos bem não separar Judas da segunda de Pedro, com a qual tem inúmeros pontos em comum, como se verá adiante. Desta forma, as três de João vêm a encontrar-se em contato imediato com o Apocalipse, do mesmo autor. É a ordem que parece mais lógica e que melhor favorece uma leitura ordenada destes escritos apostólicos.

Pelo seu conteúdo prevalentemente prático, essas epístolas traçam-nos as linhas mestras de uma vida profundamente cristã. Não estão ausentes delas os ensinamentos dogmáticos, lavrados em fórmulas breves e incisivas. Em Tg 5,14 lemos a mais importante alusão bíblica ao Sacramento da Unção dos Enfermos. Um dos artigos do Símbolo apostólico, a descida de Jesus Cristo ao limbo, onde se achavam os santos patriarcas, encontra o mais claro e formal testemunho da Escritura em 1Pdr 3,18--19. O mesmo Apóstolo declara-nos que a graça é uma íntima participação da natureza divina (2Pdr 1,4). São João lança o brado sublime: "Deus é amor" (1Jo 4,8) e replica com a mesma sublimidade: "E nós cremos no amor" (ibid., 16). Ê ele ainda que nos dá a idéia mais exata da felicidade eterna dos eleitos: "Veremos a Deus como ele é" (ibid., 3,2). Eis um pequeno ensaio que nos exorta a pesar cada palavra destes veneráveis escritos.


 


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