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Artigo

TUDO PELOS JOVENS!

 “A realidade na qual nós vivemos exige que o cristão receba uma formação sólida”, afirma o Papa Bento XVI (1).

 

O Papa Bento XVI iniciou o Ano 2012 com a Santa Missa da Solenidade de Maria Mãe de Deus, cuja mensagem foi: “educar os jovens para a justiça e a paz”, dizendo que “para a comunidade eclesial educar faz parte da missão recebida de Cristo, é uma parte integrante da Evangelização, porque o Evangelho de Cristo é também o Evangelho da justiça e da paz.” Disse ainda “a Igreja nos últimos tempos manifestou a exigência de envolver todas as consciências mais sensíveis e responsáveis pelo destino da humanidade: a necessidade de responder a um desafio crucial que é a educação” e então prosseguiu: “diante das sombras que hoje obscurecem o horizonte do mundo, assumir a responsabilidade de educar os jovens para o conhecimento da verdade dos valores fundamentais da vida, das virtudes intelectuais, teologais e morais, significa olhar para o futuro com esperança. E, neste compromisso com uma educação integral, entra a formação para a justiça e paz”.

 

 

A MISSÃO DOS JOVENS

 

Desde Juventude Transviada, o grande filme dirigido Nicholas Ray e estrelado por James Dean em 1955 no papel de Jim Stark, o mundo não via se abrir nas telas um abismo entre gerações tão evidente.

 

De Juventude Transviada, surgiram vários nomes: juventude perdida (sexo, drogas e rock’n roll), juventude ateísta, juventude ciberamigos.

 

Jovens viciados e totalmente dependentes das redes sociais e da alta tecnologia. Tempo e cérebro condicionados para o mundo virtual, superficial, parcial e infernal. Vivemos a Era Boçal da inteligência artificial.

 

“Violência, armas, drogas e homicídios tornaram-se sedutores para jovens sem futuro”, é a constatação feita pela pesquisadora Thais Cardinale Branco, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) (2).

 

O documento da Unicef informa que 81 mil adolescentes brasileiros de 15 a 19 anos foram assassinados entre 1998 e 2008. Segundo o texto, o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de homicídios de jovens. Segundo o coordenador do Programa de Cidadania dos Adolescentes do Unicef no Brasil, Mario Volpi, os adolescentes brasileiros estão mais expostas à violência do tráfico de drogas, às falhas das políticas de segurança e, em algumas áreas, à pobreza: “O números de mortes violentas de adolescentes no Brasil é desproporcional em relação a qualquer outro país” (3).

 

O levantamento nacional sobre álcool e drogas divulgado pela Universidade de São Paulo (USP) mostra que o Brasil é o maior mercado de crack do mundo e o segundo de cocaína. Segundo pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) divulgado em 5 de setembro de 2012, as mulheres criam maior dependência em relação ao crack do que os homens (4).

 

Em todo o país, estima-se que mais de 40 mil crianças e jovens desapareçam anualmente, sendo 9 mil delas no Estado de São Paulo. Fugas são mais comuns que subtração ou seqüestro. Cerca de 85% dos menores que desaparecem fugiram de suas casas por causa de suas famílias desestruturadas, explica a psicóloga Eliane Bernardilli, do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (SeCride), em Curitiba, Paraná (5).

 

DOCUMENTO DE APARECIDA

 

“O pluralismo de ordem cultural e religiosa, propagado fortemente por uma cultura globalizada, acaba por erigir o individualismo como característica dominante da atual sociedade, responsável pelo relativismo ético e pela crise da família. Muitos católicos se encontram desorientados frente a essa mudança cultural” (nº 479 e 480).

 

Como orientar os católicos diante de tantos desafios? O grande teólogo e ínclito pensador Bento XVI responde: “Com formação sólida”.

 

“Em amplos setores da população, especialmente entre os jovens, cresce o desencanto pela política e particularmente pela democracia, pois as promessas de uma vida melhor e mais justa não se cumpriram ou se cumprirão só pela metade. A democracia e a participação política são frutos da formação que se faz realidade somente quando os cidadãos são conscientes de seus direitos fundamentais e de seus deveres correspondentes” (nº77). “... Os presbíteros que reservam tempo para formação permanente” (nº191).

 

“Uma formação pastoral dos futuros presbíteros e agentes de pastoral capaz de responder aos novos desafios da cultura urbana” (nº 5180).

 

“A neutralização da cultura de morte com a cultura cristã da solidariedade é imperativo no que diz respeito a todos nós e é objetivo constante do ensino social da Igreja” (nº430).

 

Todo sistema para destruição do ser humano está dentro do contexto da cultura de morte. Contra tal sistema e condrictes, temos as armas mais poderosas do planeta para nossa sólida formação e vitória: Sagrada Escritura, Concílio Vaticano II, Catecismo da Igreja e o Compêndio da Doutrina Social da Igreja. Esse é o conjunto de ferramentas grandiosas construtoras da cultura de vida, ou seja, da cultura cristã e salvação eterna.

 

Tudo pelos jovens... e todos construindo a civilização do amor. O fundamento para enfrentar os novos horizontes dos séculos futuros é tão somente a abissal e constante formação sólida.

 

Afirma o Papa Bento XVI: “O mundo necessita de homens e mulheres competentes e generosos, que se coloquem a serviço do bem comum. Empenhem-se nos estudos com seriedade; compartilhem seus talentos e os coloquem desde já a serviço do próximo” (6).

 

Realmente, necessitamos em tudo aprofundamento para o bem social, eclesial, para nossa fé e o nosso bem-estar físico, emocional e espiritual!

 

Pe. Inácio José do Vale

Professor de História da Igreja - Instituto Teológico Bento XVI - Sociólogo em Ciência da Religião

Coordenador Paroquial da JMJ-Rio-2013

E-mail: pe.inacio.jose@gmail.com

 

NOTAS:

 

(1)                 L’ossarvatore Romano, 29/09/2012, p. 11.

(2)                 Jornal do Brasil – País, 10/03/2008, p. A7.

(3)                 O Globo – O País, 26/02/2011, p.13.

(4)                 Folha Universal, 23/09/2012, p.5.

(5)                 Jornal do Brasil – País, 11/02/2008, p. A5.

(6)                 Mensagem do Papa Bento XVI, Para o XXVII Dia Mundial da Juventude, nº 4. Roma, 02 de abril de 2012.


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