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Artigo

A família em crise existencial

Jornal do Brasil - Sergio Sebold

Diariamente, se defronta com casos e mais casos de famílias se destruindo por motivos cada vez mais banais. A mídia (novelas particularmente) procura impor “novos” modelos de coexistência familiar com a falsa justificativa de que tudo está mudando e a estrutura tradicional não alcança mais seus objetivos. Busca-se apontar que as causas da criminalidade em crescimento vertiginoso é o problema da educação. Embora faça parte do problema, pouco se divulga que os primeiros passos do ser humano são dados num ambiente familiar sadio, e é lá que se moldará sua personalidade. 

Houve nas últimas décadas uma fantástica mudança de hábitos e costumes decorrentes da tecnologia que nos é injetada diariamente, sem qualquer possibilidade de senso crítico para estabelecer se nos é útil ou não, se moralmente é correta ou não. Mal um conforto começa a se incorporar ao nosso cotidiano, imediatamente vem um novo, tornando o anterior obsoleto para perpetuar o vazio existencial da grande sociedade. Todos devem estar ocupados.  A indústria não pode parar, e o capital também não.  

As pessoas estão ficando cada dia mais perdidas, sem referencial. A educação dos pais na família tradicional está perdendo espaço para propostas e experiências de convivência, ditadas pela mídia, onde prega a antítese dos valores morais e culturais.  O mito da caverna de Platão aqui se repete. As pessoas ficam grudadas naquela telinha dia e noite, e não conseguem ver mais a verdadeira luz do dia. Que pena!  

Estão se criando gerações totalmente alienadas, longe dos valores espirituais, morais, éticos e cristãos. A família é, e sempre será, o núcleo essencial da sociedade. É ela determinante na transmissão da vida, dos valores, da educação gradual, de comportamento e do respeito mútuo entre as pessoas.  

As causas mais comuns da deterioração da família são decorrentes de pais que não foram preparados. De uniões espúrias não consagradas, de “produção independente”, liberalidade dos costumes, fora os casos de violência sexual.  Filhos que vieram sem serem filhos, sem qualquer profissão de uma fé, agnósticos literalmente. São em geral filhos de pais em conflitos, pais em turn over, pais afetivamente ausentes. Ausência no sentido amplo, não companheirismo, longe dos problemas dos filhos, pais que não se falam e, o fundamental, sem crença religiosa. Família que não professe alguma forma religiosa, não se manterá por muito tempo. Quando muito, até os filhos começarem a andar ou se comunicarem com os pais. A partir dali, a ausência começa a se manifestar. Logo, logo, tristemente, vai cada um (mãe e pai) para seu lado, proclamando seus desejos e direitos do individualismo predador. Neste momento, os filhos existentes passam para um triste espólio de quem fica com quem. 

Numa família em que os pais têm de se ausentar, se for para um trabalho digno, honrado e no qual eles juntam esforços e recursos para manterem a prole, dificilmente haverá filhos desajustados. Estes filhos não são tão ingênuos que não ss apercebam do comprometimento dos pais. Se o comportamento dos pais for exemplar, é de se esperar que os filhos mais tarde irão fazer exatamente como os pais fizeram ou disseram. É fortíssimo o refrão: Família que reza unida permanece unida. Família em comunhão com Deus se torna indestrutível. 

A família não é um elemento estático, nem um agregado de pessoas e necessidades, mas uma célula viva. Não é apenas um ente de consumo mas uma fonte de investimento, assim como os filhos não são um “assunto privado mas para toda a comunidade”, conforme declarou Gianna Savaris, vice-presidente do Fórum Nacional das Famílias da Itália.  

O tipo de pais a que aludimos acima nem sempre busca no casamento uma realização humana no sentido amplo da sua essência espiritual. Não lhes foi dito que fazemos parte de uma cadeia de vida, desde o início dos tempos, estabelecida por um plano divino de nosso Criador, cujo processo deverá se perpetuar. Mas este processo somente frutificará no plano do amor incondicional. Amor doação sem cobrança. Nesta condição haverá famílias sólidas e filhos que vêm ao mundo com segurança para manter o elo perpétuo da vida. A família como se está produzindo hoje passa ser uma abstração constituída apenas por pessoas físicas, que se diferenciam pelo gênero, pelas idades e por suas preferências fúteis. Todos fazem parte da “família”. A questão pai, mãe, filhos é mero produto social ou efeito da natureza humana. Todos são indivíduos e devem assim permanecer na clausura de seus egoísmos.  

Infelizmente, boa parte de nossos jovens quando se unem em casamento o fazem com a intenção de estarem livres, sem restrições, para praticar o sexo desenfreado por prazer como um fim em si mesmo. Quando surgem os filhos “por acidente de percurso”, vem para os pais um problema, uma perturbação nas suas relações, onde afloram neste momento seus individualismos.  Tristemente, temos filhos gerados pela forma inconsequente e não fruto da beleza de um valor superior: o amor.  

O que se pode esperar, do hiperindividualismo, onde se proclama que ninguém é mais de ninguém, “cada um na sua”?  O que se pode esperar quando o Estado desestimula a existência da família  consagrada (juridicamente) a favor de outras formas de uniões? O que se pode esperar no contexto dos direitos e vantagens individuais, quando estes forem superiores aos da família civil?   

O fim da família será o fim da civilização.


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