ESPIRITUALIDADE (3555)'
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Artigo

DESERTO: LUGAR DE ENCONTRO COM DEUS

 

“Apascentava Moisés o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madiã. Conduziu as ovelhas além do deserto e chegou ao Horebe, à montanha de Deus” (Ex 3,1).

 

Todos os que desejam conhecer a Deus mais intimamente têm que passar pela experiência do deserto e ali permanecer por algum tempo, antes de prosseguir rumo a desafios maiores. Ali Moisés aprendeu coisas que iam além da compreensão dos mais talentosos sábios do Egito. Segundo os padrões humanos, quarenta anos gastos apascentando ovelhas no deserto pode parecer um desperdício irreparável de tempo. Mas ali Moisés estava com Deus, e nenhum tempo gasto com Deus pode ser classificado como desperdício. Nada se perde com Deus e tudo é perdido sem Deus.

 

Temos de entender que atividades não são as únicas coisas que caracterizam os servos de Cristo. Há um tempo de trabalhar, mas há um tempo de aprender, o profeta Isaías 50,4 nos diz: “ele desperta-me todas as manhãs, desperta-me o ouvido para que ouça, como aqueles que aprendem.”

 

Ouvir atentamente é um aspecto da atividade do servo que não pode ser negligenciado. O deserto é um lugar por excelência. Temos que ter a vontade ardente de passar todos os dias na presença do Senhor, a fim de conhecê-lo melhor e de saber o que ele realmente deseja. Nossos ouvidos e língua estão conectados em vários sentidos: se meu ouvido está fechado às coisas espirituais e minha língua está solta para dizer o que quiser, então será inevitável que eu falarei muitas coisas inconvenientes. “Não erreis, meus amados irmãos... Todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar” (Tiago 1, 16 e 19). “A carne para nada aproveita” (João 6, 63). A língua é um pequeno pedaço de carne, mas tem o mundo do mal (Tiago 3, 6). Portanto, precisamos manter nossos ouvidos espirituais abertos e a língua bem quieta, essa rara e preciosa arte que Moisés tanto exercitou no deserto. Isso o capacitou a receber instruções poderosas para enfrentar o faraó e os poderes malignos do Egito. Os métodos da escola de Deus são surpreendentes! (1). Além do deserto estão as surpresas abissais, rumo ao monte onde o bom Deus tem marcado um encontro de libertação, revelação e de amor eternamente!

 

 

CONFIGURAR O DESERTO

 

“É preciso passar pelo deserto e aí permanecer para receber a graça de Deus; é lá que nos esvaziamos, que extraímos de nós tudo o que não é de Deus e que esvaziamos completamente esta pequena casa da nossa alma para deixar todo o espaço apenas para Deus”, escreveu o eremita e Apóstolo do Saara Charles de Foucauld (2).

 

Deserto é o lugar de solidão, silêncio, oração e da escuta. "Agora, pois, escuta o conselho que te darei para que Deus esteja contigo" (Ex 18,19).

 

O deserto é o lugar de intensa tentação (Nm 16,1-50; Mt 4,1-11), de murmuração e contendas (Ex 15,24 ; 17,1-3) de vida e morte (Num 21, 5-9) , de profundo encontro com Deus ( Os 2,16) , de restauração. (Ex 15,26) e de receber a palavra de Deus em prol de uma grande missão (Lc 3,2-6).

 

O encontro com Deus no deserto acontece de forma profunda à conversão. Podemos configurar sempre esse deserto em nossa vida. Em nossa caminhada esse fator há de ser determinante para uma abissal comunhão com Deus. Esse é o espaço que jamais podemos deixar de praticar e ensinar. O deserto faz parte de maneira clássica em nossos exercícios espirituais. O segredo de uma excelente vida de intimidade com Deus é o deserto. Este está conectado com a solidão, o silêncio, a escuta e a oração. O segredo do verdadeiro retiro espiritual é o deserto, ou seja, o santo silêncio!

 

Configurar o deserto na busca ardente do bom Deus é fundamentar toda a vida espiritual no amor, na graça e na missão de proclamar a Boa Nova do Reino dos Céus.

 

Pe. Inácio José do Vale

Fraternidade Sacerdotal Jesus Cáritas

E-mail: pe.inacio.jose@gmail.com

 

O MÍSTICO DE DEUS

Solidão, silêncio e oração com o bom Deus na paz e na ardente paixão.

Deserto, ascese retiro e contemplação sem nenhum temor e sim com toda comunhão ao Senhor Deus no intenso amor.

A via purgativa, iluminativa e unitiva para viver santamente pela graça de Deus e por fim eternamente.

A vida monástica, eremítica e mística numa abissal intimidade com Deus e por sua misericórdia na entrega total alegre e radical.

Jejum, penitência, leitura sagrada e a Santa Eucaristia, vivendo em união e humildade com a Santíssima Trindade numa felicidade gloriosa, serenidade e bendita harmonia.

O místico de Deus tem um testemunho impactante, como herdeiro do Céu batalha de forma orante pela sua conversão e do mundo inteiro.

Pe. Inácio José do Vale

Foucauldiano

 

Notas:

(1) Boa Semente Devocional. Passagens Bíblicas e Reflexões, 2015.

(2) http://senzapagare.blogspot.com.br/2010/12/carta-ao-pejeronimo-beato-charles-de.html


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