REFLEXõES (1502)'
     ||  Início  ->  
Artigo

Arrebatados?

Deixados para trás

 

Entre os protestantes e até alguns católicos, neste período em que tanto se fala do final dos tempos, ouve-se muito falar no “arrebatamento”. Até foi feita uma série de filmes com o sugestivo nome de “Deixados para trás” que, por sua vez, foi inspirada num conjunto de livros que tratam da vida de cristãos que “não foram arrebatados” e como eles vivem sua recém-descoberta fé cristã durante a “tribulação” após o suposto arrebatamento.

 

Mas o que vem a ser afinal, essa doutrina do “arrebatamento”?  Sabemos que a Igreja não ensina isso. Mas, e nas escrituras, ela encontra realmente respaldo na Bíblia? Segundo os protestantes com ligeiras variantes, o arrebatamento consiste no encontro da igreja (a noiva) com Nosso Senhor Jesus (o noivo) nos “ares”. Seria o momento em que Jesus busca a sua igreja do ponto de vista protestante, ou seja, todos que NEle crêem serão arrebatados, desaparecerão da terra para viverem com Ele nos céus até a segunda etapa da sua Segunda Vinda: o Aparecimento Glorioso.

 

Para sustentar esta teoria, são utilizadas principalmente duas passagens bíblicas, que são:

 

Mt 24,39-41: “E os homens de nada sabiam, até o momento em que veio o dilúvio e os levou a todos. Assim será também na volta do Filho do Homem. Dois homens estarão no campo: um será tomado, o outro será deixado. Duas mulheres estarão moendo no mesmo moinho: uma será tomada a outra será deixada”.

 

1 Tess, 14-17: “Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, cremos também que Deus levará com Jesus os que nele morreram. Eis o que vos declaramos, conforme a palavra do Senhor: por ocasião da vinda do Senhor, nós que ficamos ainda vivos não precederemos os mortos. Quando for dado o sinal, à voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus, o mesmo Senhor descerá do céu e os que morreram em Cristo ressurgirão primeiro. Depois nós, os vivos, os que estamos ainda na terra, seremos arrebatados juntamente com eles sobre nuvens ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor”.

 

São as únicas passagens na bíblia que mencionam especificamente o arrebatamento dos fiéis. Mas, infelizmente para quem crê no arrebatamento da forma como ensinado entre os crentes, digamos, “pré-tribulacional”, a própria bíblia desmente esse ponto de vista se a examinarmos com imparcialidade.

 

Observando a passagem de Mateus, vemos que “E os homens de nada sabiam, até o momento em que veio o dilúvio e os levou a todos. Assim também será na volta do Filho do Homem. Dois homens estarão no campo: um será tomado, o outro será deixado”. O versículo anterior, 39, indica claramente que a expressão “tomado e deixado” significa justamente o contrário do que querem fazer crer! Pois, se o dilúvio levou a todos e na volta do Filho do Homem será assim também, então isso implica que quem for levado será levado como o foram os homens que pereceram no dilúvio, ou seja: morrerá! E morrerá provavelmente na pior, sem Deus. É justamente o oposto do que deveríamos desejar que ocorra conosco. Afinal, não houve arrebatamento dos fiéis durante o dilúvio, houve? Foi o contrário.

No evangelho de Lucas vemos passagem semelhante. E em nenhuma delas podemos concluir com segurança que o “tomado e deixado” tenha algo a ver com o “arrebatamento pré-tribulacional” conforme pretendido.

Outro ponto interessante é que Jesus diz “na volta do filho do homem”. Não fala em segunda e terceira voltas, antes da tribulação (o falso arrebatamento) e depois (o verdadeiro, conforme o Apocalipse).

 

Quanto ao texto de 1 Tessalonicenses, a questão se apresenta ainda mais óbvia. Afinal, quando Cristo vier para julgar os homens, será Sua Segunda Vinda. Se Jesus voltasse antes disso, apenas para buscar os fiéis, então já não seria uma Segunda Vinda. Seria uma “Terceira Vinda”. (!) Além disso, todo o texto sugere que serão os sobreviventes da tribulação que serão arrebatados, pois está escrito: “Depois nós, os vivos, os que estamos ainda na terra (…)”. A passagem é clara.

 

No livro do Apocalipse, que é o livro por excelência do fim dos tempos, não há nenhuma menção a respeito do falso arrebatamento. Pelo contrário, o Apocalipse dá a entender que os fiéis serão sim, duramente provados na fé, perseguidos e martirizados. Muitos morrerão! Muitos deles derramarão seu sangue, para “lavarem suas vestes”.

Ou seja, o falso arrebatamento é uma fantasia de quem quer ser levado ao Céu de corpo e alma, sem passar pela morte física, de quem não deseja carregar a cruz, de quem não tem verdadeira FÉ em Nosso Senhor Jesus Cristo que afirmou: “Quem quiser vir após mim renuncie a si mesmo, tome sua cruz, e siga-me” (Lc 9,23).

 

Assim, vejamos no Apocalipse:

1, 10 – Nada temas ante o que hás de sofrer. Por estes dias o demônio vai lançar alguns de vós na prisão, para pôr-vos à prova. Tereis tribulações durante dez dias. Sê fiel até a morte e te darei a coroa da vida.

2, 26 – Então ao vencedor, ao que praticar minhas obras até o fim, dar-lhe-ei poder sobre as nações pagãs.

6, 10-11 – E clamavam em alta voz, dizendo: Até quando tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem vingar o nosso sangue contra os habitantes da terra? Foi então dada a cada um deles uma veste branca, e foi-lhes dito que aguardassem ainda um pouco, até que se completasse o número dos companheiros de serviço e irmãos que estavam com eles para ser mortos.

7, 3 – Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores, até que tenhamos assinalado os servos de nosso Deus em suas frontes.

 

Se os servos fossem arrebatados, por que Deus teria cuidado de marcá-los nas frontes, para que fossem reconhecidos entre os outros? Se houvesse o arrebatamento, não haveria necessidade de marcação, já que os eleitos estariam em segurança no céu.

 

7,14 – Respondi-lhe: Meu Senhor, tu o sabes. E ele me disse: Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro.

 

Lavar as vestes no sangue do Cordeiro: tomar parte no seu martírio, derramar sangue por causa da fidelidade a Ele. A veste branca não é a roupa de pano, mas a perseverança na fé até as últimas conseqüências. Isto é FÉ, não fantasia.

 

9,4 – Mas foi-lhes dito que não causassem dano à erva, verdura, ou árvore alguma, mas somente aos homens que não têm o selo de Deus na fronte. (Ver explicação referente ao versículo 7,3.)

 

Os homens que não têm o selo de Deus serão aqueles que não ficarão na Nova Terra. Não quer dizer que se percam eternamente, mas sim que não ficarão vivos aqui, depois do Juízo Final. Ou seja: já terão morrido até aquele dia!

 

12, 11 – Mas estes venceram-no por causa do sangue do Cordeiro e de seu eloqüente testemunho. Desprezaram a vida até aceitar a morte.

13,10 – Quem procura prender será preso. Quem matar pela espada, pela espada deve ser morto. Esta é a ocasião para a constância e a confiança dos santos!

 

Há mais passagens como estas, porém penso que as citadas são suficientes para demonstrar que o “arrebatamento” como esperado pelos protestantes é uma fantasia. Os textos afirmam o contrário!

 

Também não podemos crer que o Senhor estimulasse tal atitude, escolhendo alguns e deixando outros, pois sabemos que Deus não faz acepção de pessoas (Atos 10,34). Portanto, os candidatos a esse tipo de arrebatamento pré-tribulacional deveriam sentir vergonha de si mesmos, já que querem livrar-se da perseguição, da tribulação e quiçá, do martírio, que nem o próprio Senhor Jesus recusou.

Devemos sim, neste momento, estar dispostos a perder a própria vida por amor a Cristo (Mt 16,25) e não procurar ser justos apenas para fugir à tribulação, pois quem não toma a cruz de cada dia e não segue a Jesus, não é digno dEle (Lc 14,27).

Isso se aplica principalmente às vicissitudes que deverão ser enfrentadas pelos cristãos no final dos tempos segundo o Apocalipse. (Ap 12,11). Nossa palavra de fé agora é: Pai, faça-se em mim segundo a tua vontade, não a minha. Foi assim que Jesus procedeu!

 

Como disse Santa Teresinha:

“A perfeição consiste em fazer Sua vontade, em ser aquilo que Ele quer que sejamos...”.

 

Imitação de Cristo, de Tomás de Kempis:

“Toda a vida de Cristo foi cruz e martírio; e tu procuras só descanso e gozo? Andas errado, e muito errado, se outra coisa procuras e não sofrimentos e tribulações; pois toda esta vida mortal está cheia de misérias e assinalada de cruzes”.

 

Portanto, devemos sempre nos manter em humildade e oração, reconhecendo nossa miséria perante o Senhor e, em vez de querermos nos “safar” das tribulações, pedir a Deus a força e o discernimento necessários para que não sejamos enganados no mar de contradições, mentiras e ilusões em que estamos mergulhados, lutando sem temor pelo “venha a nós o Vosso Reino” que certamente virá. Com ou sem tribulação.

 

Reflexões pessoais de Claudio Maria

 


Pergunte e Responderemos
Como você se sente ao ler este artigo?
Feliz Informado Inspirado Triste Mal-humorado Bizarro Ri muito Resultado
9 1
PUBLICAR - COMENTAR - EMAIL -  FACEBOOK 

:-)