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Artigo

PERGUNTE e RESPONDEREMOS 033 – setembro 1960

 

Medicina e Ressurreição

CIÊNCIA E RELIGIÃO

ESTUDANTE (Rio de Janeiro): «Que dizer dos famosos casos de 'ressurreição' obtida por meio da Medicina? Já aconteceu que defuntos recomeçassem a viver após intervenção do médico! Essas experiências não demonstram que não existe alma no homem, mas que a vida é mero produto das reações da matéria?»

 

Em resposta, começaremos por lembrar um dos casos mais recentes que ilustram o problema: em 1959 o médico Dr. Pedro Meinberg foi vítima de um enfarto do miocárdio no Hospital dos Comerciários do Rio de Janeiro, vindo a «morrer» sem demora; imediatamente, porém, sobreveio um conjunto de médicos especialistas, que recorreram principalmente a massagens no coração da vítima; em consequência, oito minutos após a «morte» o Dr. Meinberg tinha recuperado a vida!

 

Para elucidar o alcance filosófico-religioso desse e de semelhantes episódios, os parágrafos que se seguem explanarão algumas noções referentes à alma e à morte do homem.

 

1. Algo sobre a alma humana

 

O tema «alma humana» já foi mais de uma vez abordado em «Pergunte e Responderemos»; tenham-se em vista os fascículos:

«P. R.» 5/1958, qu. 1 (distinção entre espírito e matéria);

«P. R.» 7/1958, qu. 1 (origem da vida);

«P. R.» 4/1957, qu. 3 (origem da alma humana);

«P. R.» 2/1957, qu. 5 (imortalidade da alma).

 

Na presente resposta, deter-nos-emos apenas na consideração de alguns aspectos de Psicologia que interessam aos apregoados casos de «ressurreição».

 

1.1. Todo ser vivo (planta, animal irracional, homem) possui um princípio vital, isto é, um princípio imanente que, sob a ação de Deus, dá vida ao respectivo vivente.

 

A existência desse principio vital se depreende da consideração das funções características de todo e qualquer ser vivo. — Se bem que ninguém até hoje possa dizer qual a essência ou a estrutura íntima da vida, certo é que esta se distingue por duas manifestações inconfundíveis:

 

a) Autorregulação. O organismo de qualquer vivente compõe-se de muitos elementos químicos (hidrogênio, oxigênio, cálcio, carbono, ferro, etc.). Esses diversos elementos, porém, não se comportam independentemente uns dos outros, mas suas reações específicas são coordenadas e dirigidas para a conservação do conjunto (do organismo) a que pertencem. As funções parciais (de célula, de tecido, de órgão...) num ser vivo, por múltiplas que sejam, são devidamente concatenadas entre si, de modo a realizar uma única grande função e a servir a um único sujeito.

 

Deve-se mesmo dizer que uma das notas mais típicas do ser vivo é a unidade. — Haja vista um ser não vivente como, por exemplo, uma rocha: quebrada e pulverizada, a pedra guardará sua estrutura característica em cada um dos fragmentos resultantes do bloco; cada qual destes ainda será pedra. Ao contrário, quando se corta uma rã ao meio, não se pode dizer que ficarão duas metades de rã ou uma rã em duas metades; em breve cada uma das partes separadas irá perdendo o seu funcionamento e a sua realidade de rã; entrará em decomposição, e finalmente tornar-se-á poeira. Donde se vê que o ser vivo não existe senão em sua unidade característica ou em sua organização típica. Isto quer dizer que no vivente cada parte só tem razão de ser em vista do todo e dentro do todo.

 

Ainda para avaliar o que é a unidade do vivente, note-se que, no tocante à alimentação, o ser vivo não ingere qualquer outro ser; antes, escolhe no seu ambiente o que lhe convém e elimina o que não lhe serve: nutre-se, por exemplo, de verduras, frutas, laticínios, carne..., de tal modo, porém, que após a digestão esses alimentos estejam convertidos na estrutura do ser vivo; o que não possa ser assimilado, o que quebraria a unidade do organismo, é simplesmente lançado fora, segundo sábio processo de metabolismo.

 

Mais ainda: verifica-se que qualquer lesão infligida a um ser vivo afeta em certo grau o organismo inteiro; cada uma das funções deste é de algum modo mobilizada para reparar o dano sofrido por um só órgão que seja.

 

Tais fatos levam a concluir que em todo ser vivo há um princípio de autorregulação, isto é, um princípio que dirige as funções particulares dos respectivos componentes, imprimindo finalidade superior a cada uma delas; é esse principio que torna possível a existência de um grande todo, que não é simplesmente a soma dos seus ingredientes (não é mero agregado de oxigênio, hidrogênio, ferro, cálcio...), mas é realidade nova: roseira, cão, corpo humano, etc.

 

b) Proliferação. Outra propriedade dos seres vivos é a reprodução de si mesmos. Com efeito; o vivente não se limita apenas a existir; tende também a se expandir e a se multiplicar, produzindo rebentos da mesma natureza que os genitores. Em uma palavra: todo ser vivo desprende de si células germinais capazes de perpetuar a espécie à qual ele pertence. Já que o mineral não realiza tal função, diz-se que é característica dos viventes; supõe um principio intrínseco de atividade capaz de coordenar e subordinar as atividades dos minerais que compõem o organismo vivo.

 

1.2. Estabelecida a existência de um princípio vital em cada vivente, faz-se mister frisar que nos irracionais (plantas e animais inferiores ao homem) esse princípio é material, pois suas funções (vegetativas, na planta; vegetativas e sensitivas, no animal) estão estritamente ligadas a órgãos corpóreos e a objetos concretos; a planta, por exemplo, se nutre «deste» conjunto de minerais, «aqui e agora» existentes; o cão vê «este» ou «aquele» objeto determinado que se tornará sua presa, ouve «tal» ruído concreto que o estimula, etc. Ora a atividade de um ser é a expressão da sua estrutura ou da sua essência. Por conseguinte, atividade limitada pela corporeidade implica essência limitada pela corporeidade, ou seja, essência corpórea. É o que nos leva a afirmar que o princípio vital (princípio de atividade) da planta e do animal irracional é material ou corpóreo.

 

No homem, ao contrário, o princípio vital não é material, mas imaterial ou, como se diz, espiritual. Com efeito, a vida no homem tem afirmações que transcendem os limites da matéria, do concreto: o homem pode não somente adquirir o conhecimento «deste» ou «daquele» objeto bom, belo, forte, justo, sábio, mas por sua inteligência chega a conceber a noção universal da Bondade, da Beleza, da Fortaleza, da Justiça, da Sabedoria. Consequentemente, conclui-se que dentro do homem o principio de atividade transcende a matéria; é imaterial ou espiritual.

 

Esse princípio vital espiritual (também dito «alma humana») preenche simultaneamente as funções da vida intelectiva,da vida sensitiva e da vegetativa; não há duas ou três almas em cada indivíduo humano.

 

1.3. De quanto foi dito seguem-se proposições importantes concernentes à origem e à duração da alma.

 

a) O principio vital das plantas e dos animais irracionais, sendo material, é oriundo da matéria mesma. Desde que os genitores deem origem a um embrião suficientemente organizado para ser sede da vida vegetativa ou sensitiva, a própria matéria produz de si o respectivo princípio de autorregulação ou de vida vegetativa e sensitiva. Esse princípio vital passa a atuar no respectivo organismo, e aí permanece enquanto o organismo conserva sua estrutura característica, ou seja, enquanto não sofre desgaste ou lesão tais que tornem impossíveis as funções da vida.

 

É conhecido o fato de que a vida em seus graus de perfeição ascendentes requer um organismo cada vez mais complexo, por isto cada vez mais tênue ou delicado. Pode acontecer que uma parte relativamente pequena de um verme, amputada do seu conjunto conserve a vida e restaure a figura completa de tal verme; o mesmo, porem, não se dá com uma parte relativamente pequena de um cão.

 

Desde que o organismo da planta ou do animal irracional sofra avaria tal que não seja possível continuar-se aí o exercício das funções da vida, o respectivo princípio vital é reabsorvido pela matéria da qual ele procedeu. Tal princípio vital deixa simplesmente de existir; a matéria produz em seu lugar outros princípios de atividade (já não atividade vital), como sejam os princípios de atividade do oxigênio, do hidrogênio, do cálcio, do ferro (o organismo morto, perde, sim, sua unidade, e decompõe-se nos múltiplos elementos que o constituíam; torna-se gás e pó...).

 

b) No homem, ao invés, a alma, não sendo material, não pode originar-se da matéria, nem ser reabsorvida por esta. Ela é criada diretamente pelo Autor mesmo da matéria ou por Deus; permanece no corpo enquanto este lhe oferece as condições necessárias para o exercício da vida própria do homem (que é vida simultaneamente intelectiva, sensitiva e vegetativa). Separa-se, porém, do organismo desde que este se ache danificado a ponto de não poder mais desempenhar as funções da vida. Quando o organismo começa a se dissolver, a alma humana não é destruída, mas volta ao seu Criador, ao qual ela presta contas de sua conduta na terra.

 

Tais noções já tendo sido desenvolvidas pelos artigos de «P R» citados no início desta resposta, limitamo-nos aqui a frisar o seguinte: a permanência da alma humana no respectivo corpo depende sempre da conservação da estrutura característica de tal organismo. Desde que esta venha a ser afetada em algo de essencial (seja por lenta moléstia, seja por golpe violento), inicia-se o processo de separação da alma e do corpo: o corpo, em consequência, perde a sua unidade, decompondo-se nos múltiplos elementos que o constituem e que a alma presente subordina a uma finalidade superior. Tal processo é chamado “morte”; pode ser lento ou rápido, nunca, porém, instantâneo. Ora, é justamente a maior ou menor morosidade da separação de alma e corpo que dá lugar aos fenômenos enunciados no cabeçalho deste artigo, fenômenos para os quais devemos agora diretamente voltar nossa atenção.

 

2. Morte aparente e morte real

 

2.1. A alma se acha no corpo humano não como um prisioneiro em seu cárcere (o que não seria natural) nem como um piloto em sua nave (tipo de união demasiado vaga) mas como o carimbo na respectiva cera ou, segundo a linguagem precisa de Aristóteles, como a forma na matéria; corpo e alma são duas substâncias incompletas que se completam em união mútua, constituindo um único princípio de atividade.

 

Visto que tão íntima é a união de alma e corpo, compreende-se que a respectiva separação nunca se dê instantaneamente. Na base de observações cada vez mais precisas, os estudiosos hoje em dia afirmam que, entre a exalação do último suspiro e a total extinção da vida de um ser humano, se registra um intervalo, ora mais, ora menos demorado, em que a vida permanece em estado latente, podendo mesmo em alguns casos ser reativada.

 

Em termos simples dir-se-á: ninguém morre no momento geralmente tido como “último” ou “definitivo”, mas, sim, após um intervalo de variável duração.

 

Mais precisamente, o Dr. D'Halluin, na obra «La mort cette inconnue» (Paris. 1940), distingue as seguintes modalidades no desaparecimento da vida de um organismo:

 

a) Estado de morte aparente. A respiração e as pulsações cardíacas tornam-se quase imperceptíveis, embora ainda se verifiquem. Mediante tratamento que em nossos dias não é raro (respiração artificial, injeções adequadas) podem ser restabelecidas em forma mais normal. – Não é tal estado que suscita questões filosóficas religiosas, ou seja, questões de “ressurreição” ou regresso da alma ao corpo, pois bem se vê que aí não há propriamente cessação da vida ou das funções vitais.

 

b) Estado de morte relativa. A situação é muito mais grave, pois o coração deixa de bater (uma agulha que o toque, não produz oscilação alguma); os eletrocardiogramas emudecem Das três funções que caracterizam a vida - a respiração, a circulação do sangue e a atividade do sistema nervoso – as duas primeiras podem cessar por completo, ficando, em alguns casos, no paciente certa consciência do que se dá ao seu redor. O estado de morte relativa se verifica não raro em consequência de síncope, asfixia, desgraças de narcose atrofia de recém-nascidos etc. - Esse estado de coisas, se não é devidamente remediado, leva por si ao ...

 

c) Estado de morte absoluta ou real, ou seja, à separação propriamente dita da alma e do corpo, geralmente atestado, após algumas horas, pela rigidez do cadáver, pelo aparecimento de manchas violáceas nas extremidades, pela intumescência de certas partes do corpo devido à formação de gases ou à putrefação da carne, etc.

 

Ora é o estado de morte relativa que interessa ao nosso estudo. Em tal situação, deve-se dizer que a alma humana se acha no corpo toda presente (a alma não se decompõe em partes), apenas não se manifesta porque o organismo já não lhe oferece as possibilidades para o exercício da mais simples das funções vitais perceptíveis. O indivíduo, embora pareça morto, na verdade está vivo; sua alma se encontra no corpo respectivo. Este, porém, se acha na iminência de perder o mínimo de organização necessária para ser sede da vida humana (isto é, para que a alma nele permaneça) Em tais circunstâncias, um tratamento médico aplicado com habilidade (injeções intracardíacas de substâncias excitantes, principalmente de adrenalina ou de atropina, massagens do coração por abertura do tórax ou do diafragma, injeções intra-arteriais dadas no sentido inverso da circulação, transfusão de «serum» de plasma fresco ou conservado...) pode impedir a total destruição do conjunto ameaçado, ocasionando a ulterior permanência e novas manifestações da alma existente em tal organismo.

 

Sabe-se que há numerosos casos em que as funções vitais são bruscamente interrompidas, casos portanto em que o organismo aparentemente morto não sofreu o desgaste ou a desagregação necessária para tornar impossível o exercício da vida.

 

É claro, porém, que, dada a rapidez do processo destrutivo, a intervenção dos médicos só será eficaz quando realizada dentro de breve prazo após a extinção dos sintomas de vida (por vezes um intervalo maior do que o de cinco minutos já é fatal). Caso tal ação seja bem sucedida, o fenômeno deve ser tido não como «ressurreição» do corpo, nem como «reanimação» (o que suporia volta da alma ao corpo), mas apenas como «reativação» (ou seja, recuperação das atividades vitais).

 

Compreende-se que o êxito dos processos de reativação não é instantâneo, mas por vezes relativamente lento e tardio. O Dr. d'Halluin conseguiu restaurar as funções cardíacas de um paciente três horas após os primeiros sinais de morte. Por conseguinte, em casos de asfixia, afogamento, aplicação de corrente elétrica, os peritos recomendam a prolongação da técnica de respiração artificial durante três, quatro, seis ou mesmo oito horas, pois já se têm visto tratamentos bem sucedidos em tão longo prazo (por tanto tempo a alma pode permanecer no aparente cadáver!).

 

À guisa de complemento, podem-se citar alguns dos resultados mais importantes já obtidos neste setor.

 

Em 1891, Arnaud, injetando sangue defibrinado e oxigenado nas coronárias, conseguiu reativar um coração paralisado havia 25 minutos.

 

Em 1892, Hédon e Gilis, por esse mesmo método, fizeram pulsar de novo o coração de um condenado à morte, três quartos de hora depois da sua execução.

 

Em 1903 Koubliabko obteve semelhantes resultados em corações de mamíferos três e até cinco dias após a sua paralisia. O mesmo restaurou as funções normais do coração de crianças vítimas de pneumonia trinta horas após a morte aparente.

 

Nos últimos anos, dois médicos soviéticos, V. Negovisky e A Makarycher, dedicaram-se especialmente aos feridos de guerra tidos por mortos: injetando no coração por via arterial sangue glicosado, adrenalisado e oxigenado, puderam restabelecer as funções vitais perdidas, no intervalo, porém, de três ou, no máximo, cinco minutos após a morte aparente ou clínica.

 

2.2. Para ilustrar o estado de vida latente ou de morte aparente que acabamos de focalizar, os autores costumam referir-se aos chamados estados «de hibernação» ou «de vida a ritmo reduzido».

 

Com efeito, sabe-se que há animais, como a marmota, que passam os vários meses do inverno mergulhados no sono; a respiração então torna-se-lhes tão fraca que é quase imperceptível; as suas pulsações dificilmente se deixam apreender; o organismo baixa notavelmente de temperatura; não comem nem bebem; dir-se-iam seres mortos.

 

Há também viventes microscópicos, como os tardigrados ou rotíferos, que perdem toda atividade vital desde que lhes venha a faltar a necessária umidade. Ficam como que ressequidos e em completa inércia durante meses ou mesmo anos. Contudo essa «morte» não é senão aparente, pois, uma vez recolocados nágua, manifestam de novo suas funções vitais. Esses animaizinhos podem mais de uma vez na sua existência passar pelas fases de morte aparente e reativação; mas, após certo número de experiências, já não é possível restaurá-los; sobrevém a morte real, o que bem significa que a vida de tais seres não é função da umidade ou do ambiente apenas, mas se deve antes do mais atribuir a um principio vital neles existente.

 

Pois bem; é fenômeno análogo que, em proporções reduzidas, se verifica quando o homem passa pelos estados de morte aparente e morte relativa.

 

3. Uma consequência pastoral

 

As observações de Medicina aqui referidas têm importante repercussão no setor da teologia pastoral.

 

Já no séc. XVIII um autor beneditino, Frei Bento Jerônimo Feijoo y Montenegro (+1764), preconizava a oportunidade de se administrarem os sacramentos mesmo após o último suspiro de um paciente. Eis os intervalos dentro dos quais ele julgava ser plausível tal ministério: «meia-hora em caso de doença; duas ou três horas em caso de acidente que abrevie uma enfermidade; dez, doze ou mais horas em caso de morte ocorrente numa pessoa cheia de saúde».

 

O Pe. Ferreres S. J. no seu «Compendium theologiae moralis», 2a. ed. 1928, pág. 464, assinalava a obra de Feijoo com o seguinte comentário:

 

«A nenhum pastor de almas será licito ignorar esse opúsculo, como exorta o periódico 'Acta Apostolicae Sedis';... o Cardeal Gennari por sua vez, no 'Il Monitore' recomenda seja o dito opúsculo adotado em todos os cursos de teologia... Pio X também o qualificou como livro de grande utilidade para o gênero humano, para a ciência e para a religião; e declarou desejar ardentemente que a sua doutrina se torne bem conhecida principalmente entre os médicos e os sacerdotes».

 

Hoje em dia os teólogos ensinam ser certamente lícito, e mesmo muito recomendável, administrar sob condição («se estás vivo...») a absolvição sacramental e a Extrema-Unção após a morte aparente. Alguns assinalam, para este ministério, o prazo de meia-hora nos casos de desenlace precedido de longa doença; duas horas, se se trata de morte imprevista (cf A. Vermeersch, Theologia Moralis III 536; V. Heylen, De paenitentia, Malines 1946, 319).

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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