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Artigo

Família sem fé, desmorona

 

SERGIO SEBOLD

Economista e Professor Independente

sebold@terra.com.br

 

Em qualquer manual de sociologia a família é considerada a célula mater da sociedade. O núcleo familiar é o primeiro agrupamento social do qual se vivencia e recebe, não somente a herança genética, mas principalmente a moral que formará sua personalidade. A formação de nosso caráter depende fundamentalmente do exemplo ou modelo familiar a que fomos integrados. Os pais que já criaram seus filhos sabem que este período é extremamente exíguo. Não se pode perder tempo na sua boa formação.

 

A falta da presença de Deus nas famílias e na vida das pessoas é bem demonstrado no mundo de hoje, através da televisão, radio, jornais, pelos relatos de violência e mais violência, corrupção, devassidão moral. As demonstrações novelescas da família a apresentam com aglomerados de palavras, atitudes, comportamentos de agrupamentos amorfos de pessoas, menos de uma família íntegra, pelo padrão pai-mãe-filhos. Quando se perde a noção de Deus, se dissolve a concepção do amor genuíno.

 

Sem ser saudosista, lembro que nas casas havia sempre pendurado um crucifixo, uma imagem de Nossa Senhora Aparecida (ou outra da fé cristã), um quadro da Santa Ceia, uma palma benta (no dia de ramos) para ser queimada em caso de um temporal perigoso; às vezes um rosário, um pote de água benta, a figura de um santo de admiração da família, uma Bíblia etc. Os filhos eram educados a pedirem a “benção” de seus pais antes de deitarem. Se durante a semana, houvesse dificuldades de orarem a mesa, domingo era sagrado quando o pai tomava a iniciativa e todos rezavam na hora do almoço. De qualquer forma sempre havia a presença da religiosidade naquelas casas. Hoje quando muito se vê um crucifixo, e, o é em estilo artístico, muito mais como um enfeite ou decoração do que um ato de devoção.

 

Com os avanços da ciência, das condições econômicas e a possibilidade de obter todos os produtos pela massificação da produção, permitiu-se ter de tudo dentro de uma casa; mesmo as mais modestas.  Com estes extraordinários recursos e confortos dever-se-ia viver num mundo onde imperassem a paz, a justiça, a solidariedade. Contraditoriamente o que se vê são a injustiça, a exploração dos mais fracos, o egoísmo desvairado manifestando-se em ataques terroristas brutais em nossas cidades, crimes e assaltos de todos os gostos e gêneros, sequestros, fome, doenças devastadoras, destruição do meio ambiente. Então onde está o erro?

 

Consumismo desenfreado, permissividade, libertinagem, desrespeito a ordem e a moral convencional, são aceitos como normal; na maioria dos casos oferecidos como novo padrão de comportamento, disseminado pelos programas de televisão, novelas, programas de auditório de baixíssimo nível cultural e moral que entram em nossas casas sem qualquer escrúpulo, pudor e sem respeito a horários formais.  O que ensina às crianças e adolescentes, na maior parte do tempo, tal nefasta influência? Nada, nada que possa fazê-las crescer espiritual, intelectual ou mesmo culturalmente.  Observa-se que mesmo em famílias que têm tradição de fé consolidada, elas sentem dramaticamente os efeitos desta influência perniciosa nos seus jovens filhos. A família está sendo destruída nos seus valores, não mais apresentados como fatos normais, dignos de serem imitados, mas invertidos onde a virtude da fidelidade, a honestidade, o pudor ficam fora de moda; o casamento é apenas uma fachada, com prazo de validade; uma festa de confraternização e não um ato sagrado que deva ser duradouro para toda a vida.

 

Para satisfazer o egoísmo, busca-se o prazer acima de tudo; busca-se cultuar o corpo nas formas físicas, criam-se estereótipos e ídolos: o sucesso, o poder e o dinheiro. Ninguém se lembra de que esta vida é transitória e nos é dada gratuitamente por um Deus, como uma ligação para uma outra, esta sim definitiva e eterna. Este passaporte não será baseado em sucesso profissional ou nas riquezas materiais, mas sim no comportamento da fé, da caridade e no bem que tivermos semeado durante essa curta passagem.

 

Nas famílias em que os valores e as virtudes são passados de pais para filhos com todo amor, principalmente com seu próprio exemplo, é difícil os filhos procurarem fugas enganosas para seus conflitos existenciais, através de uma vida de promiscuidade sexual, de drogas ou mesmo do individualismo egoísta.

 

Filhos criados por estas famílias não temerão serem chamados de carolas, ultrapassados, retrógados. A força moral obtida dentro dessas famílias os torna indestrutíveis.


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