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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 374/julho 1993

Sabedoria

 

"A ALMA VIAJADORA DO TEU BARCO"

 

Há breves dizeres que podem longamente impressionar os leitores, deixando-lhes margem para profícua reflexão. Entre outros, vão aqui transcritos alguns versos de D. Hélder Câmara:

 

"Quando teu navio, ancorado muito tempo no porto, te deixar a impressão enganosa de ser uma casa,

Quando teu navio começar a criar raízes na estagnação do cais, faze-te ao largo.

É preciso salvar a qualquer preço a alma viajadora de teu barco e tua alma de PEREGRINO".

 

Estas frases são ricas em sugestões:

Antes do mais, vêm a ser uma alerta contra a natural tendência à acomodação que ameaça todo ser humano..., e ameaça aos poucos, insensivelmente. De um navio pode-se fazer uma casa, e ... uma casa com sólidos fundamentos, "lançando raízes" no seu solo. É, sem dúvida, mais atraente a noção de estabilidade que propicia repouso, do que a de sôfrega demanda de algo que nos falta e nos deixa ansiosos. Todavia, para quem é peregrino, a estabilidade é estagnação e fonte de morbidez e putrefação.

O cristão, já por ser humano, isto é, dotado de capacidade de Infinito, e, mais, por ser elevado à comunhão com o próprio Deus pela graça santificante (cf. 2Pd 1,4), é essencialmente faminto e sedento de algo melhor do que os bens que esta vida proporciona; estes não raro são bolhas de sabão, coloridas por fora, mas vazias por dentro. Seduzem, e enganam..., enganam no tocante ao essencial ou ao sentido da vida. Quem se deixa iludir por eles, é comparável a um viandante que, olhando para a direita e a esquerda, é atraído pelas flores e os pássaros e acaba esquecendo a meta para a qual ele se propôs tender.

Já o Senhor Jesus notava que "os filhos das trevas são mais prudentes (sábios) do que os filhos de luz" (cf. Lc 16, 8b). Parecem ter mais afinco em prol do mal do que os bons em prol do bem. Esta verificação em nossos dias é tanto mais pungente quanto mais se verifica a enorme necessidade de sacudir qualquer tipo de covardia indolente em benefício de uma presença cristã mais atuante e coerente. O apelo vem do Senhor Jesus, vem da Igreja de Cristo confiada a Pedro, vem do próprio mundo aparentemente ateu, mas incrivelmente sensível ao testemunho sincero e abnegado dos filhos de Deus.

 

E.B.


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