ESPIRITUALIDADE (624)'
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Artigo

A BUSCA DE DEUS NO SILÊNCIO

O silêncio é detentor de poderosos mecanismos de curas, milagres e libertação. A voz do silêncio e a perfeita terapia para todos os males. O silêncio não deixa ninguém isolado, desamparado na tristeza da solidão. A ascese do silêncio leva-nos ao deserto para um encontro abissal com Deus, com o próximo e conosco mesmo. A solidão do deserto nesse contexto é o espaço da nossa abertura, do nosso vazio para ser ocupado por toda beatitude celestial.

Ascese do silêncio, o deserto, a solidão, a mística, o monge, o eremita e o contemplativo, tudo isso está dentro de um contexto teológico, ou seja, segue uma doutrinação técnica e bíblica. Daí estritamente a espiritualidade do silêncio. É pedagógico ressaltar que toda espiritualidade segue o ensinamento do silêncio. A didática do carisma tem suas modalidades, mas o silêncio é único e penetrável de graça imensurável em toda esfera da busca espiritual. Toda escola de espiritualidade tem sua ascese de silêncio. Solidifica de forma mais profunda o ensino do mestre da escola espiritual por meio da pedagogia do silêncio.

Afirmou a poetisa e educadora chilena Gabriela Mistral: “A educação é, talvez, a forma mais elevada de buscar a Deus”. A educação de buscar a Deus na experiência do silêncio é o modo mais poderoso, eficaz, simples e humilde do servo pecador. Daí a graça de mudança de vida, conversão, desejo ardente de amar e fazer a vontade de Deus, buscar mais conhecimento das coisas do Espírito Santo, evangelizar e praticar a caridade e viver com a divina sabedoria do silêncio.

O silêncio faz gozar a vida em plenitude. Quem fala demais assassina os outros. De forma magistral, brilhante nos ensina o filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau: “Só entende o valor do silêncio quem tem necessidade de calar para não ferir alguém”. O silêncio é amor, equilíbrio, serenidade e bondade. A falação e o barulho são: ódio, perturbação, fofoca e maldade. O silêncio é a paz do espírito. A falação é a desconstrução e a morte do nosso interior.

Disse o filósofo alemão Arthur Schopenhauer: “Da árvore do silêncio pende seu fruto, a paz”. Esse belo fruto dá vida aqueles que querem escutar a voz calma, melodiosa e suave do silêncio. O silêncio é o balsamo e o remédio para os feridos e doentes. É de suma importância buscar a praxe do silêncio e ter na agenda seu momento, seu retiro espiritual de silêncio e o aprofundamento permanente na educação do silêncio.

“O silêncio nos proporciona com profundidade a comunhão com Deus. Eleva a alma na beleza da espiritualidade, do amor e do abissal equilíbrio. Ter sempre um momento de silêncio como exercício de crescimento da fé, do poder vencedor e de revelações: sinais de evidências antes das coisas acontecerem”.

O silêncio é para ouvir Deus e Ele ouve o teu silêncio e o belo encanto da tua alma. É o silêncio que fala ao coração de forma tão sublime que a alma conecta com os frutos do Espírito Santo. O diálogo perfeito na esfera espiritual está no silêncio. Deus fala de modo imensurável no silêncio.

Pe. Inácio José do Vale

Professor, escritor e conferencista

Sociólogo em Ciência da Religião

Religioso dos Irmãozinhos da Visitação de Charles de Foucauld

E-mail: pe.inacio.jose@gmail.com

 


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