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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 346 – março 1991

Sim e Não:

 

"O Dilema da Sexualidade"

José Maria Monteoliva SJ.

 

Muito se tem escrito sobre educação sexual, segundo inspirações diversas. O Pe. José Maria Monteoliva S.J., educador do Colégio São Luiz (São Paulo, SP), apresenta um livro que aborda a sexualidade humana (seu sentido, seus valores, suas deformações. . .) e a maneira de educar crianças, adolescentes e jovens para o reto uso da genitalidade. Cf. "O Dilema da Sexualidade", ed. Loyola, São Paulo 1990, 140 x 200 mm, 140 pp.

 

A obra supõe vasto estudo do assunto, leitura de ampla bibliografia. Sua grande vantagem é insistir em que a instrução sexual não basta, mas há de ser acompanhada de educação, que apresente escala de valores e envolva o ser humano total (coração e cabeça). Por isto o autor critica, com pleno fundamento, Marta Suplicy (cf. p. 97), Rose-Marie Muraro (cf. p. 192), Simone de Beauvoir (cf. p. 112), que não se preocupam com parâmetros morais, mas se interessam mais pela informação, a reivindicação de direitos da mulher, a revolução sexual, etc.

 

Interessantes são as pp. 85-100, em que o autor fala da adolescência, descrevendo suas características.

 

Infelizmente, porém, cremos que o autor tende a certa condescendência, não rara em nossos dias entre os tratadistas da matéria.

 

Assim às pp. 99s considera o homossexualismo de maneira benigna, citando autores que de certo modo o querem legitimar (Guy Durand, Anthony Kosnik, John McNeill e outros); tais autores, levando em conta as situações pessoais destes ou daqueles indivíduos, julgam que lhes é lícita a prática homossexual. Não há no livro de Monteoliva a mínima referência a dois documentos da Igreja dos últimos anos relativos ao assunto em termos condizentes com a Bíblia e a Tradição cristã (ver bibliografia deste comentário à p. 141).

 

Paralelamente, no tocante à masturbação, Monteoliva se refere a Guy Durand como autor de "teoria cientificamente fundamentada", teoria, porém, que faz vistas largas sobre o problema. Veja-se o comentário da obra de Guy Durand "Sexualidade e Fé" em PR 327/1989, pp. 345-356. Monteoliva não cita a Declaração "Persona Humana", em que a Congregação para a Doutrina da Fé propõe o juízo clássico da Tradição cristã, diverso do de Guy Durand.

 

Seria desejável que Monteoliva se pronunciasse de modo claro sobre as relações pré-matrimoniais. Na verdade, ele parece não as aceitar quando aborda o tema "Juventude" (pp. 101-112), mas requer-se mais nitidez de posição. — Bem diferentes são as ponderações de João Mohana em seu famoso livro "Vida Sexual de Solteiros e Casados", livro que é extremamente realista e concreto, além de dissertar com toda a clareza desejável sobre os diversos aspectos da temática, enunciando sempre os postulados da Moral católica, que, em última análise, são os da própria lei natural.

 

Observamos ainda que à p. 20 ocorre uma expressão inadequada. O autor tem em vista rejeitar o dualismo "corpo e alma", ou seja, a tese que julga o corpo como elemento mau e a alma como algo de bom e nobre. . . Com razão Monteoliva recusa tal posição. Mas não rejeite a dualidade de corpo e alma; estas duas substâncias (na linguagem filosófica) se distinguem uma da outra, como matéria e espírito se distinguem; são, porém, complementares entre si no plano ontológico, pois o homem é um ser naturalmente psicossomático, e não é um "espírito" encarnado por castigo de seus pecados. Rejeite-se, pois, o dualismo (expressão pejorativa), não, porém, a dualidade de corpo e alma.

 

O livro se presta a muitas outras observações: apresenta páginas altamente positivas, quando se refere a amor, sexualidade e genitalidade. Todavia, quando encara concretamente a prática genital, procura não chocar; na verdade, deveria ser explicitamente fiel à Moral professada pela Igreja em seus documentos oficiais emanados da Congregação para a Doutrina da Fé:

 

 

Declaração "Persona Humana", de 29/12/1975 (sobre Homossexualismo, Masturbação e Relações Pré-matrimoniais).

 

Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre o Cuidado Pastoral das Pessoas Homossexuais, de 19/10/1986.

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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