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Artigo

Começou a 'sodopoligamia'

Sergio Sebold (*)
Fonte: Jornal do Brasil

O Brasil não precisa de poligamia para enxamear sua população. Nossa população está em equilíbrio demográfico. A busca de modismos com a celebração de casamento recente de um homem e duas mulheres na cidade de Tupã (divulgado pelo site do Terra), com a chancela de uma tabeliã local, estribada na falsa moral de que tudo que não é proibido ou escrito é permitido, está abrindo as portas para a barbárie. Isto é, começa a era da sodopoligamia.

 Os riscos agora são poucos para a prática da sodomia. A medicina desenvolveu contraceptivos e técnicas cirúrgicas eficazes para cada lado a fim de evitar a gravidez. Deus tenha misericórdia de nós.

Conjetura-se que ao longo da caminhada deste ser humano “racional”, a quem foi confiado um grau de inteligência superior às demais espécies, já tenha experimentado em épocas obscuras do tempo tudo isto, o que quase desapareceu segundo antropólogos. Devem ter caído na realidade que a espécie humana só prospera pelo par homem/mulher perpétuo. Mas os viventes do século 21 estão querendo começar tudo de novo.

Agora terminou o casamento legal tradicional. Tudo virou “zona”. É o que desejam os abutres invisíveis, que estão por trás de tudo isso. Quando o país estiver totalmente perdido em seus valores morais (veja Alexandre Garcia – “Onde começa a bagunça”), será fácil conquistá-lo, não mais será necessário usar armas. Para dominá-lo, bastará corroer o cerne moral.

Na década de 60 do século passado, houve um movimento (experimento?) sociológico, numa universidade alemã da chamada “família comunitária”. Todos moravam e dormiam juntos, sob o mesmo teto, sem qualquer restrição. Havia um administrador (síndico) para aplicar as regras do experimento, de como dividir e organizar as tarefas domésticas e anotar todos os comportamentos relevantes do grupo. Havia também revezamento desta função. Assim, todos trabalhavam em suas profissões durante o dia, mas se reencontravam na casa (da pesquisa) no final do expediente. A regra básica era: não poderia haver a chamada preferência sexual de um por outro. Prelúdio dos BBBs de hoje. A reportagem saiu na revista Life, entre 1961 e 1963. Eram quatro mulheres e três homens inicialmente. O projeto, se não me falha a memória, durou quatro anos. Algumas das mulheres já traziam filhos consigo mesmas, outras obtiveram-nos durante o período do confinamento. Alguns homens logo abandonaram por não suportarem o projeto, não podiam formar pares preferenciais. A intenção era ver como as pessoas se comportam, num ambiente poliafetivo junto com seus desdobramentos, filhos, partição dos bens, recursos financeiros, repartição de tarefas etc. Observou-se com o tempo a tendência de preferência e exclusividade em parcerias. Isto é, lentamente uma e/ou outro discretamente davam-se preferências principalmente nas relações afetivas. Assim, naturalmente havia uma tendência de formarem pares monogâmicos. Em outras palavras, a integração de todos com todos não prosperava. Por maior esforço que fizessem, a tendência à exclusividade de pares era forte demais para experiência. A utopia não deu certo.

Assim, o grupo se desfez, alguns casais se firmaram. Outros, eles ou elas simplesmente partiram para busca de seu próprio destino. O único problema que ficou no ar foram os filhos, saber de quem era o pai biológico.

De forma semelhante esta experiência foi tentada no Brasil, por um grupo de Novo Hamburgo, RS, na década de 70, agora sem promiscuidade, nos moldes dos Kibutz israelenses. Mas também não prosperou.

No campo humano, as resistências culturais são fortíssimas, quando se procuram novas experiências fora do modelo convencional da família nuclear monogâmica: pai, mãe e filhos. Segundo relatos da Bíblia, a experiência acima deve ter acontecido nas cidades de Sodoma (daí a palavra sodomia) e Gomorra. O resultado desta experiência está lá escrito. É só ler para ver o que aconteceu.

*Sergio Sebold, economista, é professor.

 


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