REFLEXõES (783)'
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Artigo

FELIZ ANO NOVO DE PAZ!

Dom Fernando Arêas Rifan

 

Em sua mensagem para a celebração do 48º Dia Mundial da Paz, amanhã, o Papa Francisco, dirigindo-se ao mundo todo, com o lema “Já não escravos, mas irmãos”, formula os seus ardentes votos de paz e apela a todos para que, respondendo à vocação comum de colaborar com Deus e todas as pessoas de boa vontade, promovam a concórdia e paz no mundo.

 

Este tema, escolhido pelo Santo Padre, foi tirado da Carta de São Paulo a Filêmon, cuja leitura recomendo, onde o Apóstolo pede ao seu amigo Filêmon para acolher Onésimo, seu escravo, que tornou-se cristão, merecendo, por isso mesmo, ser considerado como um irmão. “Deste modo, a conversão a Cristo, o início duma vida de discipulado em Cristo constitui um novo nascimento (cf. 2 Cor 5, 17; 1 Ped 1, 3), que regenera a fraternidade como vínculo fundante da vida familiar e alicerce da vida social”.

 

Sendo filhos do mesmo Pai, “como irmãos e irmãs, todas as pessoas estão, por natureza, relacionadas umas com as outras, cada qual com a própria especificidade e todas partilhando a mesma origem, natureza e dignidade. Em virtude disso, a fraternidade constitui a rede de relações fundamentais para a construção da família humana criada por Deus”.

 

O Papa lamenta: “Infelizmente, o flagelo generalizado da exploração do homem pelo homem fere gravemente a vida de comunhão e a vocação a tecer relações interpessoais marcadas pelo respeito, a justiça e a caridade”, pois o pecado veio perturbar essa ordem criada por Deus: “Infelizmente, entre a primeira criação narrada no livro do Génesis e o novo nascimento em Cristo – que torna, os crentes, irmãos e irmãs do ‘primogénito de muitos irmãos’ (Rom 8, 29) –, existe a realidade negativa do pecado, que interrompe tantas vezes a nossa fraternidade de criaturas e deforma continuamente a beleza e nobreza de sermos irmãos e irmãs da mesma família humana. Caim não só não suporta o seu irmão Abel, mas mata-o por inveja, cometendo o primeiro fratricídio”. Sendo assim, “os seres humanos não se tornam cristãos, filhos do Pai e irmãos em Cristo por imposição divina, isto é, sem o exercício da liberdade pessoal, sem se converterem livremente a Cristo. Ser filho de Deus requer que primeiro se abrace o imperativo da conversão”.

 

“Hoje como ontem, na raiz da escravatura, está uma concepção da pessoa humana que admite a possibilidade de a tratar como um objeto. Quando o pecado corrompe o coração do homem e o afasta do seu Criador e dos seus semelhantes, estes deixam de ser sentidos como seres de igual dignidade, como irmãos e irmãs em humanidade, passando a ser vistos como objetos. Com a força, o engano, a coação física ou psicológica, a pessoa humana – criada à imagem e semelhança de Deus – é privada da liberdade, mercantilizada, reduzida a propriedade de alguém; é tratada como meio, e não como fim”.

 

Só assim, teremos um Ano Novo de paz, vivendo a nossa filiação com Deus e nossa fraternidade com os irmãos. Feliz Ano Novo de Paz, como irmãos, filhos do mesmo Pai!

 

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

 


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