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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 513 – março 2005

Fala um ex-pastor:

 

EGRESSO DA IGREJA UNIVERSAL

 

Via internet a Redação de PR recebeu o seguinte depoimento de um ex-pastor da IURD, que será mantido no anonimato. Não sem escrúpulo publicamos tal testemunho; julgamos, porém, que, em setor tão importante, a verdade deve ser levada ao conhecimento de todos.

 

São palavras do ex-pastor:

 

"O mundo maravilhoso de Edir Macedo é muito mais eficaz que qualquer parque de diversões jamais criado. É como diriam alguns, a verdadeira Matrix, se cria um mundo tão maravilhoso; que ilude todos os membros, e transforma os pastores em seres virtuais, sem vida própria, escravos de um sistema...

 

Tudo isso me perturba bastante, analisando tudo que se diz contra a Igreja Universal, temos relatos deprimentes de ex-pastores que a processam por causas trabalhistas; li a reportagem de um pastor que dizia:

 

"Ninguém mais aguenta viver na miséria enquanto a cúpula da Igreja fatura cada vez mais alto" (revista Veja, edição 1 622- 3/11/1999).

 

Ora, longe de mim criticar esses homens, que com certeza têm motivos para mover tais processos, mas, convenhamos, eles sabiam bem onde estavam indo, aceitaram a vida fácil.

 

Quando eu uso um termo do Código Penal para descrever o que acontece na I.U.R.D., não o faço por vingança pessoal, simplesmente, leiam, por favor, o que diz o Decreto-lei n° 2.848 no seu artigo 158:

 

'Extorsão

 

Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar fazer alguma coisa:

 

Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos, e multa.

§ 1o - Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas, ou com emprego de arma, aumenta-se a pena de um terço até metade.

§ 2o - Aplica-se à extorsão praticada mediante violência o disposto no § 3o do artigo anterior'.

 

Agora considerem comigo: quando o pastor chega para o fiel e diz: "se você não sacrificar, você estará pecando". O que mais isso é que não uma grave ameaça? Não foi Paulo que disse: "O salário do pecado é a morte?" Se a pessoa é ameaçada por essa igreja de cair em pecado se não der o dízimo ou oferta, se cada campanha é minuciosamente articulada com esse objetivo, se até mesmo para uma reunião de cunho espiritual se pedem ofertas de "entrega a Deus", o que fazem não é uma grave ameaça de lançar os fiéis ao inferno caso não contribuam? Qual o intuito disso tudo? Não é obter vantagem? Segue o Código Penal:

 

'Estelionato

 

Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento:

Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa.

[...]

§ 2° - Nas mesmas penas incorre quem:

I - vende, permuta, dá em pagamento, em locação ou em garantia coisa alheia como própria'.

 

O que é feito dentro da I.U.R.D.? Não vendem eles as bênçãos de Deus como se fossem deles? Numa linha de defesa mais especulatória: Quem lhes deu direito sobre as bênçãos de Deus?

Acuso, sim, a Igreja Universal de extorsão e estelionato, nos termos dos artigos 158 e 171 do Código Penal Brasileiro; infelizmente, o Ministério Público Federal nunca teve esta ousadia. Uma instituição com poder político suficiente para controlar o partido do Vice-presidente da República, com uma movimentação financeira estimada em R$ 2 bilhões por ano, uma instituição dessas não pode, ou deve, ser investigada? Há algo de podre por trás dos púlpitos, dentro dos escritórios da Universal, há planos em curso, o dinheiro extorquido dos fiéis está sendo usado sim, mas para quê?...

 

O bispo Milton me disse algo com razão uma vez:

 

"Não pense que é sair por aí e processar a igreja, basta eu estalar os dedos e uma turma de 70 advogados desembarca de São Paulo para defender a igreja, toda e qualquer ação movida contra nós será perdida, disso você pode ter certeza".

 

Não se pode ganhar de uma instituição espiritual sem antes provar o "desvirtuamento" dos ideais espirituais da mesma. E não se faz isso mostrando para todo mundo como os pastores foram coitados, enganados. Isto se faz com argumentos sólidos, com fatos. Foi levantado um fato interessante: se as pessoas dão o dinheiro porque querem, o que há de errado nisso?

 

Coloque-se no lugar de um fiel da Universal: você chega à igreja, a solução de todos os seus problemas lhe é proposta: basta um sacrifício; você participa da campanha. Agora me responda: Você participou por que tinha dinheiro à vontade, e gostaria mesmo de ajudar a igreja, ou participou porque lhe foi oferecida a solução para seus problemas? Porque, segundo o pastor, só assim você iria vencer?

 

Não sei na terra de vocês, mas na minha isso é estelionato. Sim, abusam da fraqueza das pessoas, da boa fé, da credulidade. Como disse Carl Sagan: "A credulidade mata". Nesse caso mata várias vezes, a cada campanha a pessoa perde um pouco de si, é terrível a manipulação psicológica empregada às pessoas. A cada fracasso lhe é atribuído um demônio novo. a pessoa se sente possuída a maior parte do tempo e fica obrigada a dar mais dinheiro, fazer mais sacrifícios por uma libertação que nunca chega. Tem velhinhas, que além de doar toda a aposentadoria recolhem latinhas nas ruas para ofertar na campanha de Israel. O que é isso? Amor? Você cataria latas na rua, se não tivesse interesses maiores? Desafio a igreja Universal a me apresentar estatísticas de que, na Fogueira Santa, pessoas recebem "bênçãos" acima da média nacional, que participantes prosperam mais que qualquer brasileiro com agilidade para negócios.

 

Ainda vejo o rosto das velhinhas, as lágrimas no rosto dos jovens que de certa forma invejavam meu cargo nas reuniões de Quarta e Domingo. Ainda me lembro do olhar inquisidor do bispo sobre cada um de nós, dos sonhos que todos tínhamos, dediquei parte da minha vida àquela quadrilha. Fiz dela minha família, meu lar.

 

Fui também eu um estelionatário. Menti como todos os pastores para obter dinheiro das pessoas, por isso posso com toda a firmeza defender meu ponto de vista. Por muito pouco tempo acreditei realmente em toda a ideia de salvação que eu pregava, a exemplo de todos os outros pastores. O sonho de poder falou mais alto.

 

Pouco depois de ter-me batizado, uma obreira me perguntou: O senhor deseja ser pastor? Eu fiquei quieto, até aquele momento a ideia não me tinha vindo à mente, pensei: Por que não? Não tenho nada mesmo a perder. Disse que sim, que gostaria de ser pastor.

 

Foi o maior engano da minha vida, como

 

"Anjo caído, fiz questão de me esquecer, que mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira" (Renato Russo em "Quase sem querer").

 

Como já disse aqui, ao enganar a mim mesmo, a me eximir da responsabilidade de buscar respostas convincentes para minhas dúvidas, eu enganei várias pessoas, extorqui, menti. Pessoas crédulas depositaram na Igreja Universal, por meu intermédio, toda a sua esperança, e em todos os casos se decepcionaram.

 

Meu maior objetivo é, de alguma maneira, tirar as pessoas do fosso de enganação que é a I.U.R.D. Se ao menos uma dessas pessoas abandonar essa igreja absurda por causa dos meus textos, tudo vai ter valido a pena. Se um dia eles vão ser responsabilizados por todas as pessoas que enganaram? Espero que sim.

 

Se jovens puderem ser privados do sofrimento que Justino passou, para mim já é mais que suficiente. Acho que entendo a fala de Mario ao dizer: "Não pretendo a vingança", mais que vingança, esses textos são, para mim, uma forma de remissão, de pedir perdão a todos que enganei, as vidas que, de certa forma destruí, enganando a mim mesmo e a todos que em mim confiavam. Algo tem que ser feito contra a IURD, esta é minha pequena contribuição.

 

Estes e outros vários depoimentos que se lhe poderiam juntar, justificam a Carta publicada em PR 512/2005, pp. 63s.

 

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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