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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 021 – setembro 1959

 

Comunhão sob as duas Espécies

 

A. LEME (S. Paulo), L. FILIPPE (Campinas), M. FEIJÓ (S. André): Os amigos perguntam porque a Sta. Igreja não distribui aos fiéis a Comunhão sob as duas espécies.


A esta questão já respondemos em "P.R." 9/1958 qu. 6; oxalá possam verificar esse fascículo ! — Trata-se de razão meramente histórica: a fim de evitar o derramamento do preciosíssimo sangue do Senhor, que parece ter ocorrido frequentemente na Idade Média, as autoridades da Igreja, a partir do séc. XII, foram deixando de distribuir o cálice aos fiéis. Fazendo isto, usavam simplesmente do poder que Cristo lhes confiou, de prover à disciplina no povo de Deus (cf. Mt 16,19 ; 18,18) ; não derrogaram em absoluto a algum mandamento do Senhor, pois

 

1) o cálice continua a ser consagrado, assim como o pão, em toda celebração eucarística; não há Missa sem pão e vinho;

 

2) não apenas o corpo de Jesus está presente sob as aparências do pão, nem apenas o sangue sob as aparências do vinho consagrado, mas Corpo, Sangue, Alma e Divindade estão inseparàvelmente presentes tanto na hóstia como no vinho consagrados. Jesus se encontra na Eucaristia como Ele se encontra no céu atualmente ; se o seu corpo na Eucaristia estivesse realmente separado do sangue, Cristo estaria de novo a padecer e agonizar — o que é impossível, conforme Rom 6,9s. Por conseguinte quem apenas ingere a hóstia consagrada, recebe verdadeiramente o corpo e o sangue do Senhor, como ordena Cristo em Jo 6,54. — Note-se, aliás, que nesta tão citada passagem Jesus não manda "distribuir o cálice", mas manda "tomar o seu sangue" — coisa esta que se pode realizar sem aquela, segundo acabamos de expor.

 

3) Na S. Missa celebrada em rito maronita, bizantino, armênio, etc. em populações orientais unidas à Sta. Igreja, distribui-se a comunhão sob as duas espécies (no Oriente os motivos de disciplina nunca provocaram a supressão do cálice). Aos fiéis latinos é perfeitamente lícito comungar nesses ritos orientais celebrados por comunidades filiadas ao Vigário de Cristo ; a S. Missa e a S. Comunhão são a mesma realidade, independentemente do idioma e do quadro de cerimônias em que sejam oficiadas.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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