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Artigo

No centenário de Fátima, a grande esperança

Gregorio Vivanco Lopes

Temos no próximo ano a comemoração do centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima (1917-2017).

Plinio Corrêa de Oliveira afirmou que as aparições de Fátima constituíram o maior acontecimento do século XX. Em sequência a essa afirmação do insigne mestre, tudo está a indicar que o grande acontecimento deste século XXI será a realização plena da profecia comunicada por Nossa Senhora durante tais aparições.

Um caos ameaçador toma conta do mundo

De fato, o que vemos de todos os lados senão a concretização paulatina dos castigos anunciados na Cova da Iria? Convulsões e ameaças de guerras se multiplicam. Guerrilhas e germens de guerrilha atuam em diversas nações: ELN na Colômbia, movimentos ditos indigenistas no Equador, na Bolívia e também no Brasil, são exemplos. O terrorismo internacional, seja de origem islâmico ou outro, alastra-se e é visto com indulgência por alguns governos e por certa mídia.

Os erros doutrinários, que encontraram guarida e germinaram na Rússia soviética, hoje espalham-se pelo mundo todo. É a demolição da família, a luta de classes, o igualitarismo, a investida contra a propriedade privada, insuflados até por governos e bispos.

A imoralidade galopante não só não arrefeceu com a epidemia de AIDS, como até encontrou nela motivo para mais se disseminar e aprofundar. Desde o nudismo das modas, passando pelo amor livre e pela intensificação da prática do aborto, até as tentativas de legalizar a eutanásia, a pedofilia e a poligamia, vão alcançando ressonância cada vez mais favorável no mundo atual.

Tudo isso parece dizer-nos que está próxima a conclusão final e terrível dos castigos previstos por Nossa Senhora em Fátima: se os homens “não deixarem de ofender a Deus, [Ele] vai punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja...”. Nossa Senhora recomendou insistentemente oração e penitência. Onde está essa oração? Onde está essa penitência?

É, pois, necessário ver as coisas de frente. Conforme advertia Plinio Corrêa de Oliveira, “há uma trama colossal para derrubar nos fiéis a convicção de que o mundo moderno é mau, de que vai receber o castigo de Deus, de que a Mensagem se cumprirá em razão do pecado. Tudo isto não se crerá mais. No momento em que não crerem e em que o demônio der gargalhadas, dizendo 'desta vez nós logramos Aquela em cima, cujo nome não ousamos pronunciar', Ela fará conhecer que jamais deixou de pisar a cabeça da Serpente”.(1)

Reações sadias despontam em meio ao caos

De outro lado, aqui e acolá vão surgindo movimentos de reação sadia na opinião pública, antes inexistentes ou de pouca vitalidade, e agora portadores de muita esperança. Como explicá-los?

É notório o desligamento de grande parte da opinião pública mundial do trem frenético da esquerdização, há tempos conduzido pelos que se rotulam progressistas, esquerdistas, socialistas, avançados, modernos. Basta ver, no Brasil, o desprestígio em que caiu o Partido dos Trabalhadores (PT) e as monumentais marchas de orientação conservadora que tomaram as ruas das principais capitais brasileiras, resultando no impeachment da ex-presidente Dilma.

Na Europa, as reações populares contra a imigração muçulmana se avolumam e já produziram a saída da Inglaterra da União Europeia. As manifestações Manif pour tous na França contra a legalização do casamento homossexual e as marchas contra o aborto em diversas Nações são outro exemplo. Sem falar do crescimento em praticamente todas as nações europeias dos partidos que defendem valores morais autênticos, liderados às vezes por políticos conservadores, outras, infelizmente, por indivíduos de tendência nazistoide que se aproveitam da situação. Sem falar dos numerosos movimentos de reação minoritários e desconexos entre si que pululam aqui e acolá.

Chama a atenção o fato de que toda essa onda conservadora nasceu e se desenvolveu num terreno pouco propício, como é o caos contemporâneo. Apresenta-se com decisão e galhardia, sobretudo com vontade de lutar e de crescer.

Clamor pela realização plena da Mensagem de Fátima

Também a existência dessa reação sadia fala a favor da realização plena da Mensagem de Fátima. Pois é claro que tal reação, a se avolumar por uma ação da graça de Deus que a inspira, não poderá ser tolerada pelas estruturas entranhadamente revolucionárias do mundo contemporâneo, que abarcam, infelizmente, até setores incalculavelmente vastos e importantes da Santa Igreja Católica.

Já atualmente, em muitos lugares, “perseguido e punido pela lei é o médico católico que se recusa a praticar um aborto; perseguido e punido pela lei o católico que afirma, como ensina o catecismo, que a prática da homossexualidade é um pecado contra a natureza; perseguido e punido pela lei o professor ou o diretor de escola católica que se negue a ensinar a libertinagem sexual no seu estabelecimento; perseguidos os sacerdotes que se recusem a violar o segredo de confissão; perseguidos os católicos que, isolados ou reunidos em associações, queiram fazer ouvir sua voz na sociedade como eco do Magistério da Igreja… sem falar dos numerosos países em que, hoje, é derramado abundantemente o sangue dos cristãos pelo martírio”.(2)

Um possível embate de ordem moral e religiosa, que vise extirpar definitivamente das almas aquilo que de são e sagrado vai nelas germinando, não se pode consumar sem que haja uma interferência da Providência Divina para proteger os que são seus. Daí a pergunta que aparece num horizonte que se afigura próximo: a presente reação conservadora não prepara já os espíritos para secundarem e prolongarem o momento, glorioso entre todos, em que deve triunfar o Coração Imaculado de Maria, conforme foi previsto em Fátima?

Se no momento em que o mal se apresenta triunfante e parece tudo dominar, nesse mesmo momento surgem reações inesperadas, não é este um confronto de dimensões que têm algo de apocalíptico? Não se avizinha o triunfo anunciado em Fátima pela Virgem? Pondere o leitor.

Gregorio Vivanco Lopes é advogado e colaborador da ABIM

Fonte: Agência Boa Imprensa


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