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Artigo

PERGUNTE e RESPONDEREMOS 041 - maio 1961

 

QUE SÃO OS INSTITUTOS SECULARES?

HISTÓRIA DO CRISTIANISMO

PAULO (Passa Vinte): «Que vêm a ser os Institutos Seculares, de origem recente na história?»

 

O Santo Padre o Papa Pio XII definiu os Institutos Seculares como sendo «associações de clérigos ou leigos cujos membros fazem profissão de praticar no mundo os conselhos evangélicos, a fim de atingir a perfeição cristã e exercer plenamente o apostolado» (Constituição «Provida Mater» art 1).

 

Como se vê. os Institutos Seculares são uma forma de procura da perfeição cristã e de irradiação da mesma no mundo; uma das suas características mais notáveis é o fato de que, à diferença do que se dá nas Ordens e Congregações Religiosas (que também se destinam à santificação e ao apostolado), os membros dos Institutos Seculares vivem no mundo e nas famílias, em parte identificados com as pessoas do século quanto ao traje e quanto ao regime geral de vida.

 

A existência oficial e a legislação de tais Institutos datam dos últimos anos da história (cf. Constituição de Pio XII «Provida Mater» de 2 de fevereiro de 1947; Motu proprio do mesmo Pontífice «Primo feliciter» de 12 de março de 1948; Instrução da S. C. dos Religiosos «Cum Sanctissimus» de 19 de março de 1948). Destarte os Institutos seculares vêm a ser a última modalidade do testemunho de Cristo que a Igreja dá ao mundo, fazendo desabrochar da riqueza de sua vida um tipo de santificação e evangelização bem adaptado às necessidades da hora presente.

É o que vamos ver de mais perto no inciso abaixo.

 

Em 313 o edito de Milão, reconhecendo plena liberdade ao Cristianismo, tornou-se ocasião para que a Igreja fosse procurada e penetrada por muitos cidadãos cuja conversão era superficial ou interesseira e cujo teor de vida era medíocre; em consequência, muitos e muitos cristãos, desejosos de viver mais autêntica e profundamente o espírito do Evangelho, se retiraram da sociedade, passando a viver no deserto, isolados ou em comunidades apartadas. Foi esse movimento que aos poucos deu origem à vida religiosa constituída sob uma Regra, em mosteiros e conventos, dos quais hoje existem numerosas modalidades, muito conhecidas nos países cristãos.

 

Ora dezesseis séculos após aquele fenômeno, terminada-a segunda guerra mundial, pode-se dizer que acontecimento Inverso se vem registrando: a Igreja, em vez de ser invadida pelas multidões, às vezes convertidas superficialmente em vista de favores do Estado, encontra-se, ao contrário, distanciada das massas por um processo continuo de descristianização, que os governos, não raro, fomentam; muitos dos cidadãos contemporâneos já não frequentam os templos e o culto. É justamente essa apostasia que causa o desatino e a miséria do mundo atual. Consciente, pois, de que é portadora de salvação para a sociedade laicizada e angustiada de nossos dias, a Igreja houve por bem nos últimos tempos desenvolver uma nova forma de testemunho que, em vez de se exercer pelo heroísmo do retiro e do silêncio, procura agir como o fermento na massa, levedando ou sobrenaturalizando as formas mais comuns e óbvias da vida no século.

 

Essa nova forma de testemunho são os Institutos Seculares, cujos membros não abandonam o mundo, mas ali procuram heroicamente viver a perfeição cristã, a fim de poder mais eficazmente levar o Evangelho a seus irmãos.

Importa-nos aprofundar esta noção sumária de «Institutos Seculares», considerando algo dos seus precedentes históricos e da sua atual organização.

 

1. Precedentes históricos

 

1.1. Desde os primórdios da Igreja, existiram varões e mulheres que procuraram atingir a perfeição cristã seguindo não somente os mandamentos da Lei de Deus, mas também os chamados «conselhos evangélicos» (cf. Mt 19,21: «Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens, dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; a seguir, vem e segue-Me»).

 

A autoridade da Igreja, considerando com especial carinho esse tipo de vida sequiosa da perfeição, tomou-o sob a sua proteção e deu-lhe aos poucos certas normas que fossem garantia de sua prosperidade. Assim sem grande demora se delinearam duas notas que ainda hoje caracterizam de maneira essencial o estado de vida conforme aos conselhos evangélicos:

- emissão dos votos públicos de pobreza, castidade) perfeita e obediência dentro de uma família religiosa ou dentro de um Instituto religioso aprovado pela Igreja;

- vida coimimi ou comunitária (cenobitica) — o que implica reunião de certo número de irmãos para viverem sob o mesmo teto (num cenóbio), sob os mesmos Superiores e sob a mesma Regra.

 

Estas duas notas constituem o que hoje em dia na Igreja se chama por excelência «a vida religiosa» ou «o estado religioso» ... Estado religioso, porque em tal tipo de vida há estabilidade, consagração temporária ou perpétua dos membros, certa publicidade ou notoriedade de tal instituição.

 

Quanto à denominação «votos públicos», designa votos recebidos em nome da Igreja por um Superior devidamente delegado para isso. Os canonistas distinguem os votos públicos em solenes e simples; a «solenidade», no caso, não implica maior pompa sensível, mas, sim, uma consagração mais estrita, com consequências mais vastas e rigorosas (cf. «P. R.» 27/1960, qu. 6). Os votos públicos solenes constituem as chamadas Ordens Religiosas, as quais tiveram origem sucessivamente no decorrer da história antes do século XVI (Ordem de São Bento,... de S. Domingos,... de S. Francisco,..; de S. Agostinho,... do Monte Carmelo, etc.); os votos públicos simples constituem as Congregações Religiosas, cuja fundação data geralmente de época moderna, ou do século XVI a nossos dias (Congregação do SSmo. Redentor,... dos Missionários do S. Coração,... dos Salesianos, etc.).

 

1.2. Ao lado daqueles que procuraram e procuram seguir os conselhos evangélicos dentro das normas acima referidas (votos públicos e vida comum), a história registra avultado número de fiéis que, igualmente desejosos de observar os conselhos do Senhor, se puseram a viver vida comum, sem, porém, emitir votos públicos.

 

Tais foram, por exemplo, as Beguinas. instituídas, como se crê, no séc. XII em Liège por um pregador de penitência, Lamberto li Béguin (o Gago); propagaram-se principalmente pela Flândria em comunidades entregues à oração, ao trabalho manual, ao tratamento dos enfermos, ao sepultamento dos mortos e à instrução de donzelas.

 

No séc. XIV tiveram origem os chamados «Irmãos da Vida Comum», fundados por Gerardo Groote (+1384) na Holanda; em comunidade levavam uma vida de oração, estudos e magistério.

 

Sociedades semelhantes surgiram nas séculos posteriores: a dos Oratorianos, por iniciativa de S. Filipe Neri (+1595); a dos Sulpicianos por obra do Pe. Jean Jacques Olier (+1657); a dos Eudistas, devida a S. João Eudes (+1680); a dos Missionários da África («Pères Blancs»), organizada pelo Cardeal Lavigerie (+1892). Na Congregação dos Lazaristas ou Sacerdotes da Missão e na das Irmãs de Caridade (Vicentinas), ambas instituídas por S. Vicente de Paulo (+1660), os sacerdotes e as irmãs fazem, sim, os votos de pobreza, obediência e castidade, votos, porém, privados, não públicos...

 

Existem enfim famílias religiosas que levam vida comum com um voto apenas (o de castidade) ou dois ou mesmo três, de caráter privado; pode ocorrer também que a questão dos votos fique totalmente entregue a iniciativa pessoal de cada um dos interessados. Em qualquer hipótese, porém, o espírito dessas Congregações é o dos conselhos evangélicos vividos de maneira adaptada às exigências do apostolado nos tempos posteriores ao séc. XVI (missões em terras pagãs, educação da juventude, assistência a enfermos, etc.).

 

1.3. Será mister notar outrossim que, além dos fiéis aos quais a Providência outorgou os benefícios da vida comum regular (com ou sem votos), sempre houve aqueles que, embora desejassem consagrar sua existência a Deus, se viram obrigados a permanecer na família e na sociedade. Para tais cristãos, a partir da Alta Idade Média, foram fundadas as chamadas «Ordens Terceiras» seculares (de acordo com São Francisco e São Domingos, a «Ordem Primeira» seria a dos frades ou a dos conventos masculinos; a «Ordem Segunda», a das Religiosas ou a dos conventos femininos)... No decorrer dos tempos, aconteceu que os terciários aspiraram a consagrar-se mais estritamente a Deus por meio de obrigações semelhantes às da vida conventual, a serem executadas, porem, no mundo mesmo. Tal aspiração se tornou particularmente forte por ocasião da Revolução Francesa (1789) e da onda de laicismo que se desencadeou sobre as nações cristãs no séc. XIX: mosteiros e conventos foram então extintos; Religiosos e Religiosas viram-se expulsos de suas pátrias; então a necessidade de recristianizar o mundo levou numerosos cristãos a empreender no mundo mesmo uma vida cristã muito intensa, norteada, enquanto possível, pelos próprios conselhos evangélicos : em vista disto, tiveram que renunciar a qualquer insígnia (hábito distintivo, nome...) que os pudesse denunciar como pessoas totalmente consagradas a Deus e que lhes dificultasse o acesso a lugares descristianizados; o segredo, observado até mesmo no seio da família, ficou sendo por vezes uma das notas características dessa nova modalidade de vida cristã.

 

As duas primeiras realizações de tal gênero são

- o Instituto feminino chamado «Sociedade das Filhas do Coração de Maria»; foi fundado cm 1790 para suprir à falta de Religiosas na França : senhoras cristãs procuravam observar rigorosamente as normas de pobreza, obediência e castidade, permanecendo nas casas de família e dedicando-se a obras boas na diocese ou ao auxílio do clero nas paróquias;

- a Sociedade dos Padres do S. Coração de Jesus, fundada aos 2 de fevereiro de 1791 em plena Revolução Francesa pelo Pe. Pedro de Clorivière, membro da Companhia de Jesus então supressa; visava proporcionar aos sacerdotes um ou outro dos benefícios da vida conforme aos conselhos evangélicos, sem que tivessem de abandonar o serviço das respectivas dioceses; três dos primeiros dez membros dessa Sociedade padeceram o martírio.

 

Pode-se registrar também a fundação do «Instituto Normal Católico» nome civil- da «Sociedade das Filhas do Monte Calvário». No ano de 1852 a jovem professora Henriqueta Adelina Désir (+1885) deu início a tal obra em Paris, estabelecendo uma casa para a educação de donzelas e a formação de professoras católicas; tinha em vista contrapor-se às tentativas análogas de uma sociedade maçônica, que atingia a juventude feminina. Em 1866 a fundadora começou a levar vida comum com suas companheiras de ideal, sem, porém, vestir hábito característico.

 

Algumas das novas sociedades chegaram a compreender duas classes de membros : enquanto uns viviam em comunidade, trajando ou não hábito distintivo, outros, mais numerosos, permaneciam em suas casas de família ou no mundo, constituindo como que a «mão alongada» da Sociedade, destinada diretamente ao apostolado nos meios que os cenobitas não atingiriam por si.

 

Exemplo bem marcante desse tipo de Instituto é a chamada «Obra da Juventude (Oeuvre de la Jeunesse)». fundada em 1821 na cidade de Marselha (França) pelo Pe. Joseph Allemand; visava recolher em educandários meninos abandonados a fim de lhes proporcionar sólida formação religiosa e civil. Os membros da Ohra eram todos varões leigos; a maioria vivia com seus familiares, entregando-se a ocupações profissionais próprias (eram advogados, médicos, banqueiros, que, com parte de suas rendas, cobriam as despesas d» Instituto); mesmo os que viviam no século, faziam os votos de castidade, obediência, zêlo e estabilidade, não, porém, o de pobreza. De todos os candidatos exigia-se a disposição de se consagrar a Deus e à educação da juventude.

 

Ás Congregações assim instituídas expandiram-se por todo o séc. XIX, encontrando ampla aceitação entre os fiéis. Em consequência, tornaram-se objeto de especial atenção da, autoridade da Igreja. Muitos bispos aplaudiam efusivamente as novas iniciativas, realçando os grandes benefícios que prestavam à recristianização da sociedade por corresponderem adequadamente às necessidades dos tempos modernos. Não faltavam, porém, pastores que em tais Institutos apontavam riscos e perigos, decorrentes, a seu ver, do caráter velado ou mesmo secreto dessas organizações (caracterização dos membros perante o público seria esteio de boa disciplina interna) - — Do seu lado, os canonistas punham a questão : como classificar e, por conseguinte, tratar tais sociedades cujos membros reproduziam vários dos traços da vida religiosa (pobreza, obediência, castidade), mas não possuíam nem votos públicos nem o correspondente quadro de vida comum?

 

Breve digressão histórica concorrerá para ilustrar o problema da época.

 

Já no séc. XIX grandes dúvidas haviam pairado sobre a suficiência de votos públicos simples para constituir o «estado religioso» ou o «status perfectionis (acquirendae)», estado em que se procura atingir a perfeição. Até essa época recente, portanto, muitos canonistas julgavam que só poderiam ser tidos como «Religiosos» os professos de votos solenes. Não obstante, prevaleceu a tese larga, já. apregoada por vários canonistas e decisivamente patrocinada por Leão XIII na Constituição «Conditae a Christo» de 8 de dezembro de 1900; neste documento o Pontífice asseverava que votos públicos simples e aprovação do bispo competente bastam para constituir ura Instituto Religioso ou a «vida religiosa» no sentido canônico. O atual Código de Direito Eclesiástico, promulgado em 1918. tornou definitiva esta concepção, dando-lhe a seguinte modalidade: chama-se Ordem Religiosa o Instituto de votos solenes, ao passo que o de votos simples há de ser designado como Congregação Religiosa (cf. cân. 488, 1", 2' e 3'). —< Esta disposição representava uma inovação, consentânea e oportuna, dentro das categorias do Direito até então vigente.

 

Diante do recente surto dei Institutos destituídos de votos, públicos e de vida comum, muitos canonistas nos últimos decênios interrogavam um tanto perplexos: será preciso alargar mais ainda o conceito de «vida religiosa» a fim de abranger também tais associações?

 

1.4. Aos poucos, as dúvidas se foram dissipando* pois tanto os pastores de almas como os juristas se empenharam por conceber , as normas que, de um lado, garantiriam a subsistência das novas sociedades e, de outro lado, removeriam os perigos de desvirtuamento no século.

 

Importa salientar que os riscos decorrentes da índole velada de tais Institutos foram removidos pelo estabelecimento de sábia norma: as regras e as tarefas de qualquer dessas entidades deveriam ser sempre manifestadas à competente autoridade eclesiástica, de modo a nada se fazer sem a aprovação e a vigilância zelosa da hierarquia da Igreja: «... a fim de que o ocultamento devido ao espírito de prudência não degenere, por efeito de prudência da carne, em simulação culposa», rezava já em 1889 o decreto «Ecclesia Catholica» atinente aos ensaios de Institutos Seculares daquela época (cf. A.S.S. 23 [1889] 634).

 

Até hoje, na verdade, não há Instituto Secular que exista ou trabalhe independentemente do beneplácito de um bispo.

 

Quanto à posição jurídica de tais sociedades dentro da Igreja, ela foi sendo esclarecida no decorrer dos últimos decênios, de modo que em 1947 S.S. o Papa Pio XII julgou chegado o momento de lhes dar estatuto canônico : a nova legislação se acha na Constituição «Provida Mater Ecclesia» de 2 de fevereiro de 1947, ulteriormente explicitada pelos documentos da Santa Sé que citamos à pág. 212.

 

Torna-se oportuno, pois, lançar rápido olhar sobre tais normas que regem a terceira forma do «status perfectionis» ou do estado em que oficialmente se procura atingir a perfeição cristã dentro da Igreja (terceira forma, pois, como foi dito, a primeira é a das Ordens e Congregações Religiosas, que têm votos públicos e vida comum; a segunda é a das Sociedades que só têm vida comum, sem votos públicos; a terceira, portanto, vem a ser a dos Institutos que não observam necessàriamente nem vida comum, mas, não obstante, se assemelham às duas formas anteriores pelo fato de que seus membros consagram de maneira total e permanente sua vida à prática dos conselhos evangélicos e à demanda da perfeição cristã).

 

2. A legislação hoje vigente para os Institutos Seculares

 

Vão abaixo transcritas as instruções válidas para todo e qualquer Instituto Secular; cada um destes é regido outrossim por Constituição própria, que visa diretamente a tarefa da respectiva entidade.

 

2.1. «Os Institutos Seculares são associações... cujos membros professam no século os conselhos evangélicos...»

Essa conceituação, formulada no art. 1» da Constituição «Provida Mater», implica profissão de castidade, obediência e pobreza cujo teor a própria Constituição assim explicita:

 

Castidade. Entendem-se a castidade perfeita ou o celibato abraçado por voto, juramento ou consagração que obrigue em consciência, de acordo com a Constituição própria de cada Instituto! Secular. Isto quer dizer que as pessoas casadas não podem ser recebidas como membros em sentido estrito de tais Sociedades. Os Institutos, porém, admitem membros cm sentido largo ou «agregados», que não assumem todas as obrigações dos membros da primeira categoria.

 

Obediência. A esta o candidato se sujeita de maneira estável por voto ou promessa, de modo a estar sob a dependência e a orientação continuas de Superiores, de acordo com as Constituições do respectivo Instituto. Bem se compreende tal exigência: a vida no século fàcilmente desorienta, abrindo o caminho a múltiplos desvirtuamentos.

 

Pobreza. Os membros dos Institutos Seculares também a professam por voto ou promessa, que lhes tira o livre uso dos bens temporais, limitando-o segundo as Constituições próprias. Estas podem proibir que se façam certas despesas sem licença, exigir prestação de contas a um Superior, pedir contribuição para as despesas gerais do Instituto. Do seu lado, o Instituto está obrigado a assegurar a subsistência de seus membros, não mediante fornecimento de bens materiais ou de pensões, mas providenciando para que tenham algum trabalho remunerado ou alguma fonte de renda.

 

2.2. Os votos proferidos nos Institutos Seculares não são votos públicos (no sentido do Direito Canônico), isto é, votos que a Igreja receba oficialmente por um delegado seu. Contudo também não são votos meramente privados, isto é, de foro interno ou de consciência apenas, mas, segundo alguns canonistas, podem ser ditos votos semipúblicos, isto é, votos privados reconhecidos pela Igreja e dotados de efeitos jurídicos no foro externo.

 

2.3. O liame vigente entre o Instituto e seus membros deve ser

- estável; o que quer dizer que, mesmo que os votos ou as promessas sejam temporárias, devem ser renovados no fim do respectivo prazo ou, caso não o queira, a pessoa abandona livre e legalmente o Instituto.

- mútuo e pleno, de tal modo que, de acordo com as Constituições, a pessoa se dê inteiramente ao Instituto e este, por sua vez, se interesse e responda por cada um de seus membros (principalmente no plano espiritual e apostólico, mas também, segundo as necessidades, no plano temporal). Em virtude da doação total aqui mencionada, compreende-se que nenhum membro de Instituto Secular tem o direito de reservar para si uma parte sequer de seus dias, sequestrando-a à vontade e ao controle de seus Superiores.

 

Os dizeres acima não impedem que as Constituições de cada Instituto estipulem casos em que se poderá) proceder à demissão de algum membro não adaptado ao respectivo gênero de vida.

 

2.4. Cada Instituto Secular há de ter ao menos uma casa comum, na qual

a) possam residir os Superiores respectivos, principalmente os gerais e regionais;

b) os membros do Instituto se possam recolher por prazo ora mais, ora menos longo, a fim de receber ou completar a sua formação ou para realizar o seu retiro espiritual e análogos exercícios de piedade;

c) possam ser recebidos os membros que, por motivo de saúde ou outra razão, estejam incapacitados de prover à sua subsistência ou sofram detrimento por morar no século.

 

2.5. A incorporação a um Instituto Secular faz-se por etapas, que são geralmente as três seguintes: aspirantado, normalmente durante um ano; noviciado, sempre de dois anos no mínimo; profissão temporária, que se estende por cinco, seis ou mais anos.

 

Como se vê, são etapas mais prolongadas do que as da admissão na vida religiosa, o que bem se entende: não) havendo vida comum efetiva, a formação não pode ser tão intensiva; não obstante, requer-se que esta seja muito sólida, a fim de preparar almas capazes de sustentar o árduo ideal da perfeição cristã no século.

 

São quatro as condições gerais para que alguém possa ser vàlidamente admitido em Instituto Secular:

a) seja fiel católico;

b) esteja livre de qualquer dos impedimentos estipulados pelo Direito comum e particular (impedimentos dos quais alguns vão abaixo recenseados);

c) tenha reta intenção, inspirada por motivo sobrenatural;

d) seja física e moralmente capaz de viver os conselhos evangélicos e exercer o apostolado no respectivo Instituto.

 

Em matéria de saúde física, em geral se requer o mínimo necessário para observar os Estatutos. Há, porém, Constituições que em absoluto não mencionam a saúde como requisito, ou declaram explicitamente que podem ser admitidas pessoas enfermas; outras, enfim, enumeram entre os objetivos do respectivo Instituto a santificação da própria doença e consideram os sofrimentos dos membros enfermos quais poderosos meios de apostolado (é o que se dá, por exemplo, entre as «Missionárias dos Enfermos»).

 

Não há dúvida de que a entrada em um Instituto Secular corresponde a uma graça especial ou a um chamado da parte de Deus.

 

Entre os impedimentos à admissão, podem-se destacar:

a) idade inferior a 15 anos. Em geral, o período de entrada num Instituto Secular vai dos 18 aos 30 anos de idade (há exceções, é claro); algumas Constituições exigem para a incorporação definitiva o mínimo de 35 ou mesmo de 40 anos de idade;

b) o vínculo do sacramento do matrimônio, a menos que os dois cônjuges resolvam separar-se de modo legítimo e perpétuo, quanto ao leito e ao teto.

c) o «ser arrimo de família» de modo tal que, contraindo as obrigações do Instituto, a pessoa não possa cumprir os deveres de justiça para com os familiares.

 

São estas as grandes linhas que dão estrutura aos Institutos Seculares e lhes asseguram ação de todo benéfica -no mundo contemporâneo, como sumàriamente se depreende do parágrafo abaixo.

 

3. Vitalidade dos Institutos Seculares

 

3.1. Examinados em si e em seus frutos, os Institutos Seculares parecem corresponder providencialmente às necessidades dos nossos dias. Com efeito,

 

a) tornam possível a prática sistemática dos conselhos evangélicos a muitas pessoas que, embora devotas e idôneas, não a poderiam abraçar entrando numa Congregação de vida cenobítica.

 

Tais pessoas são em nossa época mais numerosas do que em tempos idos: tenham-se em vista os que se ressentem de saúde fraca, necessitando de cautelas permanentes; os que constituem arrimo de família ou de algum modo estão obrigados a ficar com os seus familiares; os que têm temperamento zeloso, mas particularista e pouco apto à vida comum...

Anexando-se a um Instituto Secular, esses cristãos são estimulados por muitas graças a realizar o que de outro modo não realizariam em prol de sua santificação e da cristianização do mundo.

 

b) Os Institutos Seculares levam aos mais íntimos recantos da alta e da baixa sociedade o testemunho da vida cristã conscientemente vivida; conseguem assim frutos de apostolado que sacerdotes, Religiosos e Religiosas, em virtude dos seus distintivos de estado, não poderiam obter.

 

c) Principalmente nas épocas e regiões de perseguição, aberta ou velada, à Igreja, tais Institutos são oportunos; podem escapar, sem dificuldade, às leis antirreligiosas, prestando ao povo de Deus serviços de que viria a carecer. O mesmo papel importante lhes compete nos períodos e países de instabilidade política, de preconceitos anticlericais, etc.

 

3.2. Estas observações são corroboradas pela consideração do surpreendente número de Institutos Seculares que vão surgindo dentro da Sta. Igreja.

 

Tendo sido definitivamente firmados os respectivos Estatutos gerais em 1947, já em 1950 contavam-se mais de 95 entidades que pediam à Santa Sé a sua ereção canônica como Institutos Seculares. De 1947 a 1957 eram 170 as que haviam pleiteado tal graça. Parece que mais numerosas ainda são as instituições que, disseminadas pelo orbe inteiro, se vão organizando a fim de poder pedir à Santa Sé o título de Instituto Secular.

 

Essas associações apresentam características assaz variadas, sempre concebidas com a finalidade de dar ao mundo um testemunho mais eficaz e profícuo. A Santa Sé não se opõe à multiplicação de matizes na organização dos Institutos Seculares; alguns desses distinguem mesmo diversas categorias de membros dispostas como que em círculos concêntricos em torno da autoridade nuclear, à qual se ligam por liames ora mais, ora menos estritos; cada qual dessas categorias, dotada de cultura, especialização e capacidade de apostolado próprias, se harmoniza com as demais a fim de atingir o objetivo característico do respectivo Instituto. A jurisprudência a respeito dos Institutos Seculares vai sendo assim aos poucos elaborada a partir das experiências que se vão fazendo nesse setor. Não há dúvida, muita cautela se requer no recrutamento e na formação dos membros dessas sociedades, pois a vida em pleno mundo apresenta inegáveis perigos para a conservação do espírito dos conselhos evangélicos:

 

«A experiência evidenciou as dificuldades e os perigos que por vezes, e mesmo facilmente acarreta, essa vida de perfeição conduzida tão livremente, sem o socorro exterior do hábito religioso e da vida comunitária, sem a vigilância dos Ordinários (Prelados diocesanos), aos quais ela poderia facilmente ficar desconhecida,... sem a vigilância dos próprios Superiores, que muitas vezes se acham distantes» (Pio XII, Constituição «Provida Mater» no 10).

 

Enquanto tais perigos vão sendo debelados, multiplicam-se os frutos bons produzidos pelos Institutos Seculares. Em consequência, a Sta. Igreja os incentiva... Incentiva-os, porém, sem intencionar de modo algum depreciar as antigas e tradicionais formas de vida religiosa, caracterizadas por hábito e clausura; as antigas e as novas modalidades de procura da perfeição evangélica deverão ser simultaneamente. afirmadas a fim de que não se dilua o patrimônio espiritual confiado por Cristo à sua Igreja.

 

É o que um comentário oficioso da Sta. Sé mesma afirmava aos 14 de março de 1947, pouco depois de promulgada a Constituição «Provida Mater»:

 

«Não se creia que nos tempos modernos, os quais parecem tão propícios a esses novos rebentos da graça e do apostolado, as instituições precedentes, sempre fecundas, tenham função menos importante a cumprir ou possibilidades mais restritas de expansão. Ao contrário o desejo comum é o de acrescentar novos brilhantes à coroa da Igreja, de modo tal que daí resulte fulgor mais intenso. As Ordens antigas e as Congregações religiosas posteriormente fundadas conservam intata a sua importância tradicional e insubstituível, mesmo diante das necessidades e exigências mais variadas da vida moderna; continuam a funcionar plenamente com vitalidade tão rica de méritos que é preciso considerá-las como uma das maiores glórias da Igreja» («Osservatore Romano», 14 de março de 1947).

 

4. Apêndice

 

Completando as informações acima, segue-se a lista dos Institutos Seculares atualmente estabelecidos no Brasil.

 

I.       Institutos Masculinos

1.   Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz

Finalidade: difundir em todas as classes da sociedade civil, especialmente na intelectual, a vida de perfeição evangélica.

Em 1957 a Sociedade, de origem espanhola, chegou ao Brasil, fundando uma casa em Marília (SP), Rua São José 237. Não tem outra dependência no Brasil. Casa Generalícia: Vialle Bruno Buozzi 73, Madrid, Espanha.

2.   Irmãos de Maria do Apostolado Católico

Finalidade: o apostolado leigo em toda a sua extensão.

O Instituto, de origem alemã, chegou ao Brasil em 1952, fundando uma casa em Santa Maria (RS), Escola Industrial, Caixa postal 70. Não tem outra dependência no Brasil. Casa Generalícia . Schönstatter Marienbrüder, Vallendar a. Rh., Höherstr. 77, Alemanha.

 

II.     Institutos Femininos

1.   Irmãs de Maria do Apostolado Católico

Finalidade: prestar serviços em todo o campo de educação e assistência social. As Irmãs vestem hábito e vivem em' comunidade. A Sociedade, de origem alemã, possui dez casas no Brasil, sendo a principal a de Santa Maria (RS), Rua Domingos de Almeida 849, Caixa postal 67.

2.   Sociedade das Senhoras de Nazaré

Finalidade: o apostolado social em toda a sua extensão. Não vestem hábito e podem viver fora da comunidade.

Possuem duas casas no Brasil, sendo a principal a de São Paulo (SP), Avenida Nazaré 1361, Ipiranga.

3.   Companhia das Catequistas

Finalidade í o ensino da .doutrina cristã e o cuidado de igrejas e capelas.

Vestem hábito; vivem em comunidade, mas podem fundar residências só com duas Irmãs, no interior, mesmo onde não haja • assistência espiritual frequente. Dedicam-se muito à fundação de Escolas Paroquiais.    .

A Companhia, de origem brasileira, subsiste em 95 casas no Brasil, sendo a principal a de Rodeio (SC), Rua Barão do Rio Branco.

4.   Catequistas Missionárias de São Francisco de Assis

Finalidade: a catequese dos japoneses.

Não vestem hábito e vivem em comunidade.

O Instituto, de origem brasileira, possui duas casas no Brasil, devendo a correspondência ser dirigida à principal delas: Escola Pio X. Jaraguá (SP).

5.   Beneficência Popular

Finalidade: trabalhar pelo apostolado eucarístico da primeira sexta-feira de cada mês.

Vestem uniforme e vivem em comunidade.

O Instituto, de origem brasileira, possui quatorze casas no Brasil, sendo a principal a de Mariana (MG), Travessa S. Francisco.

6.   Catequistas do Sagrado Coração de Jesus

. Finalidade: educação, instrução e catequese dos filhos de ucranianos.

De origem brasileira, este Instituto possui uma só casa, em Prudentópolis (PR): Colégio Santa Olga.

7.   Instituto Coração de Jesus

Finalidade: assistência religiosa e social pelo apostolado paroquial.        '

As Irmãs vestem hábito e vivem em comunidade. De origem alemã, possuem cinco casas no Brasil, das quais a principal é a de Braço do Norte, Município de Tubarão (SC).

8.   Servas de Jesus Sacerdote

Finalidade: prestar auxilio ao clero.

As Irmãs não vestem hábito, mas vivem em comunidade. Fundada no Brasil, a Sociedade tem sua maior casa em Ribeirão Preto (SP): Rua João Penteado 1426, Caixa postal 586.

9.   Instituto Nossa Senhora do Cenáculo

Finalidade: obras de assistência social a senhoras, moças e crianças.

As Irmãs não vestem hábito, mas vivem em comunidade. Fundada no Brasil, a instituição conta duas casas, das quais a principal é a de Monte Santo (MG), Rua Cel. Antônio Paulino 722.

10. Missionárias de Maria (Irmãs Xaverianas)

Finalidade : apostolado paroquial.

Oriundo da Itália, o Instituto tem uma casa no Brasil, em Londrina (PR).

11. Instituto Nossa Senhora das Graças

Finalidade: educação da juventude e obras sociais.

As Irmãs vestem uniforme e vivem em comunidade. Fundadas no Brasil, estão distribuídas por cinco casas, entre as quais sobressai a de Vermelho Novo (MG), via Raul Soares (diocese de Caratinga).

12. Legião de Nossa Senhora Rainha dos Corações

Finalidade : o apostolado pela imprensa.

As Irmãs não vestem hábito, mas vivem em comunidade. Fundadas no Brasil, ocupam duas casas, além da sua sede principal em Belém (PA), Rua Castilho França 61.

13. Instituição Teresiana

Finalidade : educação e instrução da juventude feminina em nível superior.

Oriundas da Espanha, as Irmãs possuem duas casas no Brasil, das quais a mais importante é a do Rio de Janeiro (GB), Rua Marquês de S. Vicente 331.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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