IGREJA (3243)'
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Artigo

IGREJA: Realidade Humana e Divina

 

 

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

1-IGREJA MISTÉRIO: BREVE ESTUDO DO CAPÍTULO I DA LUMEN GENTIUN

2-ESTUDO SOBRE A IGREJA E O MUNDO NA CONSTITUIÇÃO PASTORAL GAUDIUM ET SPES

3-O CONCÍLIO VATICANO II E A AMÉRICA LATINA

 3.1-MEDELLIN 

 3.2-PUEBLA 

 3.3-SANTO DOMINGO

CONCLUSÃO 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

 

INTRODUÇÃO

Com o advento da modernidade o mundo sofreu muitas transformações e em áreas diversas: economia, política, cultura, idéias e muitos outros campos. A religião não ficou alheia a tais mudanças e as seguranças das verdades da fé foram postas em dúvida; a razão, que por vocação tem a missão de buscar a verdade, sofreu um reducionismo empírico e tecnicista. Esse “mar” de acontecimentos não deixou de bater na “Barca de Pedro” (a Igreja Católica), como prova vale a lembrança da Reforma Protestante.

 

A Igreja que tem como fundamento e fundador Jesus Cristo precisava e precisa continuar navegando e pregando a Verdade, apesar das tempestades, ou como diz professor Felipe Aquino em sua obra Escola da Fé (vol. I)“Sabemos que hoje as seitas espalham por toda a terra a cizânia no campo de trigo do Senhor, portanto, mais do que antes, há que se ensinar a Verdade que Jesus confiou a sua Igreja” (200, p. 8).  Em razão de tudo o que até aqui foi brevemente aludido é fácil entender que o homem moderno, vive em uma miscelânea de “verdades relativas” e (talvez por isso), pessoas abandonam a Igreja.

 

Nota-se que muitos crescem, estudam, mas no que diz respeito à fé são ignorantes e logo que brota algum problema ou questionamento sobre o que a Igreja ensina, não sabem as respostas e, não poucas vezes, migram para outras religiões, já que o conhecimento que têm limita-se ao que foi (quando foi), assimilado em um curso de preparação para a primeira eucaristia, ou seja, não houve amadurecimento na fé, não sabem a razão de ser católico e pensam que a Igreja é como “qualquer outra religião”, a fé é convertida em produto de supermercado.

 

No presente, trabalho buscamos, estudar, ainda que brevemente, essa realidade humana e divina que é a Igreja. Nossa reflexão eclesiológica será desenvolvida em três momentos: A Igreja enquanto Mistério na Lumen Gentium; a Igreja e o mundo na Gaudium et Spes  e a Igreja na América Latina ( Medelin, Puebla e Santo Domingo). Nosso objetivo é investigar, sem pretender esgotar, as razões de nossa fé.

 

 

1- IGREJA MISTÉRIO:

UM BREVE ESTUDO DO CAPÍTULO I DA LUMEN GENTIUM

Prof.: Ricardino Lassadier

 

Todos os domingos nós professamos nossa fé, afirmamos crer em Deus Pai Criador, em Deus Filho Redentor, em Deus Espírito Santificador, como também na Igreja (Una, Santa, Católica, Apostólica). Mas, como ou em que sentido a fé que temos em Deus é intimamente ligada à fé que temos na Igreja? Para muitos essa ligação não é catequeticamente esclarecida. Ao estudarmos a eclesiologia na Constituição Dogmática Lumen Gentium pretendermos evidenciar o elo entre  Deus Uno e Trino com a Igreja.

 

Falar da Igreja implica em um esforço de buscar reconhecê-la em seu chamamento divino como também em seu sentido humano, ambos refletem a Trindade. Procuraremos demonstrar esse reflexo tentando seguir – ao menos na maior parte do presente estudo – a própria seqüência da Lumen Gentium (LG).

 

A LG tem o objetivo de explicar de forma clara e rigorosa aos fiéis em particular e às pessoas em geral qual é a natureza e a missão da Igreja (LG 1). Isso significa que através da LG a Igreja procura explicar-se para si mesma e para o mundo. Ao explicar-se para si, compreende-se; ao explicar-se ao mundo faz-se compreender. Tentando sermos fiéis à proposta da LG  estudemos um pouco acerca da natureza da Igreja tendo como ponto de partida a própria palavra Igreja.

 

A palavra Igreja deriva do termo “ekkläsia”, que vem do grego “ek-kalein” significando chamar de fora, isto é, convocação. Segundo o Catecismo da Igreja Católica (CIC) no número 751 este é “o termo freqüentemente usado no Antigo Testamento grego para assembléia do povo eleito diante de Deus, sobretudo para a assembléia do Sinai onde Israel recebeu a Lei e foi constituído por Deus como seu povo eleito. Ao denominar-se ‘Igreja’, a primeira comunidade dos que criam em Cristo se reconhece herdeira dessa assembléia”. Mas, qual a justificativa dessa consideração a que comunidade formada pelos seguidores de Jesus tinha sobre si mesma? Responde-nos o Cardeal J. Ratzinger : “O termo grego, que continua a viver na palavra latinizada ecclesia, tem sua base na raiz qãhãl do Antigo Testamento, que comumente se traduz por ‘assembléia do povo’. Tais assembléias, nas quais o povo se constituía como entidade cultural e, a partir daí, como entidade política e jurídica, existia tanto no mundo grego como no âmbito semita” (1992,p.17). O que diferencia, então, assembléia constituída por Israel da assembléia existente no mundo grego? A resposta é: o motivo da convocação e o sujeito que convoca. Em outros termos, enquanto na Grécia a assembléia era formada por homens adultos nativos do local visando deliberações e decisões políticas; em Israel a assembléia abrangia a todos (homens, mulheres e crianças), pois se sentiam chamados por Deus para ouvir e por em prática sua Palavra. Os primeiros cristãos se sentiam herdeiros desse chamamento, dessa convocação (cf. Hb12, 18-24). Ora, sendo a Igreja convocada por Deus, ela foi chamada a existir por Deus e foi de certa forma, pensada por Deus, logo, tem sua origem em Deus. Isso significa que a Igreja tem sua origem no Mistério do Deus que é Trindade.

 

A eclesiologia advinda do Concílio Vaticano II acentua justamente a dimensão mistérico-sacramental da Igreja, ou seja, como sinal que não somente representa, mas presentifica a Trindade Santa. A LG coloca em relevo a fundamentação trinitária da Igreja, pois de acordo com o saudoso Santo Padre João Paulo II (1991, p. 51) “a Igreja é na sua essência mais íntima, um mistério de fé, estreitamente ligado ao infinito mistério da Trindade”. Deus Pai não nos abandonou quando em Adão pecamos, muito pelo contrário, quis nos convocar todos “na santa Igreja a qual tendo sido prefigurada já desde a origem do mundo e preparada admiravelmente na história do povo de Israel e na antiga aliança, foi fundada ‘nos últimos tempos’ e manifestada pela efusão do Espírito Santo e será consumada em glória no fim dos séculos” (LG 2). A Igreja foi pensada e desejada pelo Pai para congregar seus filhos. Em Israel, a Igreja já se fazia presente de maneira “embrionária”, então, em certo sentido, ela estava sendo “gestada”, preparada. Ao mesmo tempo em que estava sendo “gestada” por Deus em Israel, também o homem era preparado para, historicamente, constituir Igreja e constituir-se Igreja. Diante de tudo o que até aqui foi refletido, podemos dizer que a Igreja é Israel renovado, ou como diz o professor Felipe Aquino (2002, p. 60) “O único povo de Deus no Antigo Testamento (Israel) se prolonga no único povo de Deus no Novo Testamento (a Igreja)”.

 

A LG (1) afirma que “Cristo é a Luz dos povos” e a Igreja deve e quer refletir essa Luz, pois foi um mandato do próprio Jesus: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova a toda a criatura!” (Mc 16,15). A Igreja é, nesse aspecto, o rosto de Cristo refletido ao mundo. A fundação da realidade que é a Igreja integra essencialmente a missão de Jesus e, ao mesmo tempo, toda obra Dele está em reunir o novo povo, isto é, em constituir a Igreja (cf. RATZINGER, 1992, P.14). Em Cristo, a Igreja é sinal e instrumento de unidade dos homens entre si e dos homens com Deus, ela pode ser, com justiça, denominada Sacramento de unidade e nisso consiste sua missão: ser elo, aliança de Deus com os homens e dos homens entre si. Mas sendo que os homens estão ligados de diversos modos (politicamente, socialmente, educacionalmente ...) no mundo, cabe à Igreja fazer com que todos esses modos se façam presentes em Cristo já que “Todos os homens são chamados a esta união com Cristo, Luz do mundo, pelo qual procedemos, pelo qual vivemos e para o qual tendemos” (LG 3).

 

A Igreja, no seguimento de Jesus, sabe que sua missão exige fidelidade a Deus. Tal fidelidade requer agir no tempo e na história servindo a pessoa humana, fazendo de cada um filho seu e de Deus, logo, a ação da Igreja reflete a ação de Cristo que foi plenamente fiel ao Pai encarnado-se e se deixando imolar por cada pessoa objetivando a realização da comunhão perdida entre os homens e o Pai. Deus criou o homem para comunhão, então criou o homem para a Igreja, ou em outras palavras, se a vontade de Deus é a comunhão, concomitantemente, a vontade de Deus é a Igreja, isso significa que o mundo foi criado por Deus “em vista da comunhão com sua vida divina, comunhão esta que se realiza pela ‘convocação ’dos homens em Cristo e esta ‘convocação’ é a Igreja. A Igreja é a finalidade de todas as coisas...” (CIC 706). A missão da Igreja é a comunhão e a finalidade da comunhão é a Igreja, portanto, a missão da Igreja é a unidade e a unidade é a finalidade da Igreja, por isso São Paulo afirma: “Vós todos que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo. Não há mais judeu ou grego, escravo ou livre, homem ou mulher, pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3, 27-28).

 

A missão de Jesus consiste em unir o que está separado, foi ele mesmo quem afirmou: “Quem não está comigo, é contra mim; e quem não recolhe comigo espalha” (Mt 12,30). Toda obra de Cristo consiste em reunir o povo, isto é, em constituir Igreja. Já o objetivo da Igreja é como já indicamos, ser sacramento de unidade (cf. CIC 775) e enquanto tal unificar em si o humano e o divino, o terrestre e o celeste (cf. CIC 771).

 

É do Cristo Pascal que brota a sacramentalidade da Igreja, manifestada pelo sangue e pela água que jorra do Crucificado (cf. LG 3; Jo 19,34) e tem sua comprovação pelo e no Ressuscitado (cf. Forte, 1987,p.20), assim sendo, a Igreja é em Cristo Jesus sacramento da nossa redenção. Mediante a celebração eucarística a imolação do Senhor se torna presente, ou como está ensinado na LG (3): “O sacramento do pão eucarístico representa e realiza a unidade dos fiéis, que constituem um só corpo em Cristo (cf. 1Cor 10, 17)”, isto é, a Igreja. Quando Jesus na última ceia institui e celebra a pela primeira vez a eucaristia, está efetiva e secramentalmente, fundando a Igreja que jorrará pouco depois do seu coração traspassado, por isso a instituição da eucaristia não pode sofrer a consideração reducionista de ser considerado apenas um simbolismo. A eucaristia “é a conclusão de uma aliança e como aliança é a fundação concreta de um novo povo, que se torna povo por sua relação de aliança com Deus” (RATZINGER, 1992, p.16). Então, a eucaristia promove, realiza e sustenta a unidade e a unicidade da Igreja, logo, a unidade e a unicidade da Igreja brotam de Deus, afinal é Jesus mesmo que reza “Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim, e eu em ti. Que eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17,21).

 

A Igreja de Cristo é necessariamente Católica e Apostólica, não pode fecha-se em si, sua vocação é ser sacramento de salvação para todas as pessoas. Mas o que significa afirmar que a Igreja é sacramento da salvação? Encontramos uma clara resposta no Compêndio do Catecismo da Igreja Católica (CCIC 152): “Significa que é sinal e instrumento da reconciliação e da comunhão de toda a humanidade com Deus e da unidade de todo o gênero humano”.

 

O que torna possível a realização dessa vocação é a comunhão eucarística pois, afirma o Romano Pontífice João Paulo II na encíclica Ecclesia de Eucharistia (EE 23), que é através da “comunhão eucarística, que a Igreja é consolidada igualmente em sua unidade de corpo de Cristo”. É a unidade, a comunhão gerada pelo Corpo de Cristo (Eucaristia), que faz a Igreja existir como Corpo Místico de Cristo. A vida de Cristo Jesus é comunicada aos fiéis que integram a Igreja através dos sacramentos em geral e da Eucaristia em particular.  Os sacramentos são as “artérias” que transportam a vida doada por Jesus. Esta vida é o próprio Espírito Santo que une os fiéis ao Cristo, fazendo da Igreja Corpo Místico, é o que nos ensina o Concílio Vaticano II ao afirmar que Jesus “pela comunicação do Espírito, constituiu com os seus, chamados de entre todas as gentes, o seu corpo místico.

 

Neste corpo a vida de Cristo comunica-se aos crentes, que se unem, através dos sacramentos, de modo íntimo e real, a Cristo que sofreu e foi glorificado”  (LG 7).

 

Tendo nos referido ao Pai e ao Filho podemos refletir sobre o Espírito Santo que é como já citamos, a Vida da Igreja, enviado no dia de Pentecostes para santificá-la e dessa forma fazer com que os fiéis, pelo Filho cheguem ao Pai (cf, LG 4). Com Pentecostes tem inicio efetivamente o tempo da Igreja . Jesus, em unidade com o Pai, prometeu a vinda do Espírito: “Eu enviarei sobre vós o que meu Pai prometeu. Por isso, permanecei na cidade até que sejais revestidos da força do alto” (Lc 24,49). É com a “Força que vem do alto” que a Igreja tem a missão de prolongar na história a ação salvífica e misericordiosa do Messias: “Jesus disse de novo: ‘A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou eu também vos envio’. E então soprou sobre eles e falou: ‘Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, serão perdoados; a quem retiverdes, ficarão retidos” (Jo 20,21-23).

 

Assim como a história de Israel no Antigo Testamento foi uma preparação para a chegada do Messias, a ação e pregação messiânica de Jesus, acerca do Reino preparava o tempo da Igreja que se inicia com Pentecostes, neste dia “de repente, veio do céu um ruído como de um vento forte, que encheu toda a casa em que se encontravam. Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo começaram a falar outras línguas,  conforme o Espírito lhes concedia expressar-se” (At 2,2-4). Mas, sobre quem veio o Espírito? Sobre a Igreja nascente reunida em oração, eram “Pedro e João, Tiago e André, Felipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago,  filho de Alfeu, Simão Zelota e Judas Filho de Tiago. Todos eles perseveravam na oração em comum, juntos com algumas mulheres - entre elas, Maria, mãe de Jesus com os irmãos dele” (At 1,13-14), e Matias que foi eleito para o lugar de Judas Iscariotes (cf,At 1, 15-16). Temos, portanto, a imagem da Igreja em seus primórdios. O Espírito vem e age na Igreja reunida em comunhão. É a comunhão da Igreja que, em certo sentido, possibilita o cumprimento da promessa e gera comunidade. Mas, ao mesmo tempo, a ação do Espírito fecunda a comunhão e forma comunidade. O Espírito não se faz presente onde não há unidade, pois, não há comunhão, porém, não pensemos que é uma decisão meramente humana que torna presente o Espírito, pois a unidade, a comunhão já é a manifestação misteriosa da graça advinda do Espírito de Deus. Ou seja, quando a Igreja primitiva estava perseverante, unida em oração o evento pentecostal ainda não havia ocorrido, entretanto, essa disposição em realizar verdadeiramente uma comunhão de oração já é graça divina. Essa consideração parece-nos ser de extrema importância, tanto que nos permite compreender que a ação do Espírito manifesta a Igreja, ao mesmo tempo, a comunhão e a unidade da Igreja são expressões legítimas e verdadeiras do Espírito; não é possível divorciar tais realidades, já que são uma: o Espírito age na Igreja; a Igreja expressa ação do Espírito.

 

Quebrar a unidade, romper a comunhão com a Igreja e na Igreja e pretender estar agindo sob o impulso do Espírito é verdadeiramente pretender realizar o impossível, ou ainda, tomar lugar do próprio Deus, constituindo-se a si mesmo como vínculo de unidade, fonte de comunhão; a Igreja seria meramente humana. Segundo o Cardeal Ratzinger “São Lucas nos pinta a grande cena do Pentecostes: a fundação da Igreja Pelo Espírito Santo, em meio a tempestade e ao fogo. Ela não nasce de uma decisão própria; não é produto da vontade humana, mas criatura do Espírito divino”  (1992, p. 24) . Foi Jesus quem nos “presenteou” com o Espírito que “sendo um só na cabeça e nos membros, vivifica, unifica e dirige de tal modo o corpo inteiro (a Igreja), que a sua função pôde ser comparada pelos santos Padres àquela que a alma, princípio de vida exerce no corpo humano” (LG 7).

 

A missão da Igreja não difere da missão de Jesus e do Espírito, “a Igreja é enviada a anunciar e dar testemunho, atualizar e difundir o mistério da comunhão da Santíssima Trindade” (CIC 738), nesse sentido, vale ressaltar, a Igreja é Mistério que nasce do Mistério Trinitário, é o que nos ensina o Concílio Vaticano II  através da LG. A Igreja brota da Trindade, trilha seu caminho sob a Luz da Trindade, tem como meta a Trindade. A Santíssima Trindade, segundo Bruno Forte “é o ‘já’ e o ‘ainda não’ da Igreja, o passado fontal e o futuro da promissão, o início e o fim”  (1987, p.23).

 

O Papa João Paulo II ensina que “segundo o Magistério do Concílio Vaticano II, herdeiro da Tradição, o mistério da Igreja está radicado em Deus-Trindade e, por isso, tem como dimensão primária e fundamental a dimensão trinitária, enquanto, desde sua origem até a sua conclusão histórica e ao destino eterno, a Igreja tem consistência e vida na Trindade” (1991, p.51). A Igreja, portanto, manifesta no tempo e na história uma realidade transcendente ao tempo e à história, isto é, o Eterno. Nesse sentido, a Igreja é o Reino nascido do Transcendente, constitui-se de forma imanente, mas cresce ao Transcendente.

 

 

2- ESTUDO SOBRE A IGREJA E O MUNDO NA CONSTITUIÇÃO PASTORAL GAUDIUM ET SPES

Prof.: Ricardino Lassadier

 

O Verbo se fez homem e veio morar entre nós (cf . Jo 1,14), esse maravilhoso acontecimento nos revela que o Deus invisível e espiritual assumiu nossa realidade humana. Em Jesus temos a presença de Deus de maneira pessoal e sensível. A exemplo de seu divino esposo, também a Igreja se faz presente efetiva e sensivelmente entre nós. Vejamos a seguir como se realiza a presença do mistério, que é a Igreja, no mundo. Nossas considerações terão como referencial investigativo a Constituição Pastoral Gaudium et Spes (GS)

 

Como dissemos anteriormente, a Igreja - apesar de em sua natureza ser um mistério que brota do Mistério Trinitário (cf. CIC 738) – é, ao mesmo tempo, composta de seres humanos concretos historicamente, logo, ela participa das aflições e esperanças presentes nos corações das pessoas, e sente que é seu dever propor respostas. Para tanto, faz-se necessário desenvolver um diálogo com o mundo contemporâneo, de tal forma que “a Igreja sente-se real e intimamente ligada ao gênero humano e à sua história” (GS 1).

 

A missão da Igreja se desenvolveu e se desenvolve no mundo e no tempo (história), porém “foi a partir do Concílio Vaticano II que a Igreja tomou consciência dessa missão” (PIÉ-NINOT, 2002, p. 100), pode-se dizer, nesse aspecto, que a GS expressa o desejo e a solicitude da Igreja em falar à sociedade, mas também em escutá-la; evidentemente que isso só é possível pela convicção firme que a Igreja tem de ser depositária da Verdade, por isso a Igreja não teme a sociedade humana mas quer falar à sociedade acerca daquilo que lhe compete, assim como também que escutar a sociedade e enriquecer-se com ela. Isso significa que a Esposa de Cristo não foi constituída para ser julgadora do mundo, muito menos mera espectadora e sim para anunciar e propor a Boa Nova, fonte de vida digna, de paz e de justiça e assim ajudar à humanidade a atingir sua plena realização. Logo, não há, por parte da Igreja, uma visão pessimista, condenatória e nem idealista, romântica sobre o mundo já que ela tem diante de si o ser humano com seus momentos gloriosos e tristes; ser humano aprisionada pelo pecado, mas que, liberto pelo Emanuel, caminha no “mundo que é o teatro da história da humanidade(...) destinado segundo o desígnio de Deus, a ser transformado e alcançar a própria realização” (GS 2).

 

A Igreja reconhece que o mundo moderno é marcado por um grande progresso, no entanto, justamente o progresso suscitou, paradoxalmente, um certo desânimo no espírito humano na medida em que muitos problemas não foram sanados. O cientificismo apregoava que com o advento do domínio da ciência, a humanidade entraria numa espécie de “idade de ouro” donde decorreria a felicidade, inclusive no plano social. Essa mentalidade tem suas raízes no “séc. XII, que introduziu na cultura ocidental o mito da razão que funda a confiança no progresso indefinido do homem e na possibilidade de sua autolibertação” (TEIXEIRA, 2005, p. 15). Ao que se refere essa “autolibertação”? Ao despojamento do transcendente, do metafísico e, ao mesmo tempo, afirmação de que o real se limitaria ao imanente. Seria, segundo nosso entendimento, a defesa de um “imanentismo”. Juntamente com essa crença imanentista – da qual o cientificismo é uma forte expressão – há a angustia da impossibilidade em solucionar ou em apresentar respostas para questões existenciais.

 

O mundo moderno vive sob a égide de uma crise, fruto dessa contradição, isto é, quanto mais o homem avança em domínio científico, econômico mais incertezas surgem em outros campos, inclusive no plano social. Neste plano há grandes dúvidas quanto ao rumo que deve ser seguido e “procura-se, com todo empenho uma ordem temporal mais perfeita, mas sem que acompanhe um progresso espiritual proporcionado” (GS 4).

 

A exacerbação do conhecimento técnico resultou em uma “tecnolatria”! Ora, a técnica está no campo dos instrumentos que existem para facilitar a realização de um trabalho manual de execução penosa; logo a técnica diz respeito ao fazer utilitário, a instrumentalização, ou ainda, em valorizar algo pela sua eficácia (cf. CHAUI, 2000, p.p.317, 318). Vale lembrar que a valorização do saber utilitário foi defendida pelo filósofo Francis Bacon pro volta de 1620 em sua obra Novum Organon. Para ele a verdade de um conhecimento está na precisamente  na sua eficácia, em sua utilidade e nisto consiste o poder desse saber, ou como ele mesmo diz no terceiro aforismo da referida obra: “Ciência e poder coincidem...” (BACON, 1973, p. 19). Esse filósofo preconizou a valorização da razão implantada tecnologicamente, isto é, da modernidade. A técnica que deveria ser um instrumento, ainda que valioso, assume o papel de constituidora de verdades e como conseqüência dessa concepção, os papéis se invertem: Ao invés de um instrumento ou uma técnica ser valorizada a partir da pessoa humana, é esta que tem o seu valor definido ou determinado a partir da técnica, dos instrumentos e por esse prisma, o próprio homem torna-se instrumentalizável e, em última instância, instrumento. O homem moderno, de modo geral, é formado nessa mentalidade.

 

Muitos alardeiam que a Igreja é contra o avanço técnico - cientifico, porém, isso não é verdade, pois “a investigação metódica em todos os campos do saber,quando levada acabo de um modo verdadeiramente cientifico e segundo as normas morais, nunca será oposta a fé, já que as realidades profanas e às da fé têm origem no mesmo Deus. Antes, que se esforça com humildade e constância por perscrutar os segredos da natureza, é, mesmo quando disso não tem consciência, como que conduzido pela mão de Deus, o qual sustenta as coisas e as faz ser o que são” (GS 36).  O progresso cientifico não é condenado pela Igreja, muito pelo contrario, é desejado pelos benefícios que traz. Converte-se em problema quando rejeita os princípios éticos e perde a noção entre bem e mal. Fica claro que o que a Igreja condena é o divórcio entre o progresso e a moral (cf. GS 37).

 

O mundo é marcado pelo desequilíbrio (social, econômico, político...), que é um reflexo do desequilíbrio existencial presente no espírito de cada ser humano. Isso é um eco da dubiedade do nosso mundo que “apresenta-se simultaneamente poderoso e débil, capaz do melhor e do pior, tendo patente diante de si o caminho da liberdade ou da servidão, do progresso ou da regressão, da fraternidade ou do ódio. E o homem torna-se consciente de que a ele compete dirigir as forças que suscitou, e que tanto podem esmagar como servir. Por isso interroga a si mesmo” (GS 9).

 

Diante da instabilidade do mundo e da relatividade (ou relativismo?) que ele encerra, a Igreja – ciente de que a vocação do homem não se reduz a um imanentismo – quer ajudar o gênero humano no caminho da fraternidade universal (cf. GS 3); eis sua diaconia no plano social. Essa diaconia fica bem evidente quando compreendemos que a Igreja não pode cair num indiferentismo. É o que ensina o Compêndio da Doutrina Social da Igreja (CDSI 62) ao explicar que ela (a Igreja) “não é indiferente a tudo o que na sociedade se decide, se produz e se vive, numa palavra, a qualidade moral, autenticamente humana e humanizadora da vida social. A sociedade, e com ela a política, a economia, o trabalho, o direito, a cultura não constituem um âmbito meramente secular e mundano e portanto marginal e alheio à mensagem da economia da salvação. Efetivamente, a sociedade – com tudo o que nela se realiza – diz respeito ao homem. É a sociedade dos homens, que são ‘ primeira e fundamental via da Igreja”.  Assim, a Igreja enquanto prolonga a ação de Jesus na história, não pode se permitir cair no pecado da omissão, ela não defende uma fuga do mundo, isso seria um descompromisso com cada pessoa criada por Deus resultante de um egoísmo metafísico, mas ao mesmo tempo não podemos cair em um materialismo ativista e esquecer o Senhor da história, isto seria o imanentismo. A Igreja defende a coerência entre fé professada e vida cotidiana, não pode haver oposição entre atividades sociais, profissionais e vida religiosa. Corre o risco de perder a salvação quem  desleixa de seus deveres para com a sociedade e para com o próximo, já que está em falta para com Deus (cf. GS 43). Cabe ao cristão, mediante a uma vida de coerência entre fé e prática cotidiana glorificar a Deus e assim santificar o mundo.

 

A Igreja tem seu aspecto divino, mas também é uma realidade histórica e enquanto tal, reconhece que no desenrolar dos séculos aprende e ganha experiência no contato com culturas variadas, vale lembrar o quanto se enriqueceu com o pensamento filosófico grego; sobre esse ganho da Igreja refere-se Liébaert ao tecer um comentário sobre são Justino: “O entusiasmo apologético de Justino apóia-se na convicção de que a fé e a razão não podem se contradizer, pois  a verdade é uma, tendo sua fonte única em Deus e em seu Logos, seu Verbo, que ele comunica aos homens desde a origem” ( LIÉBAERT, 2000, p 48). O Espírito Santo guiou a Igreja pelos séculos e a fez compreender que o mundo social é sua vinha tanto que ela mesma  ao ter “uma estrutura social visível, sinal da sua unidade em Cristo, pode também ser enriquecida, e de fato o é, com a evolução da vida social. Não porque falte algo na constituição que Cristo lhe deu, mas para mais profundamente a conhecer e melhor a exprimir e para adaptar mais convenientemente aos nossos tempos” (GS 44), ou seja, a Igreja se enriquece com a sociedade para melhor pregar o Evangelho.

 

Portanto, fica claro que a eclesiologia advinda do Concílio Vaticano II, sendo fiel a Tradição é fruto de um enriquecimento milenar, por isso é significativo o tom pastoral desse Concílio que manifesta a consciência da Igreja em colocar-se a serviço da sociedade, assim como a humildade em receber auxílio dela. Esta é a convicção que perpassa toda a Constituição Pastoral aqui estudada e, essa convicção fica muito evidente na seguinte afirmação: “Ao ajudar o mundo e recebendo dele ao mesmo tempo muitas coisas, o único fim da Igreja é o advento do reino de Deus e o estabelecimento da salvação de todo o gênero humano” ( GS 45)

 

 

3- O CONCÍLIO VATICANO II E A AMÉRICA LATINA

Prof.: Paulo Sidney

 

Durante o Concílio Vaticano II, percebeu-se a necessidade de uma eclesiologia que se esforçasse em aproximar-se da cultura secular e a da América Latina fazia parte dessa precisão. Foi desenvolvida uma eclesiologia que chamou-se libertadora, sobretudo porque se inspirava na saída do povo hebreu do Egito, sua libertação do cativeiro opressor. Tal linha eclesiológica é de cunho fortemente social, sem deixar de lado as bases espirituais, é lógico.

 

A Igreja quer chamar a atenção da América Latina para sua situação de subdesenvolvimento e miséria, provocadas pelo mau uso das riquezas, pela exploração dos países ricos e pela má distribuição da renda. Em outras palavras, a Igreja quer chamar a atenção da América Latina e do mundo para o empobrecimento da própria América Latina e para o mal que esse pecado social pode acarretar.

 

É nesse contexto que se decide colocar em prática e compreender as idéias discutidas no Vaticano II sempre respeitando e de acordo com a cultura de cada povo, surgem documentos elaborados nessa direção:

 

3.1-MEDELLIN

Na América Latina, ocorreu em Medellin, na Colômbia em 1968, uma conferência geral dos bispos e foi denominada de conferência de Medellin, que foi, por assim dizer, uma releitura do Concílio Vaticano II pelo prisma da real situação da América Latina, isto é, denuncia as estruturas geradoras de uma cultura de morte, da miséria, do empobrecimento e da crescente injustiça. O referido documento expressa uma opção pelos pobres.

 

Segundo essa Conferência, pautada no Concílio, é necessária uma nova evangelização que vá de encontro aos problemas urgentes que assolam o homem latino americano. A miséria e o empobrecimento dos povos latinos americanos se constituem em uma tremenda injustiça que precisa e deve ser sanada se pretende-se cumprir os preceitos evangélicos nos quais a dignidade humana é algo primordial. Toda a vida de Jesus esteve empenhada em um resgate da dignidade humana diante de Deus e do próprio homem, logo a Igreja como corpo de Cristo deve desempenhar seu papel frente à luta contra a injustiça e o pecado social, pois “a miséria marginaliza grandes grupos humanos em nossos povos. Essa miséria, como fato coletivo, se qualifica de injustiça que clama aos céus.” (MEDELLIN.p.09).

 

Em Medellin, se compreende que a justiça social é urgente, pois a sua não realização acarretaria em um progressivo reducionismo das populações da América Latina – fato já constatado pela Igreja – e por isso mesmo a Igreja Latino-americana teve que posicionar-se frente a tão graves problemas que afetam não só ao homem latino como toda a humanidade. “A Igreja latino-americana tem uma mensagem para todos os homens que neste continente tem cede e fome de justiça. O mesmo Deus que criou o homem a sua imagem e semelhança, criou ‘a terra e tudo o que nela existe para uso de todos os homens, e de todos os povos de modo que os bens possam bastar a todos de maneira mais justa”(GS 69).

 

Deus que enviou seu Filho amado para libertar a humanidade de toda a má sorte que o pecado a sujeita, quer fazer isso através da Igreja, em outras palavras, a Igreja é o caminho pelo qual o homem pode e deve libertar-se do pecado.

 

A fome, a miséria, a opressão, e a ignorância são faces da injustiça, ou melhor, são manifestações da injustiça que por sua vez tem origem no pecado, isto é, no egoísmo humano. Por esse motivo toda forma de injustiça – social ou pessoal – é assunto que compete a Igreja. Não é a toa que toda a vida de Cristo foi em função da instituição da Igreja se que constitui como corpo da cabeça que é o próprio Cristo. Se Jesus é o caminho, a verdade e a vida, seu corpo místico que é a Igreja não pode fugir a essa realidade.

 

A origem de todo pecado está no abuso livre arbítrio, logo para uma verdadeira libertação do homem se faz necessária, igualmente, verdadeira conversão. Na conferência de Medellin, é afirmado que: “para nossa verdadeira libertação, todos os homens necessitam de profunda conversão para que chegue a nós oReino de justiça, de paz” (MEDELLIN 10).

A Igreja entende que se faz necessária uma mudança nas estruturas sociais e políticas, porém uma mudança nessas estruturas não pode acontecer sem uma mudança no próprio homem, para que assim se renove não só as estruturas sociais e políticas mais também a cultura. “Não teremos continente novo, sem novas e renovadas estruturas, mas, sobretudo, não haverá continente novo sem homens novos, que a luz do evangelho saibam ser verdadeiramente livres e responsáveis.” (MEDELLIN, p.11).

 

Somente mediante a luz de Cristo o mistério do homem é esclarecido, a saber, somente mediante a vida e os ensinamentos do Mestre de Nazaré se pode tornar claro o verdadeiro significado da vida humana, de maneira que o homem possa conhecer a si mesmo em toda sua integridade de ser social e de filho de Deus. E quem traz esses ensinamentos do mestre? A sua Igreja é claro. Aquela que ele fundou em cada ato, em cada momento de sua vida entre nós, homens como Ele. É mediante a Igreja que Cristo continua a falar, a orientar o homem de hoje, que se vê – de certa forma – privado da companhia humana do Mestre. E é por ter essa convicção que a Igreja procura penetrar nas realidades humanas a fim de sublimá-las, procura entender o homem no bojo de sua cultura, de sua realidade sem nenhum momento descuidar daquele arcabouço espiritual que brota do próprio Cristo e que é fundamento do caminho que leva à verdade e à salvação: “Eu vim para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz.”(Jo 18,37).

 

A Igreja quer servir ao homem, esse é o propósito de sua existência, pois o seu fundador usou todos os seus dias na terra para servir a humanidade que nem se quer o reconheceu. Portanto, mesmo se o homem latino-americano – ou de qualquer outro continente – não reconhece na Igreja uma servidora sua, isso não anula de forma alguma sua missão, pelo contrário só a confirma. Ensina o concílio vaticano II: “Assim é que a Igreja quer servir ao mundo, irradiando sobre ele uma luz e uma vida que cura e eleva a dignidade da pessoa humana”(GS 41).

 

Daí a necessidade de uma pastoral que atenda as exigências da América Latina. A missão pastoral da Igreja no continente latino-americano “é essencialmente um serviço de inspiração e de educação das consciências dos fieis, para ajudar-lhes a perceber as exigências e responsabilidades de sua fé, em sua vida pessoal e social.” (MEDELLIN, p.12). Um serviço de legitima conscientização do papel da Igreja e do cristão, não só no âmbito pessoal, mas também deve perceber sua responsabilidade social. O homem não pode e não deve eximir-se de buscar melhorias na sociedade e para a sociedade, um cristão deve ter uma fé madura que o impele para a ação, para a atuação direta ou indireta nas estruturas sociais, para tanto é necessário que a fé penetre profundamente na cultura do povo a fim, não de impedi-la ou deturpá-la, mas antes para enriquecê-la e aprofundá-la. Da mesma forma uma cultura renovada pela luz evangélica deve enriquecer a fé. Não pode haver contradição entre uma fé madura e uma cultura verdadeira, uma cultura que busque o bem e a verdade sobre o homem e sobre o mundo que o cerca.

 

A formação de comunidades é uma das preocupações da Igreja latino-americana. Tais comunidades devem organizar-se em bases que – em acordo com o evangelho – possam fazer frente de maneira pacifica, porém rigorosa, na luta por uma sociedade mais humana e que não perca de vista a dignidade humana em hipótese alguma. Organizar-se em frentes de trabalho na busca de educação, moradia, alimentação em suma, uma vida dignificante, sobretudo para as camadas marginalizadas e carentes, é o objetivo dessas comunidades que, quando necessário e oportuno devem e podem – na categoria de povo e cidadãos – cobrar atitudes dos governos.

 

A família é de extrema importância no processo de mudança social, pois recuperar a família, salvaguardar sua dignidade é um passo imprescindível no processo de restauração social, visto que a sã integridade de um povo e de sua cultura dependem da sã integridade da família. É na família que a pessoa recebe aquela carga de valores que o acompanhará por toda a vida e que ele levará para o mundo social: o trabalho, a escola, o grupo de amigos, a vizinhança, etc.

 

A reforma social (política, educação, cultura, laser, família, etc.), deve e pode ocorrer no continente latino-americano, em vista de salvar o homem latino do reducionismo ao qual ele vem sendo submetido. A Conferência de Medellin realizada na Colômbia em 1968, quer chamar a atenção do mundo e sobretudo do homem latino para sua situação de risco, para sua precária realidade de empobrecimento e miséria, mas sobretudo quer apontar uma saída à luz da verdade de Cristo que por intermédio da Igreja continua agindo e apontando o caminho da felicidade, não só pessoal e espiritual, mas também social e material. A libertação dos problemas econômicos, educacionais, políticos, agrários, assim como a libertação da violência e da miséria encontram-se ao alcance de todos, basta organização, força de vontade, doação e uma boa dose de um profundo amor pelo ser humano. Cristo e sua Palavra de libertação e esperança está – através da Igreja - à disposição de todos os povos, de todas as culturas, de todos aqueles que realmente buscam a justiça e a paz.

 

3.2-PUEBLA

No documento Puebla, o assunto central é a evangelização presente e futura da América-Latina. Alguns criticaram a posição tomada pela Igreja, pois parecia que os assuntos tratados em Medellin (a fome, a miséria e a violência) haviam sido deixados de lado, coisa que não é verdade, pois ao tratar da evangelização a Igreja não deixa de tratar de tais assuntos. Puebla “nos oferece um conjunto compacto de orientações pastorais e doutrinais sobre questões de suma importância” (João Paulo II /PUEBLA 05). Cabe a todos os membros da Igreja conhecer, aprofundar e assumir as orientações propostas.

 

Segundo uma ala das comunidades eclesiais de base apoiadas em uma certa vertente da teologia da libertação, Puebla representou um retrocesso da Igreja diante daquilo que ela havia proposto em Medellin, a saber, a luta por um melhoramento social e a opção pelos pobres. Esse tipo de “ideologia” originou-se pelo fato dessas alas ou vertentes da teologia da libertação e das comunidades eclesiais de base, terem tornado-se excessivamente socialistas esquecendo que “A contribuição da Igreja à libertação e promoção humana vem se concretizando num conjunto de orientações doutrinais e critérios de ação que costumamos chamar ‘doutrina social da Igreja’, os quais têm sua fonte na Sagrada Escritura, na doutrina dos Santos Padres e dos grandes teólogos da Igreja e no Magistério, especialmente dos últimos Papas” (PUEBLA, p.159). E não – como querem alguns – em ideologias puramente sociais ou em teorias materialistas como, por exemplo, o marxismo que tenta excluir todo o metafísico em vista de uma revolução puramente materialista.

 

A grande preocupação da Igreja latino-americana – dez anos após a conferência de Medellin - com o povo e os costumes desse continente, tem um enfoque um pouco diferente, mas não menos profundo e importante. As mudanças ocorridas em vista do crescente “progresso” técnico, tecnológico e científico, têm provocado também mudanças acentuadas no campo da política, da economia, da cultura e na própria célula social, a saber, a família.

 

O que a Igreja ensinava era mais facilmente absorvido pela família e refletia inevitavelmente na sociedade. Hoje a realidade é outra, o que a Igreja prega é por vezes recebida com certa desconfiança, ou pelo menos com uma concepção reducionista, isto é, é entendido na categoria do mítico. Essa atitude será o reflexo de uma maturidade cultural e intelectual do homem latino que no bojo da modernidade tornou-se um homem crítico? Ou será justamente por uma falta de maturidade cultural e intelectual que ofuscam a verdade e tolhem a liberdade, fazendo do homem uma espécie de fantoche nas mãos dos grandes sistemas político-econômicos que turvam a visão dos verdadeiros valores mostrando somente o puramente material, isso é, incapacitando o homem de ir além das aparências?

 

Para respondermos essas perguntas “necessitamos de ‘olhos’ abertos, ‘mãos estendidas’ e ‘coração evangélico’ para aceitar o convite de nossos pastores e ouvir o grito de nossos irmãos latino-americanos.” (PUEBLA, orientações, p.05).

 

O crescimento demográfico aliado a uma crise de vocações, a deserção de católicos e a crescente ascensão de seitas – muitas vezes mendazes e contrárias a fé católica – tem levado, muito mais que um ateísmo, à um perigoso indiferentismo que fatalmente levará o homem a uma miserável queda da qual ele dificilmente se recuperará. “O indiferentismo, mais do que o ateísmo, passou a ser um problema enraizado em grandes setores dos grupos intelectuais e profissionais, da juventude e até da classe operária (...) Há muitos outros que se dizem católicos ‘a sua maneira’ e não acatam os postulados básicos da Igreja. Muitos valorizam mais sua ‘ideologia’ que sua fé e pertença a Igreja” (PUEBLA, p.77). Parece que em um mundo onde a técnica e a tecnologia avançam a largos passos não existe mais lugar para o cultivo de uma fé, de uma crença em uma verdade absoluta que não se fragmenta ás primeiras rajadas de metralhadora... Não há mais lugar para Deus, para a caridade, para o amor, para a compaixão para com o próximo. As ideologias assumiram o centro da crença humana, pois é mais fácil crer no mais fácil. O homem latino-americano, extasiado com o poder da modernidade e engolido por uma cultura capitalista empobreceu-se cada vez mais de sua própria cultura e de sua fé, daquela crença metafísica que está no cerne de sua raiz cultural. As ideologias ao oferecerem um caminho mais fácil arrebataram o homem latino – culto ou não – à um encantamento abobalhado que o levará desgraçadamente a uma cultura de morte, daí a importância da Igreja exercer seu papel de ser porta-voz daquela verdade que salva e liberta conforme a promessa de nosso Senhor Jesus Cristo. Nesse sentido a Igreja latino-americana é portadora de salvação e de felicidade, mas também participante e efetivadora daqueles valores que podem restaurar o homem todo e todo homem.

 

O cenário mundial que se desenrola diante de nossos olhos apresenta-nos uma serie de acontecimentos que comprometem o desenvolvimento dos verdadeiros valores e potenciais da América Latina, dentre esses acontecimentos está “a organização tecnico-científica de certos países (que) está gerando uma visão cientificista do homem, cuja vocação é a conquista do universo. Nesta visão só se reconhece como verdade o que pode ser demonstrado pela ciência. O próprio homem é reduzido a sua definição científica. Em nome da ciência justifica-se tudo, até o que constitui uma afronta à dignidade humana. Simultaneamente submetem as comunidades nacionais às decisões de um novo poder, a tecnocracia. Uma espécie de engenharia social pode controlar os espaços de liberdade dos indivíduos e instituições, com o risco de reduzi-los a meros elementos de cálculos”( PUEBLA,p.126).

A ciência, ou melhor, o cientificismo que vem desenvolvendo-se cada vez mais na América Latina, pode tornar-se um perigoso obstáculo na formação humanista do homem latino, tornando-se instrumento de deformação da pessoa, daí a importância da Igreja – que sempre foi ferrenha defensora da dignidade humana – em apontar, não para combater a ciência, mas para um uso responsável e serio dos recursos científicos em prol da dignidade humana e da busca pela verdade que é a verdadeira vocação da ciência.

 

A evangelização da América Latina, parte da Igreja no seio do próprio clero que deve estar devidamente preparado para essa árdua tarefa, estendendo-se ao âmbito social e seus desdobramentos em vista de uma melhor preparação para o futuro. A evangelização Latino-americana precisa dar-se de forma a aproximar o homem desse continente dos ritos, dos motivos, da profundidade da doutrina Romana, “A evangelização dará prioridade à proclamação da Boa-Nova, à catequese bíblica e à celebração litúrgica, como resposta à crescente ânsia do povo pela palavra de Deus.” (Puebla, p.89).

 

A conferência de Puebla ocorrida no pontificado de João Paulo II, não deseja em momento algum distanciar a América Latina do desenvolvimento tecnológico e científico, ou destruir a cultura do mesmo, pelo contrário, o objetivo é salvaguardar a cultura, promovendo um dialogo salutar entre cultura e fé, entre fé e ciência, a fim de resgatar a dignidade do homem e sua integridade.

 

3.3-SANTO DOMINGO

O documento de Santo Domingo é antes de tudo um convite da Igreja aos cristãos da América Latina a uma Nova Evangelização. Essa nova evangelização deve antes de tudo favorecer uma promoção humana que por sua vez terá por objetivo dar uma resposta satisfatória à delicada situação em que se encontram os países do referido continente. Porém para que haja uma nova Evangelização a Igreja deve fazer-se presente na cultura e na vida cotidiana do povo, pois, “Toda Evangelização parte do mandamento de Cristo a seus apóstolos e sucessores, desenvolve-se na comunidade dos batizados, no seio de  comunidades vivas  que compartilham a sua fé e se orienta ao fortalecimento da vida de adoção final em Cristo que se expressa principalmente no amor fraterno.”  (SANTO DOMINGO, p.84). A Igreja deve estar devidamente preparada para a Nova Evangelização, isto é, deve ter sacerdotes e pastores preparados intelectualmente, culturalmente e espiritualmente, a fim de poder evangelizar de forma adequada os fieis e principalmente aqueles que não se dizem fieis mas que igualmente tem fome e cede de Deus tanto quanto de alimento e água. Por esse motivo é que a Nova Evangelização “tem seu ponto de partida na Igreja, na força do Espírito, em contínuo processo de conversão, que busca testemunhar a unidade dentro da diversidade de mistérios e carismas e que vivem intensamente seu compromisso missionário. Só uma Igreja evangelizada é capaz de evangelizar.

 

As trágicas situações de injustiça e sofrimento de nossa América, que se tornaram mais agudas depois de Puebla, pedem respostas que só a Igreja sinal de reconciliação e portadora de vida e de esperança que brotam do Evangelho poderá dar” (SANTO DOMINGO, p.84). A Nova Evangelização, portanto, se quiser realmente efetivar uma genuína promoção da pessoa humana na América Latina deve antes de tudo fazê-la através de um dialogo profundo e sério entre fé e cultura. Um verdadeiro diálogo entre Evangelho e cultura, com o objetivo de aperfeiçoar a cultura para que ela torne-se uma cultura capaz de promover o homem e por conseguinte a verdade a respeito do mesmo e da vida.

 

A Nova Evangelização no documento de Santo Domingo, tem a conotação de uma crença mas também a certeza de que em Cristo há uma riqueza insondável, válida para todos os homens de todos os povos e por isso mesmo capaz de enriquecê-los, buscando esclarecer a verdade existente nos próprios homens e em suas culturas. O Papa João Paulo II em seu discurso inaugural diz: “A Nova Evangelização é algo atuante, dinâmico. É, antes de tudo, chamado à conversão.” (SANTO DOMINGO, P.85).

 

O que a Igreja deseja com o Santo Domingo é dar uma resposta satisfatória ao divorcio ocorrido entre a fé e a vida, que tem como conseqüência a injustiça, a desigualdade e a violência que assolam o continente Latino-americano de maneira impiedosa e - do ponto de vista racional - imoral. Portanto é preciso correr, caso contrário o futuro de todo um continente estará comprometido. Todos devemos fazer nossa parte, pois o sujeito da Nova Evangelização é todo aquele que constitui o povo de Deus. Devemos formar comunidades de homens maduros na fé e conscientes da dignidade humana e da importância de Cristo e de sua Igreja para a humanidade.

 

O diálogo é algo indispensável nas relações da Igreja com as “Igrejas Modernas” (comunidades Eclesiais), pois a Nova Evangelização não pode e nem deve dispensar o diálogo, que é o meio pelo qual se entra em contato amistoso com as diversas culturas do mundo moderno e expressões do mundo secularizado. A Nova Evangelização “É o conjunto de meios, ações e atitudes aptas a por o Evangelho em dialogo ativo com a modernidade e o pós-moderno, seja para interpelá-los, seja para deixar-se interpelar por eles. Também é o esforço por inculturar o Evangelho na situação atual das culturas dos nossos continentes.” (SANTO DOMINGO, p.86).

 

A Igreja é chamada a evangelizar para formar homens santos, portanto é também chamada a santidade, essa santidade a qual a Igreja é chamada terá suas raízes na fidelidade à Palavra, pois só sendo fiel aos ensinamentos de Cristo é que se podem alcançar os mais altos graus de santidade, “A Igreja, como mistério de unidade, encontra sua fonte em Jesus Cristo. Nele pode dar os frutos de santidade que Deus espera dela. Só participando de seu Espírito pode transmitir aos homens a autêntica Palavra de Deus. Somente a santidade de vida alimenta e orienta uma verdadeira promoção humana e cultura cristã. Só com Ele, por Ele e Nele se pode dar a Deus, Pai onipotente, a honra e a glória pelos séculos e séculos”  (SANTO DOMINGO,p.89).

 

A Nova Evangelização é – ao contrário do que muitos pensam – um abraço da Igreja sobre a humanidade, é uma oportunidade que Cristo através do dever da Igreja continua dando à humanidade para uma conversão em busca de uma felicidade perene. A Nova Evangelização é um voltar-se da Igreja para socorrer o homem que clama por justiça e paz, qual mãe que imediatamente volta-se e não demora a socorrer o filho que chora quando experimenta os primeiros tropeços da vida, na aprendizagem do caminhar cotidiano.

 

 

Conclusão

 

Buscamos, no presente texto, desenvolver uma reflexão de cunho eclesiológico tendo como eixo central a eclesiologia advinda do Concílio Vaticano II. Alguns pensam que a eclesiologia do Vaticano II fez a Igreja aderir à modernidade, quanto engano! Isso significaria perder a identidade eclesiológica.

 

A eclesiologia a partir do Vaticano II, sem dúvida, avançou, porém esse avanço nada mais é do que o cumprimento das palavras de Jesus: “Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas vós não podeis compreender agora. Quando vier, porém, o Espírito da Verdade, ele vos guiará no caminho da Verdade integral...” (Jo 16, 13-14). Os apóstolos não estavam prontos para conhecer tudo o que Jesus tinha para ensinar, mas o Espírito os guiara no conhecimento da Verdade. Ora, assim foi nos primórdios da Igreja, assim é e assim será, pois é o Espírito que conduz a Igreja agindo pela hierarquia, agindo através doa sacramentos, agindo nas diversidades de carismas. Caso contrário Jesus teria mentido!

 

A eclesiologia do Concílio Vaticano II, não deixa de ser nova na medida em que está pautada na Boa Nova e justamente por isso está ancorada na Tradição sem, no entanto, se converte em tradicionalismo. Para evidenciar a procedência do que afirmamos gostaríamos de terminar estas reflexões com uma citação da encíclica Mater et Magistra  do romano pontífice João XXIII: “Mãe e Mestra de todos os povos, a Igreja Universal foi fundada por Jesus Cristo, a fim de que todos, vindo no seu seio e no seu amor, através dos séculos, encontrem plenitude de vida mais elevada e penhor seguro de salvação. A esta Igreja, ‘coluna e fundamento da verdade’ (cf. 1 Tm 3,15), o seu Fundador santíssimo confiou uma dupla missão : de gerar filhos, e de os educar e dirigir, orientando, com solicitude materna, a vida dos indivíduos e dos povos, cuja alta dignidade ela sempre desveladamente respeitou e defendeu” (MM 1).

 

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Autores:

Ricardino Lassadier é graduado (Licenciado e Bacharel), em Filosofia (UFPa), Especialista em Filosofia (Epistemologia das Ciências Humanas/ UFPa). Especialista em Teologia (Teologia e Realidade com ênfase em bioética/CESUPA). Professor do IRFP, onde leciona várias disciplinas filosóficas. Lecionou disciplinas teológicas na Escola Diaconal Santo Efrém da Arquidiocese de Belém. Lecionou no Curso de Teologia (CCFC). Nesta mesma instituição ministra o curso “Razões e Fundamentos da Fé: Estudo do Catecismo da Igreja Católica”. É professor da Rede pública estadual (SEDUC), onde leciona Filosofia.

 

Paulo Sidney: É graduado (Bacharel e Licenciado Pleno) em Filosofia pela UFPa. Especialista em “Teologia com ênfase em Bioética” (CESUPA).   Lecionou disciplinas filosóficas no IRFP (Instituto Regional para Formação Presbiteral).  Desenvolve estudos sobre a arte nas perspectivas filosóficas e teológicas. É músico, compositor e poeta premiado em concursos e festivais da região. É professor da Rede Pública estadual SEDUC (Secretaria de Educação), onde leciona Filosofia.

 

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Referências Bibliográficas

 

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#0•A839•C54   2011-08-27 21:19:22 - Convidado/raimundofilosofreitas@yahoo.com.br
Olá, professor.
Li seu texto - e que texto!
Parabéns professor, fico muito feliz por ler artigos como este, escritos por "leigo", é de dar alegria tamanho amor a Igreja e tamanha sanidade eclesial. Sou muito grato ao Bom Deus por ter sido seu aluno. Eu costumo rezar pelos meus professores, e o senhor com toda a sua prole (que não é nada pequena) tem um lugar especial.
A Igreja esteve presente no colo de Deus desde toda eternidade. Quando falamos em Igreja, estamos tratando de um grande projeto que teve a sua origem na vontade de Deus Pai. Projeto nascido de Deus, fundado nas pal......

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