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Artigo

Fora de moda?

 

Sergio Sebold

Economista e professor independente

seboldunico@gmail.com

 

Diversos países da Europa, particularmente a França, vêm desenvolvendo um modelo de vivência familiar, através do retorno a muitas atividades domésticas praticadas pelas mães de antanho. A nova geração do milênio está se ressentindo saudosamente dos modos vivenciados no passado, - deixando atônitas as feministas de plantão – abandonados pela força avassaladora da produção em massa, criando novos espaços para a mulher.

 

A Europa sempre teve uma característica mais conservadora em relação ao comércio e à produção sendo altamente avessa aos megasshoppings, à semelhança destes palácios de consumo das Américas; as novas gerações europeias não se sentem bem nestes ambientes cheios de artificialismos. Há um ar nostálgico de voltar às clássicas comidas caseiras e a outras atividades que saudosamente nossas “nonnas” (avós) faziam em casa. Volta a ser estimulante no ambiente doméstico polir uma prataria com bicarbonato de sódio, preparar aquelas receitas caseiras guardadas em algum caderno escrito a mão, do inesquecível Mil Folhas, apetitosas broas..., ou mesmo tricotar, um “blaser”, roupinhas, para os novos filhos e mesmo netos que em breve estarão aqui para nos encher de alegria.

 

Vê-se com simpatia a expressão usada por um articulista NYT (habitualmente grande porta voz do feminismo midiático), as “novas fadas do lar” derrotando as “working girls” das décadas de 80 e 90, que viam com ojeriza os ambientes domésticos, impulsionadas pela onda feminista de liberdade para o trabalho profissional.

 

As tecnologias que foram introduzidas nas cozinhas, como micro-ondas, fogões elétricos, máquinas de lavar roupa ou louça e outras parafernálias, tinham muito mais a intenção de facilitar a saída da mulher do ambiente materno, do que auxiliar nos afazeres domésticos tradicionais. Muito da produção industrial o foi por um feminismo libertário da casa do que aparatos para ajudá-la.

 

A sociedade está farta da produção de alimentação em escala industrial, carregada com ingredientes sofisticados (muitos cancerígenos), que mais pretende atrair as pessoas do que um serviço que possa agradar os famintos. Infelizmente a arte da culinária artesanal doméstica ficou para trás.

 

Diante deste cenário, as velhas feministas (muitas já mudaram de lado) e sociólogos da esquerda, não entendem o que está acontecendo. Promoveram a libertação da mulher, pelas tecnologias de cozinha, e agora tudo começa a querer virar a volver.

 

Graças a diversos programas de TV, Sites, Blogs, estão estimulando a volta das atividades domésticas esquecidas, embrutecidas pelo espírito da liberdade feminina. Jovens blogueiras convidam a remendar e reformar vestidos, bolsas, joias pelo puro prazer do fazer doméstico alem da economia proporcionada nestes tempos bicudos. As lides femininas estão no DNA delas, e não adianta querer alterar os valores que se cimentaram através da história.

 

A institucionalização que a mulher também é produtiva como o homem fora de casa não deixa de ser um grande avanço. A prova está que até em comando de grandes empresas elas estão presentes (recentemente tínhamos uma mulher presidente na Petrobras); ela está presente também em vários cenários políticos pelo mundo afora.

 

No mesmo sentido o homem também pode cozinhar, costurar, limpar a casa, limpar o bum-bum das crianças, etc. Nada contra. Entretanto, essa nova cultura da mulher trabalhar fora do lar, pode ser uma armadilha manipulada, para destruir a família. É cansando a mulher com o trabalho fora de casa que se destrói o lar. Assim como pai pode fazer churrasco e outras comidas gostosas, a mãe também pode consertar uma porta ou uma janela, eventualmente, na ausência do marido. No cotidiano de uma família cristã, a divisão clara pela tradição das tarefas comuns, se estabelece naturalmente; cada um na sua nesse processo de reposição das gerações.

 

Pela tradição os filhos necessitam da presença e acompanhamento contínuo da mãe, e de um pai provedor. Entretanto, a insegurança de trabalho está tão aguda que os pais se obrigam a trabalharem fora, diante de empregos cada vez mais voláteis. Infelizmente o Estado não oferece segurança qualquer para reduzir estes efeitos, e quando o faz é com puro proselitismo político.

 

É oportuno ressaltar que aqueles “velhos costumes” estão há muito tempo sendo recuperado no Rio Grande do Sul através dos Centros de Tradições Gaúchas, onde é ressaltado a dignidade da mulher no lar.

(20/01/16)


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