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Artigo

Nobel nem sempre nobre

 

Sergio Sebold

Economista e professor independente

seboldunico@gmail.com

 

 

A cada nova descoberta da medicina que venha revolucionar e oportunizar a melhor qualidade de vida, imediatamente grandes interesses industriais estarão por trás para faturar lucros astronômicos, principalmente se o galardão for um prêmio Nobel. Em alguns campos da pesquisa científica como química, física, e outras do mundo real, e na própria medicina, em geral têm sido justos. Nos tempos conturbados do século XX e do atual, porém, algumas escolhas para o prêmio têm sido nitidamente ideológicas ou sujeitas a interesses políticos. Infelizmente a honrosa intenção de Alfred Nobel (1833-1896) caiu no jogo sujo dos interesses internacionais

 

Em 2009, quando Obama, político americano pouco conhecido na época, foi eleito presidente dos EUA, nem fazia meio ano de governo e foi-lhe dada a aura do Prêmio Nobel da Paz, com o argumento: “Pelos esforços diplomáticos internacionais e cooperação entre os povos” ???

 

Mas, a Dra. Zilda Arns Neumann de Santa Catarina – falecida no terremoto do Haiti em 2011, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança e Pastoral da Pessoa Idosa - mesmo indicada por vários anos para o prêmio, nunca ganhou. Porque cometeu o erro de salvar crianças, através de um “sorinho” caseiro.

 

A grande indústria viu nela uma traição, porque deixou de faturar milhões com seu sorinho (cientificamente seguro). Ela apenas demonstrou para as famílias de pouca in(formação), que um pouquinho de açúcar, sal e água, era suficiente para salvar uma criança com desidratação. Um método simples, simples. Através de um programa nacional com apoio da CNBB e do setor público, foram salvas milhões de crianças no Brasil e no mundo.

 

A mortandade por desidratação era um flagelo nacional, – por falta de informação – mas, a grande indústria farmacêutica sabia como salvá-las. Fui protagonista da história. Com orientação médica da minha época (1968), salvei meu filho de desidratação, com apenas três meses de vida. Claro também não sabia que uma simples solução caseira era o suficiente. O remédio, sem qualquer pudor, foi caro na época. Hoje meu filho pertence ao mundo como cidadão saudável e honrado.

 

Tristemente a história está carregada e enxovalhada de injustiças, pela força poderosa da indústria com apoio da ideologia marxista-comunista que procura incutir na humanidade o sinistro direito ao aborto para alguns casos específicos; um sofisma para destruir a família.

 

Muito pouco se sabe, a não ser pessoas que tiveram caso de crianças com Síndrome de Down, que o descobridor desta anomalia genética foi o francês Jérôme Lejeune (1926 – 1994). Era um jovem médico pesquisador (33 anos em 1959) quando descobriu a causa da Síndrome ou Trissomia. Trocando em miúdos, os seres humanos em suas células possuem 46 cromossomos, em forma de 23 pares. Legeune identificou que as crianças portadoras dessa síndrome têm 47 cromossomos, pois o cromossomo 21 vem com três cópias em vez de duas; e que esta cópia “extra” de cromossomo provoca no organismo variações pela extensão dessa cópia, como genética familiar da criança, alem de fatores ambientais (talvez pesticidas agrícolas) e outras possibilidades.

 

Diante desta descoberta fantástica, foi guindado a diversas honrarias, inclusive com voto garantido ao premio Nobel de Medicina no futuro; foi a primeira vez que se descobriu que uma doença (anomalia, preferimos), podia vir direto do código genético. Abriam-se assim as portas para a medicina genética, até então pouco conhecida, e que um cromossomo podia ser a causa de uma anomalia.

 

Para os esquerdopatas da ideologia marxi/leninista e as feministas da época, Lejeune pisou na bola; quando em 1970 numa conferência opôs-se firme e abertamente ao projeto de lei do aborto eugenista da França; projeto que seria a glória para “primavera cultural de 1968” sobre o direito da mulher se dispor de seu corpo, no caso da Síndrome de Down. Isto ocasionou sua queda em “desgraça” diante da sociedade científica mundial, principalmente aos órgãos (OMS) da ONU, contaminada pela ideologia marxista. Preferiu pela sua fé cristã, manter-se em graça diante da verdade e de Deus: “matar uma criança por estar doente ou com defeito congênito isto é um assassinato, jamais”.  

 

Até então havia um consenso tradicional que a Síndrome era causada pela mãe, por ter tido “mau” comportamento sexual ou, que sua herança familiar era “má”. Nas famílias que ocorresse este caso, as crianças eram discriminadas, escondidas e tiradas do convívio social. Para nossa alegria, a psicologia, a medicina e a pedagogia tiveram um avanço espetacular nos últimos anos permitindo hoje a estas crianças serem inseridas no convívio sócio/escolar sem qualquer trauma ou preconceito; no passado era considerado impossível este convívio.

 

Jeneuve quis devolver a dignidade a estas crianças e a seus pais, afirmando que este fenômeno estava no seu código genético e que não vinha de família, muito menos pelo seu “mau” comportamento sexual. Levou sua causa pró-vida às Nações Unidas quando se referindo à Organização Mundial da Saúde disse textualmente: “eis aqui uma instituição para a saúde que se transformou em uma instituição para a morte”. Perdeu a láurea do Nobel de medicina; mas somos de fé que ganhou o galardão do céu, este sim é eterno, jamais lhe será tirado. Escolher Deus é, simplesmente, escolher o melhor...

(19/02/2016)

 


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