Pregações: Parresía - Presbíteros e o Reino de Deus - por Padre Paulo Ricardo

(áudio)

Presbíteros e o Reino de Deus

O sacerdote não é um homem, mas sim o sacrifício de um homem que vive para servir a Deus e não aos homens.

A questão do "presbítero".
No sacramento da ordem há três graus: episcopado (3), presbiterato (2) e diaconato (1).
Na linguagem tradicional da Igreja, tanto o epíscopo (os bispos) quanto o presbítero são sacerdotes porque oferecem o sacrifício da Missa, exercem o sacerdócio ministerial; o diácono não, ele auxilia.
Durante a consagração o diácono se ajoelha, enquanto os presbíteros concelebrantes e o bispo permanecem de pé.
Se um presbítero estiver presente na Missa mas não estiver celebrando, este também se ajoelha.

Há uma corrente teológica no Brasil que infelizmente cavou fundo em certas dioceses em que o presbítero não deve ser chamado de sacerdote.
Isso influi até em pronunciamentos episcopais, que evitam chamar o padre de sacerdote, mas presbítero.
O que está por trás, qual é a falsidade ideológica que está por trás e que devemos combater?

Há uma agenda oculta na Igreja de nosso país, semeada anos atrás quando teólogos da libertação decretaram que precisaríamos de uma Igreja sem divisões, sem classes. Assim, se os padres são chamados de sacerdotes, está-se colocando uma distinção clara entre leigos e sacerdotes, dividindo a Igreja, segundo a visão marxista sociológica deles...
Mas para nós cristãos o que existe são duas formas de se viver o sacerdócio de NSJC. Sim, todos os fiéis leigos e batizados exercem o sacerdócio batismal. Todo o povo de Deus exerce o sacerdócio batismal, unindo-se a Ele no sacrifício da cruz.
Acontece porém que Nosso Senhor chamou alguns para serem apóstolos e exercerem uma missão toda especial. Essa missão é hoje continuada pelos bispos e pelos presbíteros, auxiliados pelos diáconos.
Ou seja, NSJC é quem criou os ministros ordenados, não é criação da Igreja, não é algo que possamos mudar a vontade como gostaria essa telogia liberal, porque a agenda deles é transformar a Igreja numa sociedade igualitária, numa igreja onde não existam sacerdotes e leigos.
Mas essa não é a Igreja Católica. Aliás, já existe uma igreja assim, que é a igreja protestante onde todos são iguais e os pastores são funcionários. Esses teólogos estão trazendo para dentro da Igreja uma eclesiologia protestante que não nos pertence.
Há protestantes que "reconhecem" anciões e presbíteros, por exemplo, como os presbiterianos e os episcopais que têm "bispos".
Mas não há igreja protestante que reconheça que haja um sacerdócio ministerial e que o padre ao celebrar a Missa oferece o Santo sacrifício que nos redimiu e salvou no calvário; isso é totalmente avesso à teologia protestante e, entretanto, é tão importante e essencial para a fé católica!

Precisamos romper esse silêncio. Não chamar os padres de sacerdotes é algo muito errado. Precisamos insistir claramente em chamar o padre de sacerdote.
Não podemos perder a noção do sacerdócio! A Igreja nasce na Eucaristia e sem a sucessão apostólica não existe Igreja.
Satanás sabe que para acabar com a Igreja precisa acabar com os sacerdotes e assim acabar com a Eucaristia.
Ele inspira algumas pessoas aparentemente até bem intencionadas para acabar com a classe de oprimidos e opressores clericais que oprimem os pobres leigos depauperados...
Essa não é forma correta de ver o sacerdócio. O sacerdote não é um homem, mas o sacrifício de um homem. Por isso é tão importante que ele seja celibatário. Por isso é bom que ele se vista de acordo para que sua missão seja clara.

Nessa linha de pensamento, não querem mais chamar a Igreja de "Igreja", mas de "reino de Deus" e algumas vezes até se esquecem de Deus e falam apenas de "reino".
E que reino é esse nessa linguagem da teologia da libertação de tendência marxista? É a utopia marxista, de uma sociedade igualitária sem classes que querem promover. E quem é o presbítero para essa eclesiologia? É o que realiza a sociedade igualitária porque está a serviço do povo.
Sem dúvida o presbítero serve ao povo. Mas o que identifica o padre não é ele ser servidor do povo, mas ser servidor de Deus.

Muitas vezes o padre é colocado numa encruzilhada: ou ele agrada a Deus ou agrada ao povo.
O evangelho que somos chamados a proclamar irá mexer em muitas feridas e pisar em muitos calos. Um padre que seja verdadeiramente fiel à sua missão de evangelizar vai muitas vezes atrair sobre si o ódio e a maldade.
Ora, se um padre acha que é servo do povo, ele vai fazer de tudo para ser fiel aos seus senhores, ser fiel aos homens, mas não a Deus.

O que é ser Igreja?
Igreja é o Corpo de Cristo e essa comunhão só será plena no céu, junto de Deus. Quando falamos de pátria celeste falamos do reino dos CEUS, não um reino utópico aqui na terra.
Quando nós católicos falamos de presbíteros e reino entendemos o sacerdócio e a pátria celeste. Mas, para quem já foi "iniciado" na telogogia da libertação, nessa apostasia que faz tudo se materializar, falar de presbítero é falar de um funcionário do povo e falar de reino é falar de um projeto político, uma utopia terreste.
Assim, a Igreja de corpo de Cristo é transformada em comitê ou posto avançado do partido comunista, uma realidade meramente intramundana com uma finalidade: atrair as pessoas e utilizá-las por meio da doutrina marxista como massa de manobra para levar ao poder um partido político.

Mas a Igreja de Cristo não é nada disso. Ela tem sacerdotes porque Cristo é sacerdote e se ofereceu na cruz.
Nós juntos, todos, cristãos, nos ofereçamos no sacerdócio batismal. Saibamos que nossos sacerdotes, persbíteros, ministros ordenados e bispos oferecem a Deus o sacrifício Eucarístico para a salvação do mundo inteiro. Ao oferecer esse sacrifício nós comungamos o corpo de Cristo e nos tornamos mais intimamente parte desse corpo, ou seja, IGREJA, e sendo parte desse corpo nós viveremos este corpo em plena comunhão no CEU, lá, no reino dos céus, onde acontecerá esse encontro com o Senhor, onde o Pai fez para nós muitas moradas.

Fonte: site Christo Nihil Praeponere

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