APOLOGéTICA (1571)'
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Artigo

NEOPENTECOSTALISMO: A TRIUNFAL HERESIA DA PÓS-MODERNIDADE

 

No pentecostalismo existe a espiritualidade paracletológica, ou seja, a busca da dimensão espiritual via os dons espirituais e vida de santidade. A maturidade do Movimento Pentecostal foi transferido para o Movimento de Renovação Carismática com a belíssima prática da comunhão, unidade e ecumenismo. Nesse movimento, a espiritualidade carismática é de renovação e avivamento sem divisão ou cismas. O Movimento Carismático leva ao fiel a uma experiência profunda de Pentecostes, sem causar confusão e separação na sua igreja. Os carismáticos têm o senso de fidelidade, de evangelização e o amor pela comunhão do “Corpo de Cristo”. O que não aconteceu no pentecostalismo.

 

Já no neopentecostalismo não existe espiritualidade e sim um espiritualismo sincretista (sessão de descarrego, sal grosso, galho de arruda, sabonete ungido, corrente de prosperidade, chave benzida, toalha ungida do apóstolo, etc.). Há um misticismo plural nesse movimento que tem como fundamento a herética teologia da prosperidade. O escândalo da divisão continua no movimento neopentecostal de forma econômica e de espetacularização. O neopentecostalismo pela sua pluralidade tem uma penetração tremenda em várias denominações, vai da ortodoxia a mais esdrúxula heresia. Devido ao poder de comunicação, do capital, das novidades no mercado religioso e da necessidade emocional e gananciosa do povo, esse movimento só tende a crescer.

Há uma grande farsa nos movimentos evangélicos como igrejas em células, G12, movimento apostólico, show gospel, demarcar terreno com unção de óleo e urina, os sem igrejas (deseigrejados), igreja no lar, movimento emergente de igrejas, fundamentalismo neojudaico (riqueza do povo judeu, guarda do sábado, festas judaicas, viagem para Israel e rebatismo no rio Jordão) e escatologia de fim de mundo. O neopentecostalismo tenta ocultar a teologia da prosperidade em seu cerne; mas suas práticas confirmam tal heresia enquanto tentam enganar o povo e os sectários com uma falsa ortodoxia. A tônica do engodo é sempre a mesma: “de volta à Igreja Primitiva”; no entanto, a verdade é outra: “É o retorno à Babilônia” com roupagem de cristianismo, hoje a "Babel das Denominações" com suas incompatibilidades doutrinárias.

 

O neopentecostalismo marca a pós-modernidade com a sua triunfal heresia. Ele sai da esfera religiosa para a política de interesses do seu grupo, une o mercado religioso com o secular, seus líderes são empresários, ricos e ditadores implacáveis. Vivendo o luxo, com templos majestosos, amigos da elite dominante capitalista, perseguidores de pastores santos e ortodoxos, humilham e desprezam as pequenas denominações, fazem descaso da formação teológica, desconhecem a cultura missiológica, são antiecumênicos (entre eles mesmos), e dominam seus membros com promessas de prosperidade, bênçãos, curas, milagres, libertação, salvação, espaço no ministério, cargos de confiança e o condicionamento doutrinário. Há ameaças de maldição, violência física, verbal e moral, daí o terrível medo de perder tudo e a vergonha dos amigos e parentes se sair do grupo. Isso é a manipulação para deixar o fiel sem saída desse movimento sectário. Com toda essa prática, quando um membro consegue se libertar, ele nunca mais quer saber de igrejas, religião, muitos perdem a fé e outros ficam doentes e inimigos dos verdadeiros cristãos.

 

O que podemos fazer? A tarefa não é nada fácil. O sectarismo pós-moderno tem o grande poder de conexão: capital, rede de comunicação, partidos políticos e amigos de pessoas poderosas, todos simpatizantes e unidos pela ganância da prosperidade, libertinagem moral e descompromisso doutrinário. Só o cristão que tem a consciência do martírio poder enfrentar esse império do capitalismo sectário. O martírio pode ser todo tipo de calúnia, difamação e lixamento moral.

 

E daí o que fazer? Viver de fato e de verdade a Palavra de Deus, o bom testemunho de vida é o maior e o melhor anúncio do Evangelho de Cristo; denunciar toda essa nova fôrma de heresias neopentecostais, anunciar, escrever, publicar a autêntica doutrina cristã, promover cursos, palestras, retiros espirituais, congressos teológicos, preparar missionários com mentalidade de unidade do “Corpo de Cristo”, passar para o povo conhecimento de sociologia (os problemas sociais e as soluções políticas), conscientizar os fiéis da riqueza da comunhão ecumênica, trabalhar pela unidade e pelo social, mostrar que divisão, intolerância, fundamentalismo bíblico, fanatismo e “guerra santa” escandalizam o cristianismo, fazem muita gente perder a fé, atrapalham a obra missionária e permitem que outras religiões tomem grandes espaços no cenário mundial e se voltem contra os cristãos.

 

É de suma importância entender e acolher as pessoas sofredoras que padecem, doentes do corpo e da alma. O nosso contexto cultural favorece o medo da morte, a crença em espíritos, demônios, feitiçaria e superstições. Para livrar, libertar e curar o nosso povo é necessário utilizar o mecanismo da fé, a intuição do poder da Palavra de Deus, a proteção e a segurança da prece-oração, a imposição das mãos, os objetos sacramentais e depois lançar mão da psicologia e da sociologia para conscientizar o fator espiritual e o secular.

 

“Verdadeiramente, só acontece de fato e de verdade a libertação e a salvação da pessoa, quando ela se entrega total para Jesus Cristo conhecendo a verdade do Santo Evangelho do Reino de Deus” (Jo 8,32).

 

Proclamar com ardor que o século XXI é século da verdade, da misericórdia, da fraternidade, sem pobres e sem exploradores, da religião do amor, da união pela dignidade de todos, pela salvação do Planeta, pela liberdade para praticar a caridade, a espiritualidade e a consciência da vida eterna. Disse Nosso Senhor Jesus Cristo: “Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (João 15,12).

 

Pe. Inácio José do Vale

Pesquisador de Seitas

Professor de História da Igreja - Instituto de Teologia Bento XVI - Sociólogo em Ciência da Religião

E-mail: pe.inaciojose.osbm@hotmail.com

 


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