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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 344 – janeiro 1991

Janeiro, o Mês da Porta

 

Janeiro, lanuarius em latim, vem de ianua, porta. E ianua vem de lanus, o deus de todo começo, conforme a mitologia latina. Por ser o deus de todo início, lanus era representado, nas moedas romanas, com duas faces: uma olhava para trás e outra para a frente; era o lanus bifrons ou bíceps, que significava plasticamente o fluxo do tempo. Presidia naturalmente ao primeiro mês e ao primeiro dia do ano. Os romanos principiavam seu ano sob a tutela de uma divindade própria!

 

O vocabulário português conservou o nome de Janeiro para o primeiro mês do ano. Este fato não pode deixar de sugerir aos cristãos algumas reflexões implícitas em tal nomenclatura e — diríamos — derivadas do fundo mesmo da consciência de todo homem:

 

1)  Quem começa um novo ano, é herdeiro de um passado que não pode ser esquecido. Lance um olhar para trás, como lanus o lança. E aprenda. .. O passado é escola; proporciona experiência:. . . experiências positivas, que ensinam a viver corretamente, e experiências negativas, que ensinam a evitar os escolhos.

2)  Quem começa um novo ano, lança também um olhar para a frente, como lanus. O futuro que se abre, é um convite a todo homem (especialmente ao cristão) para que supere a si mesmo; se procedeu bem, procure proceder melhor ainda (o cristão é chamado à santidade, e sabe que o tempo lhe é concedido à guisa de moratória, para que resgate os dias perdidos ou mal aplicados; cf. Rm 2,4; 2Pd 3,9). Dilate-se, pois, o olhar do cristão que começa novo ano!

3)  Estar entre o passado e o futuro significa ser elo ou passagem entre uma fase e outra da história. Significa preparar o futuro para que as gerações vindouras encontrem o patrimônio da humanidade abrilhantado pelo fato de ter existido a geração presente. É grande responsabilidade; lembra a cada cristão que ele não vive para si, mas para o Cristo, que protrai a sua obra redentora através dos tempos, servindo-se de uns para salvar a outros.

4)  O Deus lanus era também, pelos romanos, associado à Paz. Era ele quem tutelava Roma contra os sabinos e lhe assegurava tranqüilidade. Para o cristão, isto é altamente expressivo. Que o novo ano iniciado em janeiro de 1991 seja penhor de Paz! Já no Antigo Testamento Shalom correspondia ao ideal messiânico, expectativa que Jesus Cristo confirmou, tornando-se Ele mesmo a nossa Paz: "Ele criou um Homem Novo, estabelecendo a Paz" (Ef 2,15). — Possa esta paz de Cristo, que supera todo entendimento (cf. Fl 4,7), derramar-se sobre o povo de Deus e toda a humanidade em 1991!

 

Dom Estêvão Bettencourt

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