PRáTICA CRISTã (1346)'
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Artigo

Santos Para Deus

 

“O observemos os santos, mas não fiquemos apenas na contemplação deles; procuremos isto sim, contemplar com eles Aquele que preencheu suas vidas”.

 

Charles de Foucauld

Monge, Padre e Missionário.

 

Uma pergunta: Por que devemos ser santos?

Devemos ser santos porque somos a habitação de um Deus santo. Um templo que não é santo não é um lugar adequado para o nosso Deus.

“Somos templo do Espírito Santo” (1Cor 6,19). Santuário da beleza, da vida, do amor e da Boa Nova de Cristo.

 

Devemos ser santos porque fomos comprados e lavados por um Salvador santo. Não pertencemos a nós mesmos. Fomos comprados com o preço infinito do sangue e da vida Dele.

 

Devemos ser santos porque fomos justificados com o objetivo de sermos santificados. Cristos “amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra...” (Ef 5,25-26).

 

Ser santo é nossa vocação. O propósito de Deus para a Igreja não é que ela tenha miríades de programas, grande orçamentos nem que seja capaz de fazer as pessoas se sentiram bem. Seu propósito é tornar-nos santos.

 

Devemos ser santos, porque somos a Noiva de Cristo. São Paulo Apóstolo escreveu à igreja carnal em Corinto: “porque zelo [sentido original: tenho ciúme] por vós com zelo de Deus; visto que vos tenho preparado para vos apresentar como virgem pura a um só esposo, que é Cristo” (2 Cor 11,2).

 

Fomos comprometidos em casamento a um Cristo santo. Assim como o vestido branco da noiva representa a mulher que se guardou em castidade e pureza para seu noivo, nosso anseio é estar diante dele um dia vestidos de branco. Poder fazer isso nos trará incalculável felicidade.

 

“Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro cuja esposa a si mesma já se ataviou, pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos” (Ap 19,7.8). Nossa castidade na terra é motivada por nossa expectativa da gloriosa consumação do nosso amor por Ele na eternidade.

 

O Que Significa Ser Santo?

 

“Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, a fim de purificá-la com o banho da água e santificá-la pela palavra” (Ef 5, 25. 26).

 

Ser uma Noiva santa significa ser puro em todo o nosso ser. Sem dúvida, inclui ser irrepreensível em todas as questões que são visíveis aos outros: na conduta, na conversa, no modo de se vestir, nos hábitos e no estilo de vida.

 

A santidade é bem mais profunda, porém, do que aquilo que pode ser avaliado pelos homens. A verdadeira santidade é produzida no coração do cristão, pelo Espírito Santo que habita nele. Significa ser puro no interior, onde somente Deus consegue ver. Significa ter atitudes, valores, pensamentos e motivações que sejam santos. Ser santo é ser como Jesus: “... santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores” (Hb 7.26). É ser sem mácula, sem fingimento, sem qualquer espécie de falsidade ou engano.

Os santos têm ojeriza de hipocrisias e de seus teatros.

 

Infelizmente, há cristãos que se têm avaliado de acordo com os padrões do mundo e têm se contentado em ser relativos com as coisas espirituais. Em outras palavras, em comparação com a sociedade em geral, consideramos que estamos razoavelmente bem. Entretanto, não existe santidade “relativa”. Não dá para ter só um determinado grau de santidade. Ou o cristão é santo ou está contaminado.

 

São Paulo queria que os coríntios fossem diligentes e exaustivos na eliminação de todo o fermento da igreja. Nas escrituras, fermento geralmente é uma figura de pecado, de algo que contamina. Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda? (1 Cor 5,6). Não se pode permitir que qualquer coisa impura venha macular a casa do Deus santo.

 

São Paulo enfatizou, muitas vezes, a necessidade de ter absoluta pureza moral na Igreja de Jesus Cristo, que entregou a própria vida para santificá-la.  “Mas a prostituição e todo o tipo de impureza ou cobiça nem sequer sejam mencionados entre vós, como convém a santos, nem haja incidências, nem conversas tolas, nem gracejos obscenos... Pois é vergonhoso até mesmo mencionar as coisas que eles [as pessoas não regeneradas] fazem às escondidas” (Ef 5,3.4,12). O que ele está dizendo? Vocês são santos! Portanto, vivam como santos! “Não permitam que pecado algum, por menor que seja, contamine o templo de Deus”.

 

“Sem santidade genuína e prática, não podemos experimentar a presença manifesta e a glória de Deus no nosso meio. E sem a sua presença, não temos nenhuma diferença essencial de qualquer clube ou instituição social ou instituição religiosa”, escreve o reverendo Del Fehsenfeld Jr.(1).

 

“Procurai a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, vigiando atentamente que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus” (Hb 12,14).

 

OU SANTOS OU NADA

 

“O Brasil precisa de santos; o Brasil precisa de muitos santos!” As palavras do Beato Joao Paulo II, em 1991, ainda ecoam forte, a ensinar que santidade não é algo distante, estranho à nossa realidade. O saudoso Papa polonês se empenhou nesse sentido, proclamando santos e beatos mais que todos os papas juntos que o antecederam desde 1538. “Se a igreja de Cristo não é santa, não é a Igreja de Cristo”, dizia João Paulo II.

 

João Paulo II, ao pedir santidade ao Brasil não pensava, é claro, nos santos, digamos, oficiais. Mas numa igreja chamada à semelhança com Deus, que é santo, numa santidade fundamental da Igreja, também na vida dos leigos, capaz de gerar frutos de justiça e paz. No entanto é inegável a importância para a comunidade cristã, especialmente para os mais novos, de modelos, de pessoas que viveram a nossa realidade, pisaram nosso chão e venceram.

 

O tema santidade também é abordado insistentemente por Monsenhor Jonas Abib, ao ponto de se cunhar a frase/lema: “Ou Santos ou nada”. O fundador da Comunidade Canção Nova dedicou seu apostolado nos meios de comunicação, juntos aos jovens, para se superar o conceito de que a santidade é algo distante, própria de pessoas estranhas ou de super-heróis. Ao contrário, espalhou a semente do trabalho santificado, em cada ação, muito ao estilo de São João Bosco, que ensinava aos seus meninos que a santidade consiste em fazer bem as pequenas coisas do dia a dia. São Domigos Sávio é fruto desse “modelo de santidade” (2).

 

CONCLUSÃO

 

O ínclito Bispo e Doutor da Igreja São Francisco de Sales diz que a vida dos santos é o Evangelho posto em prática. A nossa grande e definitiva meta cristã é a santificação. A nossa radical realização é viver eternamente com o bom Deus. A mais poderosa obra de evangelização é o nosso testemunho de santificação. A nossa vida só tem sentido quando ela é focada no santo amor de Deus.

Vivendo a doutrina de Cristo e os ensinamentos da Santa Igreja de Deus, alcançaremos as moradas celestiais.

 

 

Pe. Inácio José do Vale

 

Notas:

 

(1) Arauto da Sua Vinda, ano 29, p. 2.

(2) Revista Canção Nova, novembro de 2011, p. 11.


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