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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 525 – março 2006

Brasileiros mudam de Religião:

 

A MOBILIDADE RELIGIOSA NO BRASIL

 

Em síntese: Uma pesquisa realizada em meados de 2005 revela que 24% da população brasileira mudaram de religião. A mudança religiosa se deu principalmente entre pessoas divorciadas (52,2%) ou separadas judicialmente (35,5%). Isto leva a crer que se afastaram do Catolicismo por causa da Moral Católica que, por fidelidade ao Evangelho, não admite o divórcio. A Igreja lamenta a perda desses fiéis, mas conserva a coerência com a Palavra de Cristo, o que é certamente digno de consideração num mundo tão marcado pela infidelidade e traição.

*   *   *

Na 43a Assembléia Geral dos Bispos do Brasil realizada em Itaicí (agosto de 2005) foi apresentado o resultado de uma pesquisa sobre a Mobilidade Religiosa no Brasil. O ambiente pesquisado foram 22 capitais, o Distrito Federal e 27 outros municípios. Do inquérito resultou que 24% da população brasileira já mudou de Religião, sendo quase a mesma a proporção entre os homens (23,9%) e as mulheres (23,1%). Em relação ao estado civil, verifica-se que há a maior proporção entre as pessoas divorciadas (52,2%) ou separadas judicialmente (35,5%). Entre os principais motivos aduzidos para a mudança religiosa, estão o sentimento de solidão e a busca de amparo numa comunidade religiosa, bem como a crise e a separação conjugais. - Pergunta-se:

QUE DIZER?

A deserção se dá principalmente do Catolicismo para o Protestantismo.

As razões mais apontadas são duas: as normas da Moral conjugal católica e o sentimento de solidão (talvez mais genericamente se possa dizer: deficiências dos fiéis católicos). Examinemos cada qual de per si.

1. A Moral católica

Há quem lamente que a Igreja Católica não acompanhe as tendências da vida contemporânea, aceitando o divórcio, as relações pré-matrimoniais, o aborto, as uniões homossexuais... - A sua intransigência lhe vale a apostasia de muitos que são infelizes em sua vida conjugal, já que em outras correntes religiosas, principalmente no Protestantismo, as práticas mencionadas são, em grande parte, aceitas. - A esta observação responde a Igreja não lhe ser lícito trair o Evangelho a fim de não perder adeptos. A Igreja deve conservar incondicional fidelidade ao Senhor Jesus e impor-se ao mundo não por "atitudes simpáticas", mas por coerência inabalável, qualidade esta rara no mundo atual, mas vivamente apreciada por pessoas de honra e brio. A Igreja pode e deve adaptar-se ao mundo de hoje em tudo o que seja acidental (inculturação, escola mista masculina e feminina, vestes clericais...), mas não pode retocar algum ponto essencial da mensagem do Senhor, como é a indissolubilidade do matrimônio (cf. Mc 10, 1-12; Lc 16, 18; 1Cor 7, 10s; Mt 19, 1-9; 5, 32).

A firmeza da Igreja ainda é um serviço prestado à humanidade, pois é a voz da consciência que tenta chamar os homens ao bom senso e ao equilíbrio. Tal missão é penosa e duramente criticada, mas executada com amor cristão paciente e perseverante.

2. Testemunho deficiente

O vendaval do pensamento moderno tem sacudido muitos fiéis católicos, levando-os a atitudes incoerentes, que dão um contra-testemunho da Igreja Católica. Não poucos exageraram a "abertura" do Concílio do Vaticano II, cedendo a improvisações que desconcertaram irmãos e irmãs mais suscetíveis. Daí as defecções.

Aliás já o Concílio apontava, entre as causas de deserção, o falho testemunho dos próprios católicos:

"Na gênese do ateísmo grande parte podem ter os crentes, enquanto, negligenciando a educação da fé, ou por uma exposição falaz da doutrina, ou por faltas na sua vida religiosa, moral e social, se poderia dizer deles que mais escondem do que manifestam a face genuína de Deus e da religião" (Const. Gaudium et Spes n° 39).

Ou ainda o Papa João Paulo II:

"É forçoso reconhecer que a história registra também numerosos episódios que constituem um contra-testemunho para o cristianismo. Por causa daquele vínculo que nos une uns aos outros, filhos da Igreja, pecamos, tendo impedido à Esposa de Cristo de resplandecer em toda a beleza do seu rosto. O nosso pecado estorvou a ação do Espírito no coração de muitas pessoas. A nossa pouca fé fez cair na indiferença e afastou muitos de um autêntico encontro com Cristo" (Bula "O mistério da Encarnação" n° 11).

Dom Estêvão Bettencourt


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