BíBLIA (2566)'
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Artigo

EPÍSTOLA DE SÃO JUDAS


Estrutura simples e finalidade única encontram-se nesta breve epístola: acautelar os fiéis contra os falsos mestres, os semeadores de doutrinas corruptas, de que fala também a segunda de S. Pedro, no c. 2. Tem um só capítulo, assim dividido, segundo o argumento:

Introdução: Saudações (1-2) e motivo da epístola: os mestres ímpios (3-4).

Corpo:

1. Castigos divinos já infligidos aos ímpios: aos israelitas incrédulos no deserto (5); aos anjos rebeldes (6); aos sodomitas (7).

2. Descrição dos Ímpios mestres, que, chafurdando-se na carne, ultrajam os espíritos angélicos (8-10); êmulos de Caim, Balaão e Coré, atiram-se a todos os vícios (11-13); espera-os, porém, um juízo terrível, já predito por Henoc (14-16).

3. Admoestação a que se guardem desses tais, e como devem comportar-se com os demais (17-23).

Conclusão: glória a Deus, autor da salvação.

Esta curta epístola encontrava-se, já no século II, segundo o testemunho do cânon Muratoriano (linha 68), incluída no cânon escriturístico da Igreja de Roma. Não faltou, já então, e mais ainda depois, quem pusesse em dúvida ou negasse principalmente sua canonicidade, como atesta S. Jerônimo (De vir. ill., IV), por causa da citação do livro apócrifo de Henoc (vv. 14-15). Prevaleceu, porém, o uso antigo e a autoridade da Igreja, segundo testemunho do mesmo S. Jerônimo, e bem cedo as oposições cessaram no Ocidente e mais tarde também no Oriente.

O autor, Judas, nome muito comum, distingue-se dos homônimos contemporâneos, qualificando-se "irmão de Tiago". Quem haveria de ser esse Tiago, senão o autor da primeira epístola católica e bispo de Jerusalém, de quem se falou à p. 1318? Por conseguinte, também o Judas da presente epístola era "irmão do Senhor", mencionado com os outros em Mt 13,55; Mc 6,3 (no sentido já explicado em Mt 12,46-49).

Assim como a respeito de Tiago, existe também a respeito de Judas, por motivos diferentes, porém, a questão de saber se ele era também apóstolo, um dos doze, identificado com "Judas, filho de Tiago" de Lc 6,16; At 1,13. Sobre esse ponto também os modernos exegetas católicos não se acham de acordo.

Admitida, como mais provável, a dependência de 2Pdr em relação a Judas (p. 1320), esta epístola deve ter sido escrita alguns anos antes daquela. Pode-se situar a sua composição no ano 65, aproximadamente.

Os destinatários da Epístola são saudados (v. 1) em termos tão gerais, que se podem aplicar a todos os cristãos. Mas arguindo do uso que o autor faz do Antigo Testamento e de tradições judaicas (vv. 9-14), pode-se deduzir que ele se dirige a fiéis vindos do judaísmo, a comunidades judeu-cristãs, provavelmente da Ásia Menor. A segunda de Pedro é dirigida a um público inteiramente diverso (cf. pp. 1320 e 1321). Podemos reconstituir os fatos assim: Os erros combatidos por Judas surgiram e propagaram-se primeiramente no sudoeste da Ásia Menor (v. 4, tempo passado). Vindo a conhecê-los através da Epístola de Judas, e temendo que tão perniciosa propaganda se estendesse também ao centro e ao norte da Ásia Menor, onde residiam os destinatários da sua primeira epístola, Pedro, na segunda epístola, adverte-os contra uma provável difusão próxima de tais erros no país deles (2Pdr 2,1, tempos futuros). Harmoniza-se e confirma-se deste modo tudo o que dizíamos acerca da relação genética entre as duas epístolas. Não se pode saber com certeza de onde foi enviada a epístola de Judas: provavelmente da Palestina e, talvez, até mesmo de Jerusalém.


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