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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 549 março 2008

Refletindo sobre a vida:

 

DEUS CRIA A ALMA HUMANA DE CADA EMBRIÃO?

 

Discute-se hoje em dia a origem da alma humana: é gerada pelos pais ou diretamente criada por Deus?

Examinemos cada qual destas perguntas.

 

1. Gerada pelos pais?

 

Os animais irracionais constam apenas de matéria viva; o seu princípio vital é matéria. Deve-se então dizer que no ato de fecundação da fêmea pelo macho o princípio vital do novo animal é deduzido da matéria dos genitores, sem ato criador de Deus. Quando o animal irracional morre, o seu princípio vital é reabsorvido pela matéria, sem que algo sobreviva numa existência póstuma. Tudo ocorre dentro do reino da matéria, e não além desta.

 

2. A alma humana criada por Deus

 

Quando passamos para o nível do ser humano, registramos, antes do mais, que o homem é um composto de corpo material e alma espiritual; há nele mais do que matéria.

 

Ora o embrião recebe a sua corporeidade das sementes vitais (óvulo e espermatozóide) dos genitores. A alma humana, porém, não emite sêmen para procriação; ela é espiritual, não composta de matéria e espírito, de modo que ela não pode transmitir sua vida sob a forma de um óvulo ou um espermatozóide. Diz-se então que a alma do novo ser humano é criada por Deus, e isto para cada embrião, desde que este seja verdadeiramente humano; a alma torna-se o princípio vital do ovo fecundado independentemente das circunstâncias em que foi fecundado.

 

3. O propósito destas reflexões

 

As reflexões atrás foram ocasionadas por um debate sobre o aborto. O jornal "A Folha de São Paulo" entrevistou Edir Macedo sobre o assunto e dele recebeu a seguinte resposta:

 

FOLHA: "Deus deu a vida e só Ele pode tirá-la", segundo a Bíblia (sic). Não é contraditório um líder cristão defender o aborto?

MACEDO: A criança não vem pela vontade de Deus. A criança gerada de um estupro vem de Deus? Não do meu Deus! Ela simplesmente é gerada pela relação sexual e nada mais além disso. Deus deu a vida ao primeiro homem e à primeira mulher. Os demais foram gerados por estes.

 

Para refutar estes dizeres, estão as reflexões aqui propostas.

As declarações de Edir Macedo foram comentadas pelo Sr. Jefferson Modesto da Silva, de Belém do Pará, e transmissor da entrevista via internet, nos seguintes termos:

 

Ao dizer que as crianças "não vêm pela vontade de Deus" e que "a criança gerada de um estupro" estaria fora do controle de Deus ("Não do meu Deus", diz ele), e ao segregar a ação de Deus na doação da vida apenas "ao primeiro homem e à primeira mulher", sendo as demais crianças meramente "geradas por estes", Macedo está na realidade adotando uma cosmovlsão deísta, ou seja: Deus iniciou a criação e deixou as situações e fenômenos naturais se desenrolando. Isso coloca Deus distante e não envolvido (supostamente resolvendo o dilema da responsabilidade) com as questões humanas. Mas como explicar a ênfase nos milagres e nas intervenções divinas, da IURD? É que esse "deísmo seletivo", não construído a partir dos dados da Bíblia, é limitado às situações convenientes. Ocasionalmente, Deus intervém, aqui e ali, consertando as coisas que o homem faz de errado, curando, restaurando relacionamentos. Para motivar Deus a fazer isso, é necessário, entretanto, intenso clamor e bastante fé, senão as coisas continuam como estão.

 

Na mesma entrevista, Edir Macedo trata do homossexualismo:

 

Edir Macedo, procurando dar a resposta que agrada à mídia, demonstra, na realidade, a própria rejeição que é enraizada em preconceito, porque não tem nem oferece base metafísica maior (bíblica) para sua posição. Quer ser politicamente correto e diz que aceita o homossexualismo; no entanto, ficaria "decepcionado", se fosse um filho seu; e procuraria "ajudá-lo" (ajudar em que sentido? A ser aceito pelos demais? A se recuperar? Porque, se ele seria "aceitável"?). O cristão, que firma suas convicções a partir das escrituras, da palavra de Deus, rejeita a prática porque a identifica como pecado, como disfunção de comportamento e é claro nisso. Não a chama de "livre opção de vida" aceita por Deus, como faz Macedo; mas reconhece como uma "opção de vida" condenada por Deus como várias outras o são.

 

Comenta o sr. Jefferson:

 

Como demonstrado nas palavras de Macedo, na entrevista, as convicções éticas, na IURD, são essencialmente pragmáticas. Avança-se aquilo que é considerado a tarefa messiânica do segmento com quaisquer parâmetros, afirmações, conexões ou práticas, desde que funcionem.

 

Princípios não regem a prática, mas os objetivos, sim. Não há âncora metafísica maior (revelação) para estabelecimento da verdade. Daí a conformação com o que é politicamente correto, com o que agrada às massas. Estamos testemunhando, portanto, não uma convergência da IURD com o evangelicalismo, mas um afastamento gradativo ainda maior, exatamente porque o que está ditando a agenda daquela igreja, não é o estudo e posição da Bíblia (que seria o possível ponto de convergência), mas a sede e busca de poder; o envolvimento fisiológico (e não transformador) com a política e os políticos; e uma ação de relações públicas, que a leva a abraçar, sem qualquer pejo, posições claramente contraditórias pela Palavra de Deus.

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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