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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 547 – janeiro 2008

Debate:

 

A FIXAÇÃO DA DATA DO CARNAVAL

 

A imprensa tem divulgado a notícia de que certas autoridades pensam em fixar a data do Carnaval, o que facilitaria os preparativos dos festejos e permitiria melhor planejamento da vida civil. Segundo a proposta mais frequente, a fixação cairia no primeiro domingo de março como início do Carnaval.

 

Pergunta-se: que diz a Igreja a respeito?

Na verdade, a Moral Católica não se opõe à fixação da data do Carnaval; mas tem suas objeções a fazer à escolha do primeiro domingo de março. Ei-las:

 

1) os meses de fevereiro, março e abril são, no calendário católico, o período em que cai a Quaresma ou os quarenta dias de oração e penitência mais intensa em preparação da Páscoa. O início de março, portanto, é uma época muito sagrada para os católicos, pois se reveste de uma espiritualidade forte e exigente, que não condiz com as atitudes de quem prepara e celebra o Carnaval. Haveria um choque.

 

2) Não somente razões religiosas católicas impugnam a proposta acima. Com efeito, a Quaresma provoca a Campanha da Fraternidade, que é de interesse também de protestantes que a celebram com os católicos e tem finalidade humanitária: atender a algum problema de Ética natural: o valor da água, a devastação da Amazônia, os anciãos... A Campanha da Fraternidade implica poupança de dinheiro para no fim da Campanha contribuir monetariamente para o alívio dos irmãos que sofrem. Esta poupança é contrastada pelos gastos exigidos pelo bom êxito do Carnaval.

 

3) Para evitar os conflitos de mentalidades e atitudes, é oportuno que o Carnaval se realize antes da Quaresma; assim a sociedade poderá viver cada uma das duas celebrações (Carnaval e Quaresma) mais tranqüila e proveitosamente. Daí julgarmos que a data fixa ideal do Carnaval deveria ser procurada no fim de janeiro. Esta data seria conveniente também para os estabelecimentos de ensino, que ultimamente têm recomeçado suas atividades em fevereiro, devendo, porém, interrompê-las mal iniciadas pela intercalação de quatro ou mais dias de "férias" por causa do Carnaval.

 

Diante dos problemas assim colocados, vê-se bem quanto é sábio reservar um tempo adequado para cada atividade, evitando-se sobrepor duas Campanhas de índole e exigências diversas entre si. É muito correta a advertência do autor sagrado:

 

"Há um momento para tudo e um tempo para todo propósito debaixo do céu, tempo de chorar e tempo de rir; tempo de gemer e tempo de bailar; tempo de calar e tempo de falar" (Ecl 3, 4 e 7b).

 

Em complemento perguntamos: como é atualmente escolhida a data do Carnaval?

Causa espécie a oscilação da data de Carnaval. Quem a calcula?

 

Eis a resposta: a data do Carnaval é mutável porque depende da data de Páscoa, e a data de Páscoa, por sua vez, é oscilante. Com efeito; a data de Páscoa é ditada pela Bíblia no livro do Êxodo, cap. 12,1-14; aí manda o Senhor Deus, por intermédio de Moisés que, na noite da primeira lua cheia após o equinócio da primavera no hemisfério Norte, seja imolado e consumido o cordeiro de Páscoa. Supunha-se então o ciclo lunar, que não corresponde ao mês do ano solar. Consequentemente o reajuste da data tem que ser feito anualmente já que contamos meses e anos solares. Uma vez feito esse reajuste ou calculada a data de Páscoa, contem-se seis semanas anteriores ou 42 dias. Desses 42 dias, sejam retirados os seis domingos, pois no domingo não se jejua; ficam 42-6 = 36. Para chegar a 40 (Quaresma quer dizer 40), são acrescentados os quatro dias anteriores ao primeiro domingo da Quaresma, ou seja, a quarta-feira dita "de cinzas", a quinta, a sexta e o sábado. Assim a Quaresma começa na quarta-feira de cinzas e vai até o sábado anterior à Páscoa, perfazendo um total de quarenta dias de oração e procura mais intensa de conversão.

 

Consequentemente o Carnaval se coloca nos três dias anteriores à quarta-feira de cinzas, que oscila, porque, como dito, depende do ciclo da Lua que não coincide com o mês solar.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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